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Fernanda Varela
Publicado em 15 de julho de 2026 às 00:45
Toda pessoa carrega lembranças que ajudaram a construir sua história. Algumas trazem alegria, outras deixam marcas profundas. A reflexão inspirada na obra de Bessel van der Kolk convida a compreender que superar um trauma não significa apagar a memória, mas impedir que ela continue determinando todas as escolhas, emoções e relacionamentos.>
Reconhecido mundialmente por seus estudos sobre trauma psicológico, especialmente no livro O Corpo Guarda as Marcas, o especialista explica que experiências difíceis podem permanecer registradas não apenas na memória, mas também no corpo e na forma como a pessoa reage ao mundo. Por isso, o processo de recuperação envolve muito mais do que simplesmente "seguir em frente".>
Curiosidades sobre Bessel van der Kolk
A reflexão continua extremamente atual porque muitas pessoas acreditam que deveriam esquecer o passado para conseguir viver melhor. Quando isso não acontece, sentem culpa ou acreditam que fracassaram no processo de cura. Na realidade, compreender a própria história e aprender a conviver com ela costuma ser um caminho mais saudável do que tentar apagá-la.>
Na prática, isso aparece em situações comuns do cotidiano. Medos persistentes, dificuldade para confiar nas pessoas, reações intensas diante de determinadas situações ou a sensação de reviver antigas experiências podem ser consequências de feridas emocionais que ainda não foram elaboradas.>
O pensamento psicológico não afirma que a cura seja rápida ou linear. A mensagem está na compreensão de que recuperar a própria vida significa deixar de permitir que o sofrimento do passado controle todas as decisões do presente. É possível reconhecer a dor sem permanecer definido por ela.>
Ao longo de sua obra, Bessel van der Kolk mostra que o autoconhecimento, o acolhimento e o tratamento adequado podem ajudar a reconstruir a sensação de segurança e fortalecer a capacidade de criar novas experiências e novos vínculos.>
Talvez seja justamente por isso que essa reflexão continue despertando identificação. Ela lembra que a cura não apaga a história de ninguém. Ela permite que o passado ocupe o lugar de lembrança, e não o de comandante da vida.>