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Bianca Hirakawa
Agência Correio
Publicado em 14 de agosto de 2026 às 05:05
Sabe quando alguém percebe que o clima está ficando tenso e dá aquele abraço para acalmar as coisas? Chimpanzés e bonobos parecem ter uma estratégia parecida. Um estudo descobriu que os primatas usam abraços, beijos, afagos e outros tipos de contato físico antes de situações que podem gerar conflitos. >
A pesquisa foi publicada na revista Proceedings of the Royal Society B e ajuda a entender melhor como esses animais convivem em grupo. >
Curiosidades sobre os chimpanzés
Para observar esse comportamento, pesquisadores acompanharam chimpanzés e bonobos em santuários na República Democrática do Congo e na Zâmbia. Os animais receberam uma quantidade limitada de amendoins, criando uma situação em que vários indivíduos precisavam dividir o mesmo espaço e disputar a comida. >
Foi aí que apareceu um detalhe curioso. Os animais que tinham trocado mais contatos amigáveis antes da alimentação apresentaram maior tendência a permanecer tranquilos durante a refeição. >
Ou seja, parece que um pouco de carinho antes da disputa ajudava a evitar problemas depois. >
Os pesquisadores registraram vários tipos de contato entre os animais. Entre eles estavam abraços, beijos, afagos e tapinhas. Alguns comportamentos podem parecer estranhos para nós, mas também faziam parte dessa interação social.>
A ideia é que esses gestos funcionem como uma espécie de sinal: “reassurance trains”, algo como “trens de tranquilização”.>
Vários animais se abraçavam por trás, formando uma espécie de fila.>
Segundo os pesquisadores, o comportamento pode ajudar a reforçar os laços entre os integrantes do grupo antes de momentos de competição.>
É quase como aquela conversa silenciosa que diz: “vamos ficar juntos nessa”.>
Apesar de os dois primatas apresentarem comportamentos semelhantes, os pesquisadores encontraram algumas diferenças.>
Entre os bonobos, as fêmeas eram mais propensas a trocar contatos amigáveis com outras fêmeas.>
Nos chimpanzés, por outro lado, os machos apresentaram mais contato físico com outros machos.>
Os cientistas relacionam essas diferenças à maneira como cada espécie organiza seus grupos sociais.>
Outro ponto interessante é que o comportamento não apareceu da mesma forma em todos os grupos observados.>
A relação entre contato físico e convivência tranquila foi mais forte em grupos considerados mais tolerantes socialmente.>
Já em grupos com estruturas de liderança mais rígidas, esse efeito não apareceu da mesma maneira.>
Isso indica que o ambiente social pode influenciar bastante a forma como os animais usam o toque para lidar com situações de tensão.>
Entre os chimpanzés, os pesquisadores observaram comportamentos que podem parecer bastante incomuns para os humanos.>
Em algumas situações, um animal colocava a mão ou os dedos na boca de outro.>
Também foram registrados contatos com partes íntimas do corpo.>
Apesar de parecerem atitudes arriscadas, os cientistas acreditam que esses gestos podem estar ligados à confiança entre os indivíduos.>
A lógica é simples: permitir que outro animal se aproxime de uma região vulnerável pode ser um sinal de que existe confiança naquela relação.>
É justamente aí que o estudo fica ainda mais interessante.>
Nós também usamos o contato físico para aliviar situações desconfortáveis. Um abraço depois de uma discussão, um aperto de mão ou um tapinha no ombro podem transmitir confiança sem precisar de muitas palavras.>
Chimpanzés, bonobos e humanos compartilham um ancestral comum que viveu há milhões de anos.>
Por isso, os pesquisadores consideram a possibilidade de que o uso do contato físico para fortalecer relações e diminuir conflitos tenha raízes muito antigas na evolução dos primatas.>
A pesquisa ajuda a mostrar que esses comportamentos não são necessariamente apenas demonstrações de afeto.>
Em determinadas situações, eles podem ter uma função bem prática: manter os relacionamentos funcionando mesmo quando existe competição.>
No caso dos chimpanzés e bonobos, um abraço pode ser mais do que um gesto fofo.>
Pode ser uma maneira de dizer, sem nenhuma palavra: “estamos bem”.>