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Frase do dia da Psicologia: 'Nem todo mundo que não gosta de comemorar o aniversário está triste' - a reflexão inspirada em Erik Erikson sobre a passagem do tempo

Para algumas pessoas, fazer aniversário desperta menos vontade de celebrar e mais pensamentos sobre idade, escolhas, expectativas, mudanças e tudo aquilo que aconteceu ou ainda não aconteceu na própria vida

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 4 de outubro de 2026 às 00:30

Para Erikson, o desenvolvimento psicológico não termina na infância: novos conflitos e desafios continuam surgindo da juventude à velhice.
Para Erikson, o desenvolvimento psicológico não termina na infância: novos conflitos e desafios continuam surgindo da juventude à velhice. Crédito: Reprodução

“Nem todo mundo que não gosta de comemorar o aniversário está triste. Para algumas pessoas, fazer aniversário traz mais reflexão sobre o tempo que passou do que vontade de celebrar.” A frase não é uma citação literal de Erik Erikson, mas uma reflexão inspirada em sua teoria do desenvolvimento psicossocial, que compreende a vida como uma sequência de fases marcadas por diferentes desafios, relações e questões sobre quem somos.

Existe quase um roteiro social para o aniversário. Espera-se que a pessoa esteja feliz, queira comemorar, receba mensagens com entusiasmo e considere aquele um dos dias mais especiais do ano. Por isso, quem prefere não fazer festa, não gosta de parabéns ou simplesmente gostaria que a data passasse normalmente pode acabar ouvindo perguntas sobre o motivo de não estar animado.

Erik Erikson estudou como identidade, relações, escolhas e experiências acumuladas ao longo dos anos participam do desenvolvimento humano durante toda a vida. por Reprodução

Mas não querer comemorar não significa necessariamente estar infeliz. Para algumas pessoas, o aniversário funciona como um marcador muito evidente da passagem do tempo. É como se aquela data interrompesse a rotina por algumas horas e colocasse diante delas uma pergunta que, durante o restante do ano, pode ser mais fácil ignorar: o que aconteceu com a minha vida desde o último aniversário?

É nesse momento que podem surgir comparações entre a vida imaginada e a vida real. Alguém chega aos 30 pensando que acreditava que já estaria casado. Outra pessoa chega aos 40 imaginando que teria alcançado determinada estabilidade profissional. Aos 50, podem aparecer questionamentos sobre escolhas feitas décadas antes. Não existe uma idade específica para esse balanço, porque expectativas pessoais e sociais acompanham diferentes fases da vida.

A teoria de Erikson ajuda a compreender por que determinadas etapas podem provocar questionamentos diferentes. Para o psicólogo e psicanalista, o desenvolvimento humano continua ao longo de toda a existência. Questões relacionadas à identidade, intimidade, contribuição para as próximas gerações e avaliação da própria trajetória aparecem em momentos distintos e podem ganhar novos significados conforme envelhecemos.

O aniversário pode acabar concentrando algumas dessas reflexões em um único dia. A idade muda oficialmente, mensagens chegam lembrando a data e perguntas sobre planos para o futuro aparecem. Até comentários aparentemente inocentes, como “e os filhos?”, “quando vai casar?”, “já está chegando nos 40” ou “o tempo está voando”, podem tocar em assuntos que aquela pessoa vive de maneira muito mais complexa.

Há também quem simplesmente não goste de ser o centro das atenções. Festa surpresa, dezenas de mensagens, telefonemas, parabéns cantado e a obrigação de demonstrar entusiasmo podem ser desconfortáveis para alguém que prefere viver a data de maneira reservada. Nesse caso, não há necessariamente uma grande tristeza escondida. Existe apenas uma preferência diferente daquela que socialmente aprendemos a esperar de um aniversariante.

Para outras pessoas, porém, a data pode realmente carregar emoções difíceis. Um aniversário pode lembrar alguém que morreu, marcar a ausência de uma pessoa importante, despertar solidão ou trazer recordações de uma fase que já terminou. Nesse contexto, exigir comemoração pode acrescentar uma obrigação emocional justamente a um dia que já possui significado delicado.

Também existe uma diferença importante entre não gostar de aniversário e estar permanentemente angustiado com o envelhecimento. Uma pessoa pode não querer festa e estar perfeitamente satisfeita com a própria vida. Outra pode comemorar com dezenas de convidados e, internamente, estar enfrentando questões profundas sobre idade e futuro. A maneira como alguém celebra não revela, sozinha, como essa pessoa se sente.

Talvez seja por isso que aniversários mereçam menos regras. Há quem queira bolo, música e casa cheia. Há quem prefira jantar com poucas pessoas. Outros querem viajar, ficar sozinhos ou simplesmente trabalhar e seguir o dia normalmente. Nenhuma dessas escolhas determina quanto alguém valoriza a própria vida.

Porque fazer aniversário significa inevitavelmente reconhecer que mais um ano passou. Para algumas pessoas, isso é motivo imediato de festa. Para outras, é principalmente um momento de olhar para trás, perceber onde chegaram e pensar sobre onde ainda gostariam de chegar. E nem todo aniversário precisa ser vivido da mesma maneira para continuar tendo significado.