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Olha o celular assim que acorda? Veja o que esse hábito pode fazer com o seu cérebro

Psicólogos alertam que o hábito de olhar notificações logo nos primeiros minutos da manhã pode elevar o estresse, prejudicar a concentração e reforçar a dependência do smartphone

  • Foto do(a) author(a) Fernanda Varela
  • Fernanda Varela

Publicado em 9 de junho de 2026 às 11:42

Vício em celular
Vício em celular Crédito: Imagem gerada por IA

Para muita gente, a primeira ação do dia é pegar o celular e conferir mensagens, redes sociais ou notícias. Embora pareça uma atitude inofensiva e já incorporada à rotina de milhões de pessoas, especialistas em psicologia alertam que esse comportamento pode provocar impactos no cérebro logo nos primeiros instantes após o despertar.

Com a popularização dos smartphones, os aparelhos passaram a desempenhar múltiplas funções no cotidiano. Além de servir como despertador, eles concentram ferramentas de comunicação, entretenimento e informação. Essa presença constante fez com que muitas pessoas passassem a dormir com o celular ao lado da cama e a consultá-lo imediatamente ao abrir os olhos.

No caso da Apple, os modelos afetados incluem o iPhone 5, iPhone 5c, iPhone 5s, mas não só. por Shutterstock

Segundo Alfredo Rodríguez-Muñoz, professor de Psicologia da Universidade Complutense de Madri, em entrevista ao O Globo, o hábito interfere diretamente no sistema nervoso. Ao acessar notificações, mensagens ou notícias logo após acordar, o cérebro deixa rapidamente um estado de recuperação para entrar em modo de alerta.

De acordo com o especialista, o contato imediato com conteúdos negativos ou demandas acumuladas pode desencadear uma resposta de estresse logo no início da manhã. O efeito tende a influenciar o humor e a disposição ao longo do restante do dia.

A psicóloga Laura Fuster, na mesma reportagem, observa que esse comportamento também pode estar relacionado à impulsividade. Na avaliação dela, muitas pessoas sentem dificuldade em resistir à curiosidade de descobrir o que aconteceu enquanto dormiam ou verificar se receberam mensagens durante a madrugada.

Esse perfil, segundo a especialista, costuma apresentar mais dificuldade para controlar impulsos, mesmo quando já conhece os possíveis efeitos negativos da atitude. Em alguns casos, a prática pode ser acompanhada por sentimentos de culpa e por dificuldades para administrar emoções intensas.

Além dos aspectos comportamentais, pesquisas também apontam reflexos na saúde mental. Um estudo publicado na revista Behavioral Neuroscience identificou que pessoas que consultam o celular nos primeiros 15 minutos após acordar tendem a apresentar níveis mais elevados de ansiedade e mais dificuldade para manter o foco nas tarefas planejadas para o dia.

Rodríguez-Muñoz afirma que o contato imediato com o smartphone pode gerar uma sensação constante de urgência, sobrecarga mental e desgaste psicológico. A impressão é de permanecer permanentemente em estado de vigilância, sem momentos de pausa.

Quando esse padrão se mantém por longos períodos, os especialistas alertam para possíveis consequências como irritabilidade, dificuldade para relaxar e a sensação persistente de viver sob pressão e excesso de estímulos.