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Frase do dia da Psicologia: 'O medo do desconhecido pode fazer uma situação infeliz parecer mais segura do que uma mudança que pode nos trazer felicidade' - a reflexão inspirada em Abraham Maslow

Permanecer no que já conhecemos pode trazer uma sensação de proteção, mesmo quando estamos infelizes, enquanto mudar exige enfrentar a insegurança de uma vida que ainda não sabemos como será

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 17 de setembro de 2026 às 00:30

Maslow ficou conhecido pela teoria da hierarquia das necessidades humanas, frequentemente representada pela chamada pirâmide de Maslow
Maslow ficou conhecido pela teoria da hierarquia das necessidades humanas, frequentemente representada pela chamada pirâmide de Maslow Crédito: Reprodução

Nem sempre permanecemos em uma situação porque ela nos faz bem. Às vezes, ficamos simplesmente porque já sabemos como ela funciona. Conhecemos os problemas, aprendemos a lidar com as frustrações e conseguimos prever, em alguma medida, aquilo que acontecerá amanhã. Diante disso, qualquer mudança pode parecer mais assustadora do que continuar vivendo uma realidade que já sabemos que não queremos.

A reflexão inspirada na obra de Abraham Maslow ajuda a compreender essa tensão entre segurança e crescimento. Um dos principais nomes da psicologia humanista, o psicólogo norte-americano estudou as necessidades humanas, a motivação e a autorrealização, mostrando a importância que a busca por segurança pode assumir em nossa vida.

Para Maslow, a autorrealização está relacionada ao desenvolvimento das próprias capacidades e à busca por realizar o potencial que uma pessoa possui por Reprodução

Essa necessidade é legítima. Ter estabilidade, previsibilidade e condições mínimas de proteção é fundamental. O problema aparece quando a busca por segurança começa a impedir qualquer movimento em direção a possibilidades que poderiam trazer desenvolvimento, satisfação ou uma vida mais coerente com aquilo que desejamos.

Isso pode acontecer em diferentes áreas. Uma pessoa permanece durante anos em um emprego que detesta porque teme não encontrar outro. Alguém continua em um relacionamento infeliz porque não sabe como será viver sozinho. Outra pessoa abandona repetidamente um sonho porque trocar aquilo que já possui por uma possibilidade ainda incerta parece arriscado demais.

Nessas situações, o conhecido pode adquirir uma aparência enganosa de segurança. A pessoa sabe que está infeliz, mas pelo menos conhece aquela infelicidade. Sabe como serão os dias, quais problemas enfrentará e até quais frustrações provavelmente aparecerão. O futuro, por outro lado, não oferece nenhuma dessas garantias.

É por isso que algumas pessoas conseguem listar dezenas de motivos para mudar e, ainda assim, permanecem exatamente onde estão. A dificuldade não está necessariamente em reconhecer que algo vai mal. Pode estar em aceitar que nenhuma decisão será capaz de revelar antecipadamente tudo aquilo que acontecerá depois dela.

O medo então começa a produzir adiamentos. A pessoa espera uma certeza maior, uma oportunidade perfeita ou algum sinal de que a mudança dará certo. Enquanto isso, meses e anos podem passar sem que a situação realmente se transforme.

Isso não significa que qualquer mudança deva ser feita impulsivamente. Abandonar um emprego, terminar uma relação ou modificar radicalmente a própria vida pode envolver questões financeiras, familiares e emocionais que precisam ser consideradas. Planejamento também é uma forma de cuidado.

Mas planejar uma mudança é diferente de adiá-la indefinidamente porque não existe garantia de sucesso. Em algum momento, pode ser necessário reconhecer que o futuro continuará sendo desconhecido, independentemente de quanto tempo se espere.

A obra de Maslow também permite pensar sobre o desenvolvimento do potencial humano e a autorrealização. Para crescer, muitas vezes precisamos experimentar, aprender, errar e descobrir capacidades que dificilmente apareceriam enquanto permanecemos apenas naquilo que já dominamos.

Talvez por isso certas situações sejam tão difíceis de abandonar. Elas não são necessariamente confortáveis, mas são familiares. E o familiar pode parecer menos ameaçador do que uma possibilidade que ainda não possui forma.

A pergunta importante não é apenas se existe medo de mudar. É também perceber o que permanecer está custando. A segurança de hoje pode significar abrir mão de experiências, oportunidades e versões de nós mesmos que só poderiam surgir depois de algum movimento.

Nem sempre saberemos onde uma mudança vai terminar. Mas permanecer no mesmo lugar também conduz a algum destino. E, quando já sabemos que aquele lugar nos faz infelizes, talvez o desconhecido não seja o único risco que mereça ser considerado.