Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 16 de agosto de 2026 às 16:19
Um robô ultrarrealista pode ser personalizado para replicar uma pessoa real, assumindo seu rosto e sua voz em um corpo humanoide. Essa é uma das possibilidades anunciadas pela UBTech para a nova série UWorld U1, apresentada na China em 2026.>
A ideia vai além de colocar uma face conhecida em uma máquina. A fabricante afirma que pretende combinar reconstrução facial em 3D, replicação baseada na voz, inteligência artificial emocional e memória de longo prazo para desenvolver versões personalizadas do humanoide.>
Cronologia dos robôs humanoides
Apresentada em Shenzhen, a família possui três versões: U1 Lite, de meio corpo, U1 Pro e U1 Ultra, ambas de corpo completo. Segundo a UBTech, mais de 13,3 mil pedidos haviam sido registrados até a data do lançamento.>
Um dos recursos usados para tornar o U1 mais realista está em seus 88 graus de liberdade, medida que indica a quantidade de movimentos independentes que uma estrutura robótica pode executar.>
Além da pele biomimética, o humanoide possui uma estrutura cervical de dois pivôs criada para deixar os movimentos da cabeça menos mecânicos. O sistema facial tenta sincronizar os lábios à fala em até 20 milissegundos, enquanto respostas imediatas podem ocorrer em até 500 milissegundos.>
A aparência é apenas parte da tentativa de aproximar a máquina de uma pessoa. A empresa diz que o modelo de linguagem do U1 foi desenvolvido para reconhecer mais de 20 estados emocionais e ajustar a interação ao contexto.>
Em 2026, a UBTech pretende doar 100 robôs U1 personalizados em uma iniciativa de companhia e apoio psicológico. Essas unidades deverão incorporar reconstrução facial 3D e tecnologias de replicação de identidade baseadas na voz para recriar características de indivíduos específicos.>
A corrida por robôs cada vez mais realistas também esbarra em um fenômeno estudado há décadas: o vale da estranheza. Ele descreve a possibilidade de uma figura artificial se tornar mais agradável à medida que ganha características humanas, até chegar a um ponto no qual pequenas imperfeições passam a causar desconforto.>
Um estudo divulgado em julho de 2026 criou um modelo matemático para analisar esse efeito e realizou um experimento com imagens que mudavam gradualmente entre robôs e humanos.>
Os pesquisadores encontraram indícios de que ambiguidades sobre o que é humano ou artificial e incompatibilidades entre aparência e comportamento podem reduzir a sensação de familiaridade. O trabalho não avaliou o U1 especificamente.>
Outro estudo sobre interação com humanoides, revisado em 2026, colocou 68 participantes para conversar livremente com Nadine, um robô social de aparência humana. Depois da experiência, as avaliações de agradabilidade e acessibilidade aumentaram, enquanto a percepção de estranheza caiu.>
O resultado mostrou que naturalidade e interesse da conversa foram fatores mais importantes para a intenção de falar novamente com o robô do que a aparência isoladamente.>