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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 2 de setembro de 2026 às 08:29
Durante seis dias, uma parte do fundo do Oceano Índico se moveu cerca de 4,2 metros. Debaixo dela, um reservatório de magma começou a vazar. Nas duas semanas seguintes, aproximadamente 160 milhões de metros cúbicos de lava chegaram ao leito marinho.>
O episódio foi tão rápido que permitiu a cientistas acompanhar diretamente um processo que normalmente demora milhares ou milhões de anos: o nascimento de nova crosta oceânica enquanto duas placas tectônicas se afastam.>
Divisão oceânica
Dorsais meso-oceânicas são imensas cadeias montanhosas submarinas. Nelas, placas tectônicas se afastam, magma sobe do interior da Terra e, ao esfriar, transforma-se em novas cadeias no fundo do oceano.>
Esse mecanismo criou cerca de dois terços da superfície terrestre ao longo de uma rede de dorsais que soma aproximadamente 65 mil quilômetros, mas observá-lo diretamente debaixo de quilômetros de água continua sendo difícil.>
Foi justamente essa dificuldade que tornou o episódio registrado em abril de 2024 pela equipe liderada pelo geofísico Jean-Yves Royer incomum. Mais de 20 instrumentos acompanhavam terremotos, pressão e distâncias entre pontos específicos do leito marinho.>
Quando a crise começou, os equipamentos registraram uma mudança que deveria ser medida em centímetros, surgindo em escala de metros. O movimento chegou ao pico de aproximadamente 5 centímetros por minuto logo após os terremotos. >
Uma semana depois, havia desacelerado para cerca de 1,2 centímetro por dia.>
A interpretação dos pesquisadores aponta para um reservatório de magma com cerca de 2,5 quilômetros de largura, localizado aproximadamente 3,6 quilômetros abaixo da crosta.>
Quando esse reservatório começou a perder magma, o terreno acima dele cedeu. O fundo do vale da dorsal sofreu aproximadamente 4 metros de subsidência, enquanto lados opostos da estrutura também se afastaram horizontalmente em mais de um metro.>
Ao mesmo tempo, o magma avançou por fraturas da crosta até alcançar o leito oceânico. A estimativa apresentada no estudo é de aproximadamente 160 milhões de metros cúbicos de lava expelidos em cerca de 16 dias que já formaram novas cadeias submersas.>