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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 7 de setembro de 2026 às 21:55
Existe uma espécie de “buraco” no escudo magnético da Terra sobre parte do Sul Global. Ele não pode ser visto, mas é grande o suficiente para preocupar operadores de satélites que atravessam a região.>
Agora, cientistas descobriram que essa estrutura está passando por uma transformação ainda mais incomum. A chamada Anomalia do Atlântico Sul está dividida em dois pontos de intensidade mínima, e eles parecem estar se transformando.>
Um estudo publicado no Journal of Geophysical Research: Solid Earth conseguiu separar pela primeira vez as duas regiões e acompanhar individualmente como elas mudam. O resultado mostra movimentos em direções opostas.>
Campo magnético da Terra
O campo magnético terrestre funciona como uma enorme proteção ao redor do planeta. Grande parte dele é produzida pelo movimento de metais líquidos no núcleo externo da Terra e ajuda a desviar partículas energéticas vindas do Sol e do espaço.>
Na Anomalia do Atlântico Sul, porém, essa proteção fica consideravelmente mais fraca. Isso permite que partículas carregadas cheguem mais perto da superfície do que em outras regiões do planeta.>
No espaço, a situação é diferente. Satélites que atravessam a área ficam expostos a níveis maiores de partículas cósmicas, capazes de interferir em computadores de bordo, eletrônicos e coleta de dados.>
A existência de dois pontos fracos não surgiu de repente em 2026. Os pesquisadores identificam 2008 como o período em que um novo mínimo local começou a aparecer na região africana, separando progressivamente a estrutura antes tratada como uma única grande anomalia.>
O problema era descobrir o que cada metade fazia individualmente. Como os dois mínimos pertencem à mesma região enfraquecida, modelos tradicionais tinham dificuldade para estabelecer onde terminava a influência de um e começava a do outro.>
Yaochen Yue e os demais pesquisadores desenvolveram então um novo método topológico capaz de dividir a anomalia em sub-regiões associadas a cada mínimo e calcular como suas áreas e centros mudam com o passar do tempo.>
A análise revelou um comportamento quase como uma disputa territorial. A região relacionada ao mínimo principal da América do Sul encolhe, enquanto a área associada ao mínimo africano aumenta.>
Ao mesmo tempo, os dois centros estão se deslocando para oeste. Só que não na mesma velocidade: segundo o estudo, o mínimo sul-americano se move aproximadamente quatro vezes mais rápido que o africano.>
A origem da anomalia está milhares de quilômetros abaixo dos satélites que sofrem seus efeitos.>
O campo magnético principal nasce do movimento do ferro líquido no núcleo externo, mas sua configuração na superfície também recebe influência de estruturas e processos complexos no interior terrestre.>
Os pesquisadores também olharam para reconstruções do passado. Os resultados indicam que expansões da região anômala e mudanças relativas entre diferentes mínimos já ocorreram ao longo do último milênio.>