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Fernanda Varela
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 00:45
A rotina acelerada faz com que muitas pessoas passem de uma tarefa para outra sem realmente perceber o que está acontecendo ao redor. Trabalhar, responder mensagens, cumprir compromissos, acompanhar redes sociais e resolver problemas ocupam quase todas as horas do dia. Quando finalmente existe um momento de pausa, surge até a sensação de culpa por não estar fazendo alguma coisa.>
Tudo sobre Byung-Chul Han
Byung-Chul Han critica justamente essa lógica de excesso de produtividade. Para o filósofo, a sociedade contemporânea transformou o indivíduo em alguém que cobra constantemente de si mesmo mais desempenho, mais eficiência e mais resultados. Nesse ritmo, até o descanso pode ser visto como algo que precisa ser justificado.>
Mas nem tudo que importa pode ser alcançado com pressa. Algumas decisões precisam de tempo para amadurecer. Algumas respostas aparecem apenas quando deixamos de procurar desesperadamente por elas. E certos momentos da vida só são percebidos quando estamos presentes o suficiente para prestar atenção.>
Desacelerar não significa abandonar responsabilidades ou deixar de perseguir objetivos. Significa entender que velocidade não é sinônimo de progresso. Às vezes, correr demais faz com que cheguemos mais rápido a um lugar que nem sequer queríamos estar.>
A reflexão também fala sobre presença. Uma conversa sem olhar para o celular, uma caminhada sem destino, uma refeição sem pressa ou alguns minutos de silêncio podem parecer insignificantes diante de uma rotina cheia de tarefas. Ainda assim, são justamente esses momentos que podem devolver à vida uma dimensão que a produtividade não consegue oferecer.>
Talvez seja esse o paradoxo do nosso tempo: passamos tanto tempo tentando ganhar horas que esquecemos de viver as que já temos. E algumas das coisas mais importantes da vida só conseguem nos alcançar quando finalmente diminuímos o passo.>