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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 30 de junho de 2026 às 07:00
A dúvida se estamos sozinhos no universo fascina a humanidade desde tempos imemoriais, mas e se os alienígenas existirem e já tiverem tentado contato, mas o sinal passou sem que ninguém percebesse? Essa é a hipótese de um novo estudo do Instituto da Busca por Inteligência Extraterrestre (do inglês, SETI).>
Imagine gritar, tentar conversar em meio a uma rua movimentada, com obras em execução, carros buzinando e pessoas conversando. Alguém que estiver no final da rua dificilmente vai conseguir ouvir a fala em meio aos ruídos; os cientistas tentam traduzir essa lógica em escala galáctica.>
Principais planetas candidatos a terem vida extraterrestre
Segundo os pesquisadores, sinais de rádio enviados por uma civilização distante poderiam sair de sua origem como uma frequência muito precisa, mas chegar à Terra espalhados, fracos ou difíceis de reconhecer.>
Durante décadas, projetos do SETI buscaram sinais de rádio, mas de uma maneira perfeita demais para as condições astronômicas. A busca se focava em sinais diretos e precisos, mas a natureza costuma produzir emissões mais caóticas.>
O novo estudo, publicado no The Astrophysical Journal, questiona parte dessa estratégia. Mesmo que uma civilização envie um sinal perfeito, ele pode ser deformado antes de escapar do próprio sistema estelar.>
Um sinal que deveria aparecer como um risco fino no rádio pode virar uma mancha mais larga e fraca. Assim, ele perde força justamente no ponto que os radiotelescópios costumam procurar.>
Apesar de parecer vazio e silencioso, o contínuo do cosmos está em constante movimento, mesmo que invisível. Principalmente as estrelas, que influenciam tudo ao redor, desde a atmosfera de mundos rochosos até a maneira como uma onda de rádio viaja pelo espaço.>
Segundo a NASA, esse tipo de estrela representa cerca de 73% da população da Via Láctea. Portanto, ignorar seus efeitos pode deixar uma parte enorme da galáxia fora do alcance real das buscas.>
Essas estrelas também costumam ter zonas habitáveis muito próximas. Ou seja, planetas onde poderia haver água líquida — aqueles com maior chance de possuir vida como a conhecemos — ficam mais expostos à radiação, ventos estelares e erupções intensas.>
O ponto central do estudo é o alargamento espectral. Em termos simples, o sinal começa concentrado em uma frequência, mas o plasma ao redor da estrela espalha essa energia.>
Isso não apaga completamente a transmissão. Porém, reduz o pico que os algoritmos procuram. O sinal continua ali, mas deixa de parecer uma assinatura artificial evidente.>
O astrônomo Vishal Gajjar, autor principal do estudo, resumiu o risco ao afirmar que o sinal “pode ficar abaixo dos nossos limiares de detecção, mesmo que esteja lá”, em comunicado do SETI.>
Dessa maneira, o “Grande Silêncio” do universo não seja devido à ausência de civilizações inteligentes, mas à maneira como nós as procuramos.>
Os pesquisadores sugerem ampliar a sensibilidade dos levantamentos. Em vez de procurar apenas sinais finíssimos, os radiotelescópios também deveriam considerar transmissões um pouco mais largas.>
Isso pode mudar três pontos nas buscas futuras:>
A coautora Grayce C. Brown afirmou que a ideia é desenhar buscas mais próximas do que “realmente chega à Terra”, não apenas do que poderia ter sido transmitido.>
Um segundo estudo permite observar a importância desse composto em anãs vermelhas. Nomeado de “Um Toro de Plasma ao Redor de uma Jovem Estrela de Baixa Massa”, ele estudou aglomerados de massa ao redor dessas estrelas.>
Esses aglomerados formam uma espécie de anel ou toro de plasma. A estrutura mostra que o ambiente perto dessas estrelas pode ser mais organizado, intenso e complexo do que parecia à primeira vista.>
O artigo também sugere que mais de 10% das anãs M podem ter estruturas parecidas durante a juventude.>