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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 24 de maio de 2026 às 11:11
De acordo com o Estudo Global da Carga de Doenças, mais de 1 milhão de pessoas sofrem amputações todos os anos. Agora, imagine poder regenerar todos esses membros perdidos. Essa é a proposta de um novo estudo com animais da Wake Forest University. >
Os pesquisadores buscam encontrar genes específicos ligados à regeneração em alguns animais, como axolotes e peixes-zebra, e criar uma terapia gênica para tentar aplicar esse conhecimento em humanos. Os resultados iniciais do estudo são otimistas.>
Animais com capacidades regenerativas impressionantes
Os pesquisadores avaliaram três animais na busca pelos “genes regenerativos”. As cobaias incluem axolotes, peixes-zebra e camundongos. Os dois primeiros conseguem regenerar até estruturas muito sensíveis, como partes do coração e da medula, além de membros inteiros.>
Apesar de existirem animais com capacidades regenerativas ainda mais impressionantes, como planárias e hidras, foram escolhidos apenas vertebrados. Pois, apenas com este grupo seria possível avaliar a regeneração de ossos.>
Após análises da epiderme dos animais lesionados em regeneração, os pesquisadores encontraram a expressão de dois genes: SP6 e SP8. O segundo se mostrou crucial para a capacidade de regenerar membros nos axolotes.>
Usando a tecnologia de edição genética CRISPR, a equipe de Currie removeu o SP8 do genoma do axolote. Com esse gene extraído, eles formularam o FGF8, uma molécula sinalizadora que serviria como terapia gênica para induzir a regeneração.>
A terapia gênica tem como objetivo alterar o próprio DNA da pessoa que a recebe. Dessa forma, o FGF8 teria como função fazer com que o corpo conseguisse produzir o gene SP8 para regenerar seus membros, assim como os axolotes.>
Para levar esse gene ao DNA do novo hospedeiro, são utilizados vírus modificados geneticamente. Esses organismos, especializados em infectar células, são usados para se infiltrar nas células desejadas, mas, em vez de instalar uma doença, as infectam com os genes desejados na terapia.>
As primeiras cobaias do FGF8 foram camundongos com amputações totais ou parciais. O desempenho regenerativo foi positivo, com boa restauração óssea e algumas outras funções recuperadas que eles não eram capazes de exercer antes da implantação dos genes SP.>
Os pesquisadores alertam que o trabalho ainda está em fase inicial e que serão necessários muito mais estudos antes que as descobertas em ratos possam ser traduzidas em terapias para humanos.>
Josh Currie
Coautor do estudo, em comunicado da universidade