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Fernanda Varela
Publicado em 12 de julho de 2026 às 00:30
A imagem da maternidade costuma estar associada ao acolhimento, à proteção e ao amor incondicional. No entanto, nem todas as pessoas crescem em um ambiente emocionalmente seguro. A reflexão inspirada na obra de Lindsay C. Gibson lembra que reconhecer essa realidade não significa deixar de amar a própria mãe, mas compreender experiências que podem ter marcado profundamente a vida emocional.>
Autora do livro Filhos Adultos de Pais Emocionalmente Imaturos, a psicóloga explica que alguns pais têm dificuldade para oferecer validação emocional, escuta e acolhimento. Muitas vezes, priorizam as próprias necessidades, têm pouca empatia pelos sentimentos dos filhos ou esperam que eles assumam responsabilidades emocionais que não lhes cabem.>
Conheça Lindsay C. Gibson
A reflexão continua extremamente atual porque muitas pessoas chegam à vida adulta acreditando que são exageradas, difíceis ou insuficientes, quando, na verdade, cresceram sem receber o suporte emocional de que precisavam. Com frequência, carregam culpa por estabelecer limites ou por reconhecer que determinadas relações familiares lhes causaram sofrimento.>
Na prática, isso aparece em situações comuns do cotidiano. Adultos que sentem necessidade constante de aprovação, têm dificuldade para dizer "não", evitam conflitos a qualquer custo ou acreditam que precisam cuidar emocionalmente dos próprios pais podem estar reproduzindo padrões construídos desde a infância.>
O pensamento psicológico não afirma que toda mãe emocionalmente indisponível seja narcisista ou deixe de amar os filhos. A mensagem está na importância de reconhecer que o amor, quando não é acompanhado de disponibilidade emocional, pode não atender às necessidades afetivas de uma criança.>
Ao longo de sua obra, Lindsay C. Gibson mostra que compreender essas dinâmicas familiares não tem como objetivo alimentar ressentimentos, mas permitir que cada pessoa desenvolva relações mais saudáveis, fortaleça sua autoestima e interrompa ciclos que poderiam se repetir por gerações.>
Talvez seja justamente por isso que essa reflexão desperte tanta identificação. Ela lembra que a cura muitas vezes começa quando deixamos de negar a própria história e entendemos que reconhecer uma ferida não é desrespeitar a família, mas dar a si mesmo a oportunidade de construir uma vida emocional mais saudável.>