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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 9 de junho de 2026 às 15:15
Devoradores de Estrelas, novo filme protagonizado por Ryan Gosling, alcançou quase US$ 700 milhões de bilheteria e se consolidou como um dos maiores filmes do ano. A trama acompanha os astrofágicos, microrganismos que passam a se alimentar da radiação do Sol. Na vida real, existe algo levemente parecido: os fungos radiotróficos. >
Esses organismos curiosos ficaram associados a uma emergência radioativa: o desastre na Unidade 4 da Usina Nuclear de Chernobyl. Um estudo publicado na PLOS ONE levantou a existência de fungos melanizados capazes de prosperar em ambientes com radiação ionizante, onde muitos seres vivos adoecem ou morrem.>
Fungos devoradores de radiação
Na ficção, os astrofágicos usam a radiação solar para se reproduzir. Na realidade, os fungos radiotróficos utilizam a melanina para lidar com a radiação ionizante presente em ambientes como Chernobyl. Esse é o mesmo pigmento associado à proteção da pele humana contra raios UV e aos tons de pele mais escuros.>
Também chamados de fungos melanizados, eles incluem espécies como Cryptococcus neoformans, Wangiella/Exophiala dermatitidis, Cladosporium sphaerospermum e Cladosporium cladosporioides.>
Assim como a clorofila ajuda as plantas a captar radiação solar para a fotossíntese, a melanina parece participar da transdução de energia em ambientes radioativos. No entanto, os mecanismos bioquímicos dessa possível radiossíntese ainda não estão totalmente esclarecidos, segundo o artigo.>
O contato científico com esses fungos em Chernobyl ganhou força em uma missão de pesquisa liderada pela microbiologista Nelli Zhdanova, da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia. O objetivo era investigar formas de vida ao redor do reator destruído, no coração da zona de exclusão. >
O trabalho resultou no catálogo de dezenas de espécies de fungos.>
Na prática, a melanina presente na parede do fungo recebe o impacto da radiação ionizante e tem suas propriedades eletrônicas alteradas. Isso parece facilitar a circulação de elétrons, etapa importante para reações químicas ligadas ao metabolismo.>
Com essa “ajuda” extra, algumas espécies melanizadas podem crescer mais, formar mais biomassa e aproveitar melhor nutrientes escassos em ambientes extremos, como áreas contaminadas por radiação. Ainda assim, esses fungos não vivem apenas de radiação: eles continuam precisando de matéria orgânica.>
A diferença em relação à fotossíntese é que esse mecanismo ainda tem muitas lacunas. Os estudos mostram ganho metabólico, alterações em genes e mudanças na divisão celular sob radiação, mas ainda não existe uma “receita” bioquímica fechada para a radiossíntese.>
Embora os “astrofágicos” da vida real não sejam alienígenas nem devorem estrelas, o Sol já tem um fim previsto pela astrofísica. Em cerca de 5 bilhões de anos, ele deixará sua fase atual e começará a se transformar em uma gigante vermelha.>
Uma previsão clássica de 1993, feita por Sackmann, Boothroyd e Kraemer, aponta que, nesse período, o hidrogênio disponível para a fusão no núcleo solar se esgotará. Com isso, a estrela entrará em novas fases de evolução, que levarão à expansão de suas camadas externas.>
Esse processo fará o Sol crescer drasticamente. Ele poderá engolir Mercúrio e Vênus, e talvez até a Terra. Depois, em fases mais avançadas, passará a fundir hélio e produzirá principalmente carbono e oxigênio.>
Mais tarde, o Sol perderá suas camadas externas em grandes ejeções de gás e poeira. Esse material expelido formará uma nebulosa planetária. >
No centro, restará apenas o núcleo extremamente denso da estrela: uma anã branca, com tamanho aproximado ao da Terra e massa comparável à do Sol.>
Essa será a última grande etapa da vida solar. Sem fusão nuclear ativa, a anã branca continuará brilhando apenas pelo calor residual e entrará em um lento processo de resfriamento, que deve durar bilhões de anos.>