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Frase do dia da Psicologia: 'Nem todo vazio precisa ser preenchido com pessoas; algumas ausências nos obrigam a descobrir o que realmente dá sentido à nossa vida' - a reflexão inspirada em Viktor Frankl

Buscar alguém apenas para escapar da solidão pode adiar um encontro mais difícil e necessário: descobrir o que sustenta nossa vida quando não dependemos da presença do outro

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 2 de setembro de 2026 às 00:30

Viktor Frankl
Viktor Frankl Crédito: Reprodução

Sentir falta de alguém pode provocar um vazio difícil de suportar. Depois de um término, de um afastamento ou de uma perda, é comum procurar maneiras de preencher rapidamente o espaço que aquela pessoa ocupava. Novas relações, compromissos e distrações podem surgir como tentativas de fazer a ausência desaparecer.

Mas nem todo vazio precisa ser ocupado imediatamente.

Viktor Frankl sobreviveu a campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial por Reprodução

A reflexão inspirada na obra de Viktor Frankl ajuda a olhar para esses períodos por outra perspectiva. Fundador da Logoterapia, o psiquiatra austríaco colocou a busca por sentido no centro de sua compreensão sobre a existência humana. Para ele, encontrar significado para a própria vida não depende exclusivamente de uma única pessoa ou circunstância.

Isso não significa que os vínculos sejam pouco importantes. Amar, construir relações e compartilhar a vida podem ser fontes profundas de sentido. O problema aparece quando outra pessoa se transforma na única razão pela qual conseguimos nos sentir completos.

Nesse cenário, qualquer ausência pode parecer insuportável. Um término não representa apenas o fim de uma relação, mas a sensação de que, sem aquela pessoa, já não sabemos o que fazer, desejar ou esperar do futuro.

É justamente nesses momentos que o vazio pode revelar algo importante.

Talvez existam projetos abandonados, amizades esquecidas, interesses que ficaram em segundo plano ou partes da própria identidade que foram deixadas de lado enquanto a vida girava em torno de alguém. A ausência pode criar um silêncio desconfortável, mas também pode abrir espaço para escutar novamente desejos que estavam esquecidos.

Preencher esse espaço imediatamente com outra pessoa pode aliviar a solidão, mas nem sempre responde àquilo que está por trás dela. Às vezes, é preciso suportar algum tempo sem respostas para descobrir o que ainda consegue despertar interesse, propósito e vontade de seguir adiante.

Isso não significa aprender a não precisar de ninguém. Somos seres de vínculos, e precisar de afeto e companhia faz parte da experiência humana. A questão é não entregar a uma única relação toda a responsabilidade de fazer a própria existência valer a pena.

Algumas ausências deixam feridas. Outras também deixam perguntas.

E talvez uma das mais importantes seja descobrir quem somos e o que ainda dá sentido à nossa vida quando aquela pessoa que parecia ocupar todo o espaço já não está mais ali.