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Fernanda Varela
Publicado em 15 de agosto de 2026 às 00:45
A rotina costuma ser preenchida por trabalho, compromissos, mensagens, redes sociais, tarefas e preocupações. Quando percebemos, o dia acabou. E então surge a sensação de que seria preciso ter mais horas para conseguir fazer tudo aquilo que realmente importa. Mas talvez a questão não esteja apenas na quantidade de tempo disponível, e sim naquilo que fazemos com ele.>
Byung-Chul Han dedica parte de sua obra a analisar uma sociedade marcada pelo excesso de produtividade, pela velocidade e pela necessidade constante de estar fazendo alguma coisa. Nesse cenário, até o descanso pode parecer improdutivo, e momentos de pausa podem ser acompanhados pela culpa de não estar produzindo.>
Tudo sobre Byung-Chul Han
O problema é que uma vida completamente ocupada não é necessariamente uma vida plenamente vivida. É possível preencher todas as horas do dia e ainda sentir que quase nenhuma delas foi realmente nossa. Quando cada minuto precisa servir a uma obrigação, uma meta ou uma distração, sobra pouco espaço para simplesmente estar presente.>
Essa reflexão não significa abandonar responsabilidades ou ignorar a importância do trabalho. A questão está em perceber se a nossa agenda também reserva espaço para aquilo que não produz resultados imediatos: conversar com alguém que amamos, caminhar sem pressa, descansar, observar o mundo ou simplesmente não fazer nada por alguns minutos.>
Talvez administrar o tempo também seja uma forma de escolher a vida que queremos ter. Porque, no fim, não é apenas sobre quantas horas temos, mas sobre quantas delas realmente sentimos que vivemos.>