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Fernanda Varela
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 00:45
É difícil abandonar uma vida que imaginamos. Criamos expectativas sobre relacionamentos, carreira, família, amizades e até sobre quem deveríamos nos tornar. Quando a realidade não corresponde a esse projeto, a sensação pode ser de fracasso. Mas talvez o problema não esteja em a vida ter saído diferente do planejado, e sim em acreditar que só existe uma maneira certa de viver.>
Alain de Botton costuma explorar justamente essa relação entre nossas expectativas e a realidade. A comparação constante com aquilo que imaginamos que deveríamos ter alcançado pode transformar a própria vida em uma fonte de frustração. Aceitar que determinados planos não deram certo também pode significar abrir espaço para uma existência mais coerente com aquilo que realmente desejamos.>
Quem é o filósofo moderno Alain de Botton?
Isso não significa romantizar perdas ou fingir que mudanças não doem. Alguns finais são difíceis, injustos e deixam marcas. Mas existe uma diferença entre sofrer pelo que terminou e passar o resto da vida tentando reconstruir algo que já não existe.>
Recomeçar também exige coragem para abandonar a versão de futuro que criamos. Às vezes, o caminho que parecia ser um desvio acaba revelando uma direção que jamais teríamos escolhido por conta própria.>
Talvez seja justamente por isso que alguns finais, apesar da dor, também possam representar liberdade. Nem sempre precisamos recuperar a vida que imaginamos. Algumas vezes, precisamos apenas ter coragem para descobrir aquela que ainda podemos construir.>