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Fernanda Varela
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 00:45
Existem portas que tentamos manter abertas mesmo quando tudo indica que aquele caminho já não funciona. Pode ser um relacionamento que terminou, uma oportunidade que desapareceu, um emprego que deixou de existir ou um projeto que não aconteceu como imaginávamos. Diante da frustração, a primeira sensação costuma ser a de perda.>
Mas nem toda porta fechada precisa ser interpretada como punição.>
5 curiosidades sobre Søren Kierkegaard
A reflexão inspirada no pensamento de Søren Kierkegaard ajuda a enxergar esses momentos pela perspectiva da escolha. O filósofo dinamarquês colocou a liberdade, a decisão e a responsabilidade diante da própria existência entre questões fundamentais de sua obra.>
Escolher significa seguir por um caminho enquanto outros ficam para trás. E justamente por isso algumas decisões provocam angústia: não existe garantia absoluta de que aquilo que escolhemos dará certo.>
Por medo dessa incerteza, podemos preferir aquilo que já conhecemos, mesmo quando o conhecido nos faz mal.>
É assim que algumas pessoas passam anos retornando ao mesmo relacionamento esperando um resultado diferente. Permanecem em situações que já não oferecem crescimento porque começar novamente parece assustador. Insistem em planos que perderam o sentido apenas porque já investiram muito tempo neles.>
Às vezes, não estamos tentando recuperar uma oportunidade. Estamos tentando recuperar a segurança de uma vida que já conhecíamos.>
E existe uma diferença importante.>
Nem sempre teremos coragem de fechar voluntariamente uma porta. Em certos momentos, é a própria realidade que faz isso por nós. Alguém vai embora. Uma oportunidade termina. Uma resposta negativa chega. Um projeto fracassa.>
Inicialmente, enxergamos apenas aquilo que perdemos.>
Com o tempo, porém, algumas dessas experiências podem revelar algo diferente: se aquela possibilidade tivesse permanecido disponível, talvez continuássemos escolhendo exatamente aquilo que já sabíamos que não nos fazia bem.>
Isso não significa romantizar todas as perdas. Existem portas que se fecham injustamente, acontecimentos dolorosos que não carregam qualquer ensinamento automático e situações que simplesmente gostaríamos que tivessem terminado de outra maneira.>
A filosofia não precisa transformar sofrimento em destino para nos ajudar a pensar sobre aquilo que fazemos depois dele.>
É justamente aí que a escolha volta a aparecer.>
Você pode não ter escolhido o fim de uma relação, a perda de uma oportunidade ou uma mudança inesperada. Mas, diante daquilo que aconteceu, ainda precisará decidir se passará a vida tentando reconstruir exatamente o que existia antes ou se permitirá construir alguma coisa diferente.>
Talvez algumas portas fechadas continuem doendo por muito tempo. Ainda assim, seguir em frente pode revelar caminhos que jamais seriam considerados enquanto permanecíamos ocupados tentando voltar ao mesmo lugar.>
Porque existem momentos em que perder uma possibilidade não encerra a nossa história. Apenas impede que continuemos escolhendo, repetidamente, a mesma.>