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Robôs que correm e dão mortais viram febre entre investidores, fazem sucesso na Bolsa, e colocam China no centro da corrida da IA

Oferta da Unitree atraiu uma procura milhares de vezes superior às ações disponíveis e transformou humanoides em nova obsessão dos investidores

  • Foto do(a) author(a) Luiz Dias
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Luiz Dias

  • Agência Correio

Publicado em 16 de agosto de 2026 às 19:37

Depois dos chatbots, mercado volta os olhos para a “IA física”, tecnologia que pretende colocar inteligência artificial em máquinas capazes de agir no mundo real
Depois dos chatbots, mercado volta os olhos para a “IA física”, tecnologia que pretende colocar inteligência artificial em máquinas capazes de agir no mundo real Crédito: Reprodução / YouTube / Unitree Robotics

Antes mesmo de uma única ação começar a ser negociada, a Unitree já virou um dos IPOs mais disputados da China. A fabricante dos robôs que correm, dançam e fazem artes marciais recebeu uma procura que chegou a 8 mil vezes a oferta inicial ao varejo.

A operação prevê a venda de cerca de 40,4 milhões de ações por 150,80 yuans cada, equivalentes a 10% do capital após a oferta. A empresa levantou cerca de 6,1 bilhões de yuans, perto de US$ 900 milhões, e foi avaliada em quase US$ 9 bilhões na oferta.

1495 — Leonardo da Vinci já imaginava um cavaleiro mecânico capaz de reproduzir movimentos humanos, antecipando em séculos a ideia dos robôs humanoides por Erik Möller / Wikimedia Commons

Antes da estreia

A estreia na STAR Market, segmento tecnológico da Bolsa de Xangai, ainda não havia ocorrido nesta sexta-feira (14). A Unitree será pioneira entre humanoides no mercado continental chinês; UBTech e Dobot já são listadas em Hong Kong.

Vídeos da Unitree transformaram os robôs humanoides chineses em personagens de internet ao mostrar máquinas correndo, dançando e lutando. O H1, por exemplo, tem velocidade de deslocamento declarada de 3,3 metros por segundo.

Da tela ao mundo

Essa mistura de espetáculo e engenharia ajuda a vender uma ideia maior: a inteligência artificial está deixando de responder só em telas. A chamada IA física tenta dar percepção, raciocínio e ação a máquinas capazes de entender e alterar o ambiente em tempo real.

Na definição da Nvidia, sistemas de IA física recebem dados de câmeras, sensores, voz e outras fontes, interpretam o mundo e transformam essa informação em movimentos ou decisões. É a lógica por trás de robôs e veículos autônomos.

Unitree G1 em exposição mostra o corpo humanoide que transforma modelos de inteligência artificial em movimentos no mundo físico
Unitree G1 em exposição mostra o corpo humanoide que transforma modelos de inteligência artificial em movimentos no mundo físico Crédito: Sayanesy / Wikimedia Commons

Para investidores, humanoides juntam várias apostas: chips, modelos de IA, sensores, baterias, motores e visão computacional. A Unitree tem um ingrediente raro no setor: chegou ao IPO já lucrativa, com receita de 1,7 bilhão de yuans em 2025.

Uma das propostas da empresa também é reduzir a barreira de entrada dessa tecnologia. O R1, seu humanoide “de entrada”, parte de US$ 4.900, cerca de R$ 25,7 mil. O preço baixo não significa autonomia humana: a própria Unitree diz que o setor ainda está em fase inicial.

China já tem base

A corrida muda de escala quando aparece o mapa industrial. A Federação Internacional de Robótica calcula que a China já tenha cerca de 2 milhões de robôs industriais em operação, estoque aproximadamente 4,5 vezes maior que o do Japão.

Em 2024, 54% dos novos robôs industriais instalados no planeta foram implantados na China. Essa base ajuda o país a reunir fornecedores, fábricas e componentes num momento em que Pequim colocou a robótica entre os pilares de sua estratégia industrial.

Braços robóticos trabalham em uma linha automatizada na China, retrato da infraestrutura industrial sobre a qual avança a nova geração de humanoides
Braços robóticos trabalham em uma linha automatizada na China, retrato da infraestrutura industrial sobre a qual avança a nova geração de humanoides Crédito: Cory M. Grenier / Wikimedia Commons

O teste real

Mas fazer um humanoide dar um mortal não prova que ele consiga trabalhar oito horas numa fábrica. A Federação Internacional de Robótica diz que o próximo teste do setor será demonstrar confiabilidade e eficiência, além de segurança e produtividade consistente.

É aí que a euforia da Bolsa encontra a parte difícil da engenharia. A expansão dos humanoides nas fábricas exige máquinas capazes de perceber objetos, manter equilíbrio, manipular ferramentas e reagir a imprevistos sem transformar cada tarefa nova em meses de programação, treinamento e ajustes caros.

Tags:

Robô Economia Lançamento Tendência Tecnologia China Engenharia