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Frase do dia da Filosofia: 'Não é a falta de tempo que nos impede de viver; muitas vezes, é a maneira como escolhemos gastá-lo' - a reflexão inspirada em Byung-Chul Han sobre a sociedade contemporânea

O pensamento inspirado no filósofo sul-coreano convida a refletir sobre uma das maiores contradições da vida moderna: nunca tivemos tantas possibilidades de ocupar o tempo e, ainda assim, tantas pessoas sentem que não têm tempo para viver

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 15 de agosto de 2026 às 00:45

Seus pensamentos ajudam a compreender por que, mesmo com tantas formas de conexão, a sociedade contemporânea também enfrenta uma crescente sensação de isolamento
Seus pensamentos ajudam a compreender por que, mesmo com tantas formas de conexão, a sociedade contemporânea também enfrenta uma crescente sensação de isolamento Crédito: Reprodução

A rotina costuma ser preenchida por trabalho, compromissos, mensagens, redes sociais, tarefas e preocupações. Quando percebemos, o dia acabou. E então surge a sensação de que seria preciso ter mais horas para conseguir fazer tudo aquilo que realmente importa. Mas talvez a questão não esteja apenas na quantidade de tempo disponível, e sim naquilo que fazemos com ele.

Byung-Chul Han dedica parte de sua obra a analisar uma sociedade marcada pelo excesso de produtividade, pela velocidade e pela necessidade constante de estar fazendo alguma coisa. Nesse cenário, até o descanso pode parecer improdutivo, e momentos de pausa podem ser acompanhados pela culpa de não estar produzindo.

Byung-Chul Han usa a filosofia para questionar uma pergunta cada vez mais urgente: estamos realmente vivendo ou apenas tentando dar conta de tudo? por Reprodução

O problema é que uma vida completamente ocupada não é necessariamente uma vida plenamente vivida. É possível preencher todas as horas do dia e ainda sentir que quase nenhuma delas foi realmente nossa. Quando cada minuto precisa servir a uma obrigação, uma meta ou uma distração, sobra pouco espaço para simplesmente estar presente.

Essa reflexão não significa abandonar responsabilidades ou ignorar a importância do trabalho. A questão está em perceber se a nossa agenda também reserva espaço para aquilo que não produz resultados imediatos: conversar com alguém que amamos, caminhar sem pressa, descansar, observar o mundo ou simplesmente não fazer nada por alguns minutos.

Talvez administrar o tempo também seja uma forma de escolher a vida que queremos ter. Porque, no fim, não é apenas sobre quantas horas temos, mas sobre quantas delas realmente sentimos que vivemos.