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Juliana Matias
Agência Correio
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 11:17
Santos e Guarujá, no litoral paulista, vão ganhar o primeiro túnel imerso do Brasil: uma passagem de cerca de 1,5 km, com 870 metros submersos no canal do Porto de Santos, que promete reduzir a travessia de 50 minutos para menos de cinco. A obra, estimada em R$ 6,8 bilhões, ganha escala em 2027 e tem operação prevista para 2031, segundo a concessionária. >
Popularmente, o projeto é chamado de túnel "debaixo do mar". Tecnicamente, a estrutura ficará sob o canal do estuário, por onde circulam os navios do maior porto do país. Hoje, quem faz esse trajeto depende das balsas ou de um desvio rodoviário bem mais longo. >
Santos, no litoral de São Paulo
Em vez de escavar o fundo com máquinas gigantes, a concessionária vai fabricar módulos de concreto em uma doca seca. Depois de prontos e testados, eles serão colocados para flutuar e rebocados até o canal. >
No local, cada peça será afundada de forma controlada sobre uma trincheira aberta no leito e encaixada na seguinte. No fim, areia e pedras protegerão a estrutura. Enquanto os carros passam por dentro, os navios seguem circulando por cima. >
O túnel terá seis faixas, três por sentido, e uma delas poderá ser adaptada no futuro para o VLT. Haverá ainda espaços para pedestres e ciclistas. >
Não diretamente. A estrutura não será construída sobre a rodovia nem desembocará nela. A conexão acontece pelo sistema viário do lado do Guarujá, que ganhará um novo acesso de cerca de 2 km à Rodovia Cônego Domênico Rangoni (SPA-248/055). >
Essa rodovia integra o corredor que se liga à Rio-Santos (BR-101/SP-055), em direção ao Litoral Norte paulista. Ou seja: o motorista chegará à BR-101 pelo caminho já existente, mas com a travessia do canal muito mais rápida. >
O projeto avançou depois que a Mota-Engil venceu o leilão, em 5 de setembro de 2025, com concessão de 30 anos para implantar, operar e manter o túnel. Recursos da União e do Estado de São Paulo compõem parte do investimento, ao lado da iniciativa privada. Em 7 de julho de 2026, a TSG Concessionária assinou o termo que deu início à contagem dos prazos do contrato. >
A obra ainda não está dentro d'água. O ano de 2026 é dedicado a projetos, estudos complementares e licenciamentos ambientais. O cronograma prevê canteiros e doca seca em 2027, fabricação das peças e dragagem em 2028, imersão dos módulos em 2029 e acabamentos e testes em 2030.>
Se os prazos forem mantidos, a operação começa em 2031. Depois de décadas de debate sobre uma ligação fixa entre as duas margens, a promessa é que os motoristas cruzem em menos de cinco minutos o canal por onde passam os navios. Cumprido o cronograma, a Baixada Santista entrará na próxima década com uma mudança histórica na mobilidade e nos acessos ao porto.>