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Cientistas revelam que sinais alienígenas poderiam ter chegado à Terra e a humanidade não foi capaz de percebê-los

Estudo do Instituto SETI sugere que sinais de rádio de civilizações extraterrestres podem ser deformados pelo clima espacial das próprias estrelas antes de chegar à Terra

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 30 de junho de 2026 às 07:00

Pesquisadores apontam que ventos estelares, plasma e erupções solares podem “borrar” sinais alienígenas
Pesquisadores apontam que ventos estelares, plasma e erupções solares podem “borrar” sinais alienígenas Crédito: Igor Mashkov / Pexels

A dúvida se estamos sozinhos no universo fascina a humanidade desde tempos imemoriais, mas e se os alienígenas existirem e já tiverem tentado contato, mas o sinal passou sem que ninguém percebesse? Essa é a hipótese de um novo estudo do Instituto da Busca por Inteligência Extraterrestre (do inglês, SETI).

Imagine gritar, tentar conversar em meio a uma rua movimentada, com obras em execução, carros buzinando e pessoas conversando. Alguém que estiver no final da rua dificilmente vai conseguir ouvir a fala em meio aos ruídos; os cientistas tentam traduzir essa lógica em escala galáctica.

TRAPPIST-1 e está entre os alvos rochosos mais estudados na zona habitável de uma estrela anã vermelha por NASA / JPL-Caltech

Segundo os pesquisadores, sinais de rádio enviados por uma civilização distante poderiam sair de sua origem como uma frequência muito precisa, mas chegar à Terra espalhados, fracos ou difíceis de reconhecer.

O que o estudo descobriu

Durante décadas, projetos do SETI buscaram sinais de rádio, mas de uma maneira perfeita demais para as condições astronômicas. A busca se focava em sinais diretos e precisos, mas a natureza costuma produzir emissões mais caóticas.

O novo estudo, publicado no The Astrophysical Journal, questiona parte dessa estratégia. Mesmo que uma civilização envie um sinal perfeito, ele pode ser deformado antes de escapar do próprio sistema estelar.

O principal culpado é o plasma, gás eletricamente carregado presente nos ventos estelares que tem a capacidade de interferir nas ondas de rádio
O principal culpado é o plasma, gás eletricamente carregado presente nos ventos estelares que tem a capacidade de interferir nas ondas de rádio Crédito: Scott Lord / Pexels

Um sinal que deveria aparecer como um risco fino no rádio pode virar uma mancha mais larga e fraca. Assim, ele perde força justamente no ponto que os radiotelescópios costumam procurar.

Ruído estelar

Apesar de parecer vazio e silencioso, o contínuo do cosmos está em constante movimento, mesmo que invisível. Principalmente as estrelas, que influenciam tudo ao redor, desde a atmosfera de mundos rochosos até a maneira como uma onda de rádio viaja pelo espaço.

O problema fica maior em estrelas anãs vermelhas, também chamadas de anãs M. Elas são menores e mais frias que o Sol, mas podem ser muito ativas, principalmente quando jovens
O problema fica maior em estrelas anãs vermelhas, também chamadas de anãs M. Elas são menores e mais frias que o Sol, mas podem ser muito ativas, principalmente quando jovens Crédito: Pixabay

Segundo a NASA, esse tipo de estrela representa cerca de 73% da população da Via Láctea. Portanto, ignorar seus efeitos pode deixar uma parte enorme da galáxia fora do alcance real das buscas.

Essas estrelas também costumam ter zonas habitáveis muito próximas. Ou seja, planetas onde poderia haver água líquida — aqueles com maior chance de possuir vida como a conhecemos — ficam mais expostos à radiação, ventos estelares e erupções intensas.

Como um sinal pode ficar invisível?

O ponto central do estudo é o alargamento espectral. Em termos simples, o sinal começa concentrado em uma frequência, mas o plasma ao redor da estrela espalha essa energia.

Isso não apaga completamente a transmissão. Porém, reduz o pico que os algoritmos procuram. O sinal continua ali, mas deixa de parecer uma assinatura artificial evidente.

Conforme os picos das ondas se afastam, o sinal se torna menos intenso e mais próxima da radiação cósmica de fundo, podendo então ser ignorado
Conforme os picos das ondas se afastam, o sinal se torna menos intenso e mais próximo da radiação cósmica de fundo, podendo então ser ignorado Crédito: Մարիամ Վարդանյան / Wikimedia Commons

O astrônomo Vishal Gajjar, autor principal do estudo, resumiu o risco ao afirmar que o sinal “pode ficar abaixo dos nossos limiares de detecção, mesmo que esteja lá”, em comunicado do SETI.

Dessa maneira, o “Grande Silêncio” do universo não seja devido à ausência de civilizações inteligentes, mas à maneira como nós as procuramos.

O que muda agora?

Os pesquisadores sugerem ampliar a sensibilidade dos levantamentos. Em vez de procurar apenas sinais finíssimos, os radiotelescópios também deveriam considerar transmissões um pouco mais largas.

Isso pode mudar três pontos nas buscas futuras:

  • quais estrelas entram na lista de prioridade;
  • quais frequências recebem mais atenção;
  • como os algoritmos separam ruído natural de possível tecnologia.

A coautora Grayce C. Brown afirmou que a ideia é desenhar buscas mais próximas do que “realmente chega à Terra”, não apenas do que poderia ter sido transmitido.

Complementação acadêmica

Um segundo estudo permite observar a importância desse composto em anãs vermelhas. Nomeado de “Um Toro de Plasma ao Redor de uma Jovem Estrela de Baixa Massa”, ele estudou aglomerados de massa ao redor dessas estrelas.

Esses aglomerados formam uma espécie de anel ou toro de plasma. A estrutura mostra que o ambiente perto dessas estrelas pode ser mais organizado, intenso e complexo do que parecia à primeira vista.

Os ditos toros podem ser um dos elementos ruidosos que alargam ondas de rádio mencionadas pelo estudo do Instituto SETI
Os ditos toros podem ser um dos elementos ruidosos que alargam ondas de rádio mencionadas pelo estudo do Instituto SETI Crédito: NASA/GSFC/Jay Friedlander

O artigo também sugere que mais de 10% das anãs M podem ter estruturas parecidas durante a juventude.

Tags:

Alien Pesquisa Estudo Ciência Tecnologia