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Felipe Sena
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 18:31
O tema do Met 2027 já tinha sido divulgado: John Galliano. O estilista britânico seria homenageado no evento beneficente que é um verdadeiro desfile de moda. >
Conhecido por criações criativas e artísticas, o estilista decidiu recusar ser o tema da exposição do evento, um mês após o anúncio feito pela organização do evento.>
Met Gala 2026
A mostra abrangeria peças de vestuário, acessórios, esboços, protótipos, livros de pesquisa e materiais de arquivo que se estendem pela carreira do estilista, desde a coleção de formatura “Les Incroyables”, na Central Saint Martins, em 1984, até seu último desfile para a Maison Margiela, passando pelos trabalhos com as grifes Givenchy e Dior.>
Galliano fez uma publicação no Instagram nesta segunda-feira (31), justificando sua decisão. "Sou profundamente grato ao Metropolitan Museum of Art, e em particular a Max Hollein, Andrew Bolton e Anna Wintour, pela extraordinária honra de proporem uma exposição dedicada ao meu trabalho. Ter minha trajetória criativa considerada por uma instituição que admirei ao longo da minha vida me emocionou profundamente. Serei eternamente grato pela confiança, cuidado e erudição que Max, Andrew, Anna e toda a equipe do MET dedicaram a este projeto”.>
O nome de Galliano virou motivo de críticas nas redes sociais, ao recordarem polêmicas do estilista. Em um vídeo gravado em dezembro de 2010 e divulgado em fevereiro de 2011, o estilista atacou frequentadores de um bar com ofensas antissemitas e elogios ao ditador Adolf Hitler.>
Na época, Galliano foi demitido da grife Dior em que trabalhava desde 1996, repudiando suas declarações. Galliano foi a julgamento na França, ainda em 2011. No tribunal, o estilista alegou dependência de álcool e medicamentos, e foi condenado a pagar uma multa de 6 mil euros.>
“Após muita reflexão e discussão com o MET e todos os envolvidos, decidi, com grande tristeza, que o melhor é que a exposição não aconteça neste momento. Permaneço totalmente responsável pela dor causada pelas minhas palavras no passado, particularmente pela mágoa que causei às comunidades judaica e asiática, e continuo profundamente arrependido. Compreendo que uma reparação significativa não se alcança por meio de uma exposição, reconhecimento institucional ou um único gesto público. É uma responsabilidade contínua, demonstrada por meio da escuta, do aprendizado e da conduta ao longo do tempo”, escreveu Galliano.>
O estilista ainda abriu o coração sobre sua recuperação da dependência. "Não quero que o debate em torno de mim coloque o MET em uma posição difícil ou desvia a atenção do trabalho notável do Costume Institute. Também reconheço e respeito que uma exposição em homenagem ao meu trabalho seria dolorosa para alguns. Gostaria também de expressar minha mais profunda gratidão a todos aqueles que me guiaram, apoiaram e acompanharam ao longo desses 15 anos de sobriedade e recuperação do alcoolismo e da dependência. Sua sabedoria, paciência e humanidade me ajudaram mais do que eu jamais poderei expressar adequadamente. Permaneço profundamente grato por vocês me darem, como prometeram, uma vida melhor do que eu jamais poderia ter sonhado. Minha gratidão ao MET, a Max, Andrew e Anna permanece profunda e duradoura. Sua generosidade, humanidade e crença na importância da moda como arte, cultura e história, bem como sua compreensão da fragilidade humana e da possibilidade de crescimento, permanecerão comigo para sempre”.>
Segundo a Quem, Max Hollein, diretor e CEO do Metropolitan Museum of Art, concordou com a decisão. "Após uma discussão ponderada com John Galliano e várias partes interessadas, concordo com a decisão de John de que este não é o momento certo para esta exposição".>
Em comunicado, Anna Wintour disse que a decisão de Galliano é “corajosa e demonstra o caráter” do estilista. “Acredito que esta seja a decisão correta, e tanto ele quanto o Museu têm meu total apoio. Sua imaginação fértil, alimentada por uma vida inteira de curiosidade e pesquisa, é equiparada à sua excepcional habilidade. Corte, caimento, a linha evocativa de um vestido cortado no viés, cor — ele é mestre em tudo isso. Sem um ou outro, se sua técnica não fosse à altura de seu talento para contar histórias, ele não seria o principal estilista de sua geração. Mas ele certamente é. Desde o feito teatral com orçamento apertado que foi seu desfile de Outono de 1994 no Hotel Particulier São Schlumberger em Paris até seu magistral canto do cisne na Maison Margiela Artisanal para a Primavera de 2024, Galliano presenteou a moda com seus desfiles mais maravilhosos. Assim como Christian Dior chamou Cristóbal Balenciaga de “o mestre de todos nós”, uma geração de Os estilistas sempre consideraram Galliano o maior de todos. Seu impacto reverbera por gerações, principalmente no atual diretor criativo da Dior, Jonathan Anderson, que o considera um de seus heróis".>
Novas informações sobre uma nova exposição de primavera do Costume Institute e o Met Gala de 2027 serão anunciadas posteriormente pela organização do evento.>