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Luiz Dias
Agência Correio
Publicado em 30 de junho de 2026 às 07:48
A guerra da Ucrânia virou um laboratório da robótica aplicada ao setor bélico. Drones aéreos, robôs terrestres, veículos navais não tripulados e até humanoides sintéticos passaram a disputar espaço em um campo de batalha cada vez mais automatizado.>
Apesar de a realidade ainda não ter alcançado a ficção, como aquela dos filmes Robocop e Eu, Robô, está caminhando para isso. A guerra que se prolonga desde 2022 está testando mão de obra robótica em meio à falta de soldados.>
Cronologia dos robôs humanoides
Depois dos drones aéreos, os robôs terrestres foram alguns dos equipamentos que mais ganharam destaque. Eles são conhecidos como UGVs, sigla em inglês para veículos terrestres não tripulados, e já aparecem em várias funções no front ucraniano.>
Em 2026, a Ucrânia contratou 25 mil robôs terrestres no primeiro semestre do ano, mais que o dobro do total adquirido durante todo o ano anterior. A meta divulgada por autoridades ucranianas é chegar a 50 mil unidades até o fim do ano. >
Entre os modelos mais chamativos estão robôs terrestres armados, tratados como “mini-tanques”. Eles podem carregar metralhadoras, lançadores de granadas ou torres remotas controladas à distância.>
Apesar de inferiores em capacidade bélica ou de blindagem, essas plataformas podem ser operadas remotamente, enquanto avançam pelo front carregando armamento pesado. Com isso, um sistema que antes poderia ficar fixo em um tripé ganha mobilidade para atuar em florestas, estradas, trincheiras ou áreas urbanas.>
Um dos principais usos mira grupos de infiltração. É comum que pequenas equipes russas tentem atravessar linhas ucranianas sem chamar atenção. Robôs móveis armados podem patrulhar ou responder sem expor imediatamente soldados humanos.>
O elemento mais futurista dessa transformação é o robô humanoide. O Phantom MK-1, produzido pela startup americana Foundation, foi enviado para testes na Ucrânia e chamou atenção por se assemelhar a um soldado robótico.>
Segundo a própria empresa, os humanoides podem ocupar nichos que robôs terrestres sobre rodas e drones não são capazes. Dentre as tarefas estariam se infiltrar em prédios, arrombar portas e usar ferramentas complexas.>
Os testes ficaram focados em logística, como buscar suprimentos em áreas perigosas, e não em combate direto ainda. Segundo a Business Insider, a startup afirma ter um contrato de US$ 24 milhões com o Pentágono. >
Os drones FPV se tornaram uma das principais marcas da guerra na Ucrânia. Baratos, pequenos e difíceis de detectar, eles passaram a atacar tanto veículos e soldados em trincheiras como a realizar ataques massivos contra grandes cidades.>
A força desses equipamentos está na combinação de baixo custo e precisão. Um drone relativamente barato pode destruir ou danificar equipamentos muito mais caros, mudando o cálculo econômico do campo de batalha.>
Além dos FPV, a Ucrânia também usa drones de reconhecimento e modelos de longo alcance. Esses sistemas ajudam a observar movimentos russos, corrigir artilharia e atingir alvos longe da linha de frente.>
A robótica militar ucraniana não ficou restrita ao ar e à terra. Drones navais também ganharam importância no Mar Negro, onde embarcações não tripuladas passaram a ser usadas contra navios, portos e infraestrutura militar.>
Esses veículos podem operar como lanchas explosivas, plataformas de reconhecimento ou sistemas armados. A principal vantagem é atacar no mar sem arriscar tripulações, especialmente contra alvos protegidos por defesas convencionais.>
O impacto estratégico é grande porque a Ucrânia não possui uma marinha convencional do mesmo tamanho da russa. Com drones navais, o país encontrou uma forma assimétrica de ameaçar ativos muito mais caros.>
A Ucrânia passou a tratar robôs como parte de uma doutrina de guerra, não apenas como equipamentos. Em abril de 2026, o Ministério da Defesa apresentou a “Drone Line”, projeto para criar um sistema unificado de uso de máquinas não tripuladas no front.>
O objetivo é formar uma zona de ataque em profundidade, com drones identificando e atingindo alvos antes que soldados se aproximem das posições ucranianas. Segundo o ministério, esse modelo busca preservar vidas e ampliar o alcance das tropas a 10 km ou 15 km da linha de contato.>
Para acelerar essa mudança, a Ucrânia planejou contratar 25 mil drones terrestres no primeiro semestre de 2026, o dobro de todo o volume de 2025. O país também criou mecanismos para que unidades troquem pontos de combate por unidades automatizadas.>