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Atriz Renata Alves é presa no portão de embarque quando tentava viajar para os EUA

Renata Alves Mietto, de 26 anos, foi abordada no portão de embarque em Los Angeles e depois transferida para um centro de detenção no Texas

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 3 de outubro de 2026 às 20:18

Atriz está presa nos EUA
Atriz está presa nos EUA Crédito: Reprodução

Uma viagem em família para comemorar o aniversário da mãe terminou com a prisão da atriz brasileira Renata Alves Mietto, de 26 anos, nos Estados Unidos. Ela foi detida por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) no dia 27 de agosto e permanece sob custódia há mais de um mês.

Renata se preparava para embarcar de Los Angeles para o Havaí quando foi abordada. Segundo a mãe, Márcia Rilda Alves dos Reis, a jovem havia passado normalmente pelos procedimentos de segurança e pelo raio-X e já estava no portão de embarque quando agentes à paisana fizeram a abordagem.

Renata Alves Mietto por Reprodução

A mãe afirma que a família não imaginava que Renata pudesse ser detida durante um voo doméstico e acreditava que as ações nos aeroportos estivessem direcionadas a pessoas com antecedentes criminais.

Renata chegou aos Estados Unidos em 2016, aos 16 anos. No país, concluiu o ensino médio e estudou Artes Cênicas na Utah Valley University. Há pouco mais de três anos, vive em Los Angeles, onde tenta consolidar a carreira artística.

A brasileira participou de produções como "The Cool Kids" e também se tornou proprietária de uma empresa de limpeza que, segundo a mãe, emprega mais de 20 pessoas.

Perda do status migratório

De acordo com Márcia, a filha perdeu o status de permanência regular nos Estados Unidos há aproximadamente dois anos. A mãe atribui a situação a uma orientação jurídica equivocada recebida pela família.

Após a detenção no aeroporto, Renata foi encaminhada inicialmente para um centro em Los Angeles e posteriormente levada para Adelanto, também na Califórnia. Ela permaneceu no local por mais de 20 dias enquanto familiares e advogados tentavam conseguir sua liberação.

Em 18 de setembro, Renata participou de uma audiência. A defesa solicitou que ela pudesse acompanhar o processo em liberdade, mas o pedido foi negado sob o argumento de que ela representaria um risco.

A mãe sustenta que a filha não possui antecedentes criminais e que a detenção está relacionada exclusivamente à situação migratória irregular.

Transferência para o Texas

No dia seguinte à audiência, em 19 de setembro, Renata foi transferida para El Paso, no Texas. Márcia afirma que a filha passou horas dentro de uma van e durante o deslocamento usando algemas nos pés, na cintura e nas mãos. "Eu sei que ela ficou muito tempo, ficou horas dentro de uma van sem poder fazer xixi, sem poder tomar água, algemada nos pés, na cintura, nas mãos, sentada por horas até entrar no voo", relatou.

Ainda segundo a mãe, após chegar ao destino, Renata teria permanecido por várias horas em um ambiente frio antes de ser encaminhada para um quarto. Márcia também afirma que a filha apresentou inchaço nas pernas e nos pés, além de dor de garganta.

A família diz ainda que uma bolsa com documentos, cartão de crédito e joias não foi localizada após a transferência. Até o momento relatado, os parentes também tentavam conseguir autorização para visitar a brasileira no centro de detenção.

Família busca saída voluntária

Apesar de não querer deixar os Estados Unidos, Renata estaria seguindo a orientação de seus advogados e solicitando uma saída voluntária do país.

Segundo a mãe, a atriz gostaria ao menos de retornar à própria casa antes de partir para organizar seus pertences e resolver questões pessoais. Márcia afirma que a situação abalou emocionalmente a filha. "Ela queria pelo menos voltar na casa dela, pegar as coisas dela. Ela tem um coelho que já tem seis anos. É tanta coisa, sabe? Emocionalmente. É tanto sentimento de injustiça", contou.

A advogada de imigração Gisele Ambrósio afirmou à RFI que houve aumento nas detenções em aeroportos americanos nos últimos meses, inclusive envolvendo passageiros de voos domésticos. Segundo ela, pessoas com diferentes situações migratórias podem ser abordadas pelas autoridades.

A orientação da especialista é que imigrantes com processos ou pendências migratórias consultem um advogado antes de viajar e mantenham documentos e contatos importantes acessíveis caso sejam detidos.