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China constrói robô ultrarrealista que pode replicar uma pessoa com rosto, voz e IA em um corpo de humano

Nova série UWorld U1, da UBTech, combina pele de silicone, movimentos humanos e inteligência artificial para criar companhia robótica personalizada

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 16 de agosto de 2026 às 16:19

Empresa chinesa planeja usar reconstrução facial em 3D e reprodução da voz para fazer unidades especiais assumirem características de pessoas escolhidas
Empresa chinesa planeja usar reconstrução facial em 3D e reprodução da voz para fazer unidades especiais assumirem características de pessoas escolhidas Crédito: Divulgação / UBTECH Robotics

Um robô ultrarrealista pode ser personalizado para replicar uma pessoa real, assumindo seu rosto e sua voz em um corpo humanoide. Essa é uma das possibilidades anunciadas pela UBTech para a nova série UWorld U1, apresentada na China em 2026.

A ideia vai além de colocar uma face conhecida em uma máquina. A fabricante afirma que pretende combinar reconstrução facial em 3D, replicação baseada na voz, inteligência artificial emocional e memória de longo prazo para desenvolver versões personalizadas do humanoide.

Eric (1928), de W. H. Richards e A. H. Reffell: um dos primeiros robôs humanoides exibidos ao público por Chris Protopapas / Wikimedia Commons

Apresentada em Shenzhen, a família possui três versões: U1 Lite, de meio corpo, U1 Pro e U1 Ultra, ambas de corpo completo. Segundo a UBTech, mais de 13,3 mil pedidos haviam sido registrados até a data do lançamento.

Corpo quase humano

Um dos recursos usados para tornar o U1 mais realista está em seus 88 graus de liberdade, medida que indica a quantidade de movimentos independentes que uma estrutura robótica pode executar.

A UBTech afirma que o sistema consegue reproduzir até 90% dos movimentos humanos considerados fundamentais
A UBTech afirma que o sistema consegue reproduzir até 90% dos movimentos humanos considerados fundamentais Crédito: Divulgação / UBTECH Robotics

Além da pele biomimética, o humanoide possui uma estrutura cervical de dois pivôs criada para deixar os movimentos da cabeça menos mecânicos. O sistema facial tenta sincronizar os lábios à fala em até 20 milissegundos, enquanto respostas imediatas podem ocorrer em até 500 milissegundos.

A aparência é apenas parte da tentativa de aproximar a máquina de uma pessoa. A empresa diz que o modelo de linguagem do U1 foi desenvolvido para reconhecer mais de 20 estados emocionais e ajustar a interação ao contexto.

Em 2026, a UBTech pretende doar 100 robôs U1 personalizados em uma iniciativa de companhia e apoio psicológico. Essas unidades deverão incorporar reconstrução facial 3D e tecnologias de replicação de identidade baseadas na voz para recriar características de indivíduos específicos.

Quando parece humano

A corrida por robôs cada vez mais realistas também esbarra em um fenômeno estudado há décadas: o vale da estranheza. Ele descreve a possibilidade de uma figura artificial se tornar mais agradável à medida que ganha características humanas, até chegar a um ponto no qual pequenas imperfeições passam a causar desconforto.

Um estudo divulgado em julho de 2026 criou um modelo matemático para analisar esse efeito e realizou um experimento com imagens que mudavam gradualmente entre robôs e humanos.

Os pesquisadores encontraram indícios de que ambiguidades sobre o que é humano ou artificial e incompatibilidades entre aparência e comportamento podem reduzir a sensação de familiaridade. O trabalho não avaliou o U1 especificamente.

Exemplo de robô que a face que entra no chamado Vale da Estranheza
Exemplo de robô que a face que entra no chamado Vale da Estranheza Crédito: Max Braun / Wikimedia Commons

Outro estudo sobre interação com humanoides, revisado em 2026, colocou 68 participantes para conversar livremente com Nadine, um robô social de aparência humana. Depois da experiência, as avaliações de agradabilidade e acessibilidade aumentaram, enquanto a percepção de estranheza caiu.

O resultado mostrou que naturalidade e interesse da conversa foram fatores mais importantes para a intenção de falar novamente com o robô do que a aparência isoladamente.

Tags:

Robô Pesquisa Lançamento Inteligência Artificial Tecnologia Engenheira China