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Fernanda Varela
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 00:30
Sentir falta de alguém pode provocar um vazio difícil de suportar. Depois de um término, de um afastamento ou de uma perda, é comum procurar maneiras de preencher rapidamente o espaço que aquela pessoa ocupava. Novas relações, compromissos e distrações podem surgir como tentativas de fazer a ausência desaparecer.>
Mas nem todo vazio precisa ser ocupado imediatamente.>
8 curiosidades sobre Viktor Frankl
A reflexão inspirada na obra de Viktor Frankl ajuda a olhar para esses períodos por outra perspectiva. Fundador da Logoterapia, o psiquiatra austríaco colocou a busca por sentido no centro de sua compreensão sobre a existência humana. Para ele, encontrar significado para a própria vida não depende exclusivamente de uma única pessoa ou circunstância.>
Isso não significa que os vínculos sejam pouco importantes. Amar, construir relações e compartilhar a vida podem ser fontes profundas de sentido. O problema aparece quando outra pessoa se transforma na única razão pela qual conseguimos nos sentir completos.>
Nesse cenário, qualquer ausência pode parecer insuportável. Um término não representa apenas o fim de uma relação, mas a sensação de que, sem aquela pessoa, já não sabemos o que fazer, desejar ou esperar do futuro.>
É justamente nesses momentos que o vazio pode revelar algo importante.>
Talvez existam projetos abandonados, amizades esquecidas, interesses que ficaram em segundo plano ou partes da própria identidade que foram deixadas de lado enquanto a vida girava em torno de alguém. A ausência pode criar um silêncio desconfortável, mas também pode abrir espaço para escutar novamente desejos que estavam esquecidos.>
Preencher esse espaço imediatamente com outra pessoa pode aliviar a solidão, mas nem sempre responde àquilo que está por trás dela. Às vezes, é preciso suportar algum tempo sem respostas para descobrir o que ainda consegue despertar interesse, propósito e vontade de seguir adiante.>
Isso não significa aprender a não precisar de ninguém. Somos seres de vínculos, e precisar de afeto e companhia faz parte da experiência humana. A questão é não entregar a uma única relação toda a responsabilidade de fazer a própria existência valer a pena.>
Algumas ausências deixam feridas. Outras também deixam perguntas.>
E talvez uma das mais importantes seja descobrir quem somos e o que ainda dá sentido à nossa vida quando aquela pessoa que parecia ocupar todo o espaço já não está mais ali.>