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Fernanda Varela
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 00:45
Nem tudo o que desejamos permanecerá em nossa vida. Há relações que mudam, planos que não acontecem, oportunidades que se encerram e situações que, por mais que tentemos, já não podem voltar a ser como antes. Aceitar isso pode ser doloroso, principalmente quando confundimos perseverança com a obrigação de nunca desistir.>
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A filosofia estoica propõe justamente uma mudança de perspectiva: reconhecer aquilo que está sob nosso controle e aceitar aquilo que não está. Sêneca refletia frequentemente sobre a brevidade da vida e sobre o desperdício de tempo com preocupações que não podemos modificar. Continuar preso ao que terminou também pode significar deixar de viver aquilo que ainda está diante de nós.>
Isso não significa desistir diante da primeira dificuldade. Existem momentos em que persistir é necessário, assim como existem situações que podem ser transformadas com paciência e esforço. A questão está em perceber quando a insistência deixou de produzir mudança e passou apenas a prolongar uma dor.>
Às vezes, recomeçar exige mais coragem do que permanecer. É preciso admitir que determinado caminho já não faz sentido, aceitar a perda e permitir que a vida siga por outra direção. Não porque aquilo nunca tenha sido importante, mas porque algumas coisas podem ter valor em nossa história sem precisar continuar fazendo parte do nosso futuro.>
A sabedoria também está em reconhecer o momento de soltar. Nem toda despedida representa fracasso. Algumas são apenas a maneira que encontramos de abrir espaço para uma vida que já não precisa ser construída em torno daquilo que ficou para trás.>