Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Fernanda Varela
Publicado em 3 de julho de 2026 às 00:30
Desde a infância, muitas pessoas aprendem que algumas emoções devem ser escondidas. Chorar pode ser visto como sinal de fraqueza, demonstrar raiva como falta de educação e expressar tristeza como exagero. A reflexão inspirada na obra de Alice Miller chama atenção para as consequências desse aprendizado ao longo da vida.>
Reconhecida por seus estudos sobre os impactos das experiências infantis na saúde emocional, Alice Miller defendia que sentimentos reprimidos não desaparecem simplesmente porque foram silenciados. Pelo contrário, eles podem permanecer presentes de forma inconsciente, influenciando comportamentos, relacionamentos e a maneira como cada pessoa lida consigo mesma.>
Alice Miller
A reflexão continua extremamente atual em uma época em que cresce a preocupação com a saúde mental, mas em que muitas pessoas ainda encontram dificuldade para reconhecer e acolher as próprias emoções. Em vez de enfrentá-las, tentam ignorá-las, acreditando que o tempo, sozinho, resolverá a dor.>
Na prática, isso aparece em situações comuns do cotidiano. Pessoas que evitam falar sobre perdas, escondem frustrações, reprimem a própria raiva ou sentem culpa por demonstrar sofrimento acabam, muitas vezes, carregando essas emoções por anos.>
O pensamento psicológico não incentiva permanecer preso ao sofrimento. A mensagem está na compreensão de que a cura emocional começa quando existe espaço para reconhecer aquilo que foi vivido, dar nome aos sentimentos e permitir que eles sejam elaborados de maneira saudável.>
Ao longo de sua obra, Alice Miller destacou que enfrentar a verdade sobre a própria história pode ser doloroso, mas também representa um passo importante para romper padrões que se repetem ao longo da vida.>
Talvez seja justamente por isso que essa reflexão continue despertando identificação. Ela lembra que nenhuma emoção desaparece apenas porque foi escondida e que acolher aquilo que sentimos pode ser o início de uma transformação profunda.>