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Geração Z, que hoje sofre com o custo do aluguel e salários mais baixos, pode se tornar a mais rica da história até 2035

Jovens enfrentam moradia cara e custo de vida elevado, mas projeções apontam uma mudança radical na riqueza das próximas décadas.

  • Foto do(a) author(a) Kaíky Almeida
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Kaíky Almeida

  • Agência Correio

Publicado em 1 de setembro de 2026 às 17:01

Geração Z pode passar por uma transformação financeira nas próximas décadas, impulsionada pela transferência de patrimônio entre gerações.
Geração Z pode passar por uma transformação financeira nas próximas décadas, impulsionada pela transferência de patrimônio entre gerações. Crédito: Reprodução/Wikimedia Commons

Para muitos jovens da Geração Z, conquistar independência financeira parece distante. Comprar uma casa ficou mais difícil, o aluguel pesa no orçamento e o custo de vida limita escolhas. Ao mesmo tempo, uma projeção econômica aponta para um cenário bem diferente nas próximas décadas.

Segundo dados analisados pelo Bank of America, a riqueza global da Geração Z pode saltar de US$ 9 trilhões atualmente para US$ 36 trilhões até 2030. Em 2040, a estimativa chega a US$ 74 trilhões.

A mudança tem relação principalmente com uma transferência de patrimônio entre gerações, fenômeno que pode colocar os jovens em uma posição econômica muito diferente da que ocupam hoje.

Riqueza pode crescer rápido

Os números ajudam a dimensionar a transformação. O levantamento citado pela matéria aponta que a Geração Z já acumulou cerca de US$ 9 trilhões nos últimos dois anos.

A projeção, porém, indica uma aceleração expressiva. Em apenas cinco anos, o patrimônio global do grupo poderia quadruplicar e chegar a US$ 36 trilhões.

Enquanto enfrenta dificuldades para comprar imóveis, a Geração Z pode se tornar uma das principais forças econômicas do futuro. por Reprodução/Wikimedia Commons

Depois, o crescimento continuaria. Para 2040, o Bank of America estima uma riqueza de US$ 74 trilhões para essa geração.

A instituição também projeta que, até 2035, a Geração Z represente cerca de 30% da população mundial e se torne uma das principais forças econômicas do planeta.

O papel das heranças

O principal elemento por trás dessa possível virada é a chamada Grande Transferência de Riqueza.

De acordo com os dados apresentados, cerca de US$ 84 trilhões devem passar das gerações mais velhas para as mais jovens até 2045 na forma de heranças. A maior parte desse patrimônio deve chegar às mãos da Geração X e dos Millennials, mas 38% da Geração Z também receberia uma parcela desse dinheiro.

A entrada desse patrimônio pode alterar o peso econômico de uma geração que hoje enfrenta justamente o problema oposto: dificuldade para acumular dinheiro.

Contraste com a vida atual

O cenário projetado contrasta com as dificuldades enfrentadas atualmente por muitos jovens.

A matéria aponta que a Geração Z precisa de 146% do salário mínimo para sobreviver, enquanto os preços de imóveis e aluguéis dificultam a formação de patrimônio próprio.

Nesse contexto, despesas menores e experiências pessoais acabam ocupando espaço nas escolhas financeiras. Viagens, compras pela internet e outros pequenos luxos aparecem como formas de consumo possíveis diante de objetivos maiores que parecem mais distantes.

Essa relação com o dinheiro pode ganhar outra dimensão caso a transferência de patrimônio prevista realmente aconteça.

Uma geração com outro poder

O impacto não ficaria restrito às contas bancárias. O aumento da riqueza pode transformar também a maneira como a Geração Z consome e influencia mercados.

O estudo citado pelo Bank of America prevê que esse grupo terá um papel relevante na economia, nos mercados e nos sistemas sociais. Com mais patrimônio disponível, seus hábitos de consumo podem ganhar uma influência ainda maior.

Existe, portanto, um contraste marcante no horizonte: a geração que hoje enfrenta dificuldades para pagar aluguel pode assumir uma posição econômica inédita nas próximas décadas.

O ponto central da projeção não está apenas no dinheiro que a Geração Z poderá acumular pelo próprio trabalho, mas no patrimônio que deve mudar de mãos ao longo dos próximos anos.

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