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Pesquisadores encontraram genes animais que serão utilizados para a regenerar membros inteiros de humanos

Estudo avalia a implementação de genes ligados ao processo regenerativo em outros seres por meio de vírus geneticamente modificados

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 24 de maio de 2026 às 11:11

Processo de cura é amplamente fantasiado em filmes, quadrinhos e séries, mas ele pode estar um passo mais próximo da realidade
Processo de cura é amplamente fantasiado em filmes, quadrinhos e séries, mas ele pode estar um passo mais próximo da realidade Crédito: Reprodução / YouTube / NOW Scifi

De acordo com o Estudo Global da Carga de Doenças, mais de 1 milhão de pessoas sofrem amputações todos os anos. Agora, imagine poder regenerar todos esses membros perdidos. Essa é a proposta de um novo estudo com animais da Wake Forest University.

Os pesquisadores buscam encontrar genes específicos ligados à regeneração em alguns animais, como axolotes e peixes-zebra, e criar uma terapia gênica para tentar aplicar esse conhecimento em humanos. Os resultados iniciais do estudo são otimistas.

Axolote pode regenerar membros, cauda, medula espinhal e partes do coração por Berniedup / Wikimedia Commons

Método do estudo

Os pesquisadores avaliaram três animais na busca pelos “genes regenerativos”. As cobaias incluem axolotes, peixes-zebra e camundongos. Os dois primeiros conseguem regenerar até estruturas muito sensíveis, como partes do coração e da medula, além de membros inteiros.

Os ratos, por sua vez, foram escolhidos por suas semelhanças anatômicas e regenerativas com os seres humanos
Os ratos, por sua vez, foram escolhidos por suas semelhanças anatômicas e regenerativas com os seres humanos Crédito: Choco Virat / Pexels

Apesar de existirem animais com capacidades regenerativas ainda mais impressionantes, como planárias e hidras, foram escolhidos apenas vertebrados. Pois, apenas com este grupo seria possível avaliar a regeneração de ossos.

Após análises da epiderme dos animais lesionados em regeneração, os pesquisadores encontraram a expressão de dois genes: SP6 e SP8. O segundo se mostrou crucial para a capacidade de regenerar membros nos axolotes.

Ao isolar o SP8 dos espécimes, tanto os axolotes quanto os camundongos se tornaram incapazes de completar a regeneração dos ossos
Ao isolar o SP8 dos espécimes, tanto os axolotes quanto os camundongos se tornaram incapazes de completar a regeneração dos ossos Crédito: Artem Lysenko / Pexels

Usando a tecnologia de edição genética CRISPR, a equipe de Currie removeu o SP8 do genoma do axolote. Com esse gene extraído, eles formularam o FGF8, uma molécula sinalizadora que serviria como terapia gênica para induzir a regeneração.

Como isso funciona?

A terapia gênica tem como objetivo alterar o próprio DNA da pessoa que a recebe. Dessa forma, o FGF8 teria como função fazer com que o corpo conseguisse produzir o gene SP8 para regenerar seus membros, assim como os axolotes.

Para levar esse gene ao DNA do novo hospedeiro, são utilizados vírus modificados geneticamente. Esses organismos, especializados em infectar células, são usados para se infiltrar nas células desejadas, mas, em vez de instalar uma doença, as infectam com os genes desejados na terapia.

Um exemplo é a Carvykti, terapia gênica feita com genes de camelos e dromedários, usada para tratar câncer de sangue: o mieloma múltiplo
Um exemplo é a Carvykti, terapia gênica feita com genes de camelos e dromedários, usada para tratar câncer de sangue: o mieloma múltiplo Crédito: Luis Gerardo Mireles / Pexels

As primeiras cobaias do FGF8 foram camundongos com amputações totais ou parciais. O desempenho regenerativo foi positivo, com boa restauração óssea e algumas outras funções recuperadas que eles não eram capazes de exercer antes da implantação dos genes SP.

Mas e agora?

Os pesquisadores alertam que o trabalho ainda está em fase inicial e que serão necessários muito mais estudos antes que as descobertas em ratos possam ser traduzidas em terapias para humanos.

“Os cientistas estão buscando diversas soluções para substituir membros, incluindo estruturas bioengenheiradas e terapias com células-tronco. A abordagem de terapia gênica neste estudo é uma nova via que pode complementar e potencialmente ampliar o que certamente será uma solução multidisciplinar para um dia regenerar membros humanos.”

Josh Currie

Coautor do estudo, em comunicado da universidade

Tags:

Saúde Pesquisa Animais Medicina Tecnologia