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Henrique Moraes
Agência Correio
Publicado em 7 de setembro de 2026 às 06:06
Esquecer compromissos, perder objetos, adiar tarefas importantes ou começar várias atividades sem conseguir terminar. Quando esses comportamentos se repetem, é comum que sejam vistos apenas como falta de organização ou disciplina. >
Mas, em alguns casos, existe uma explicação diferente por trás desse padrão: o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).>
TDAH
Embora seja frequentemente associado à infância, o transtorno pode continuar na vida adulta. Os sintomas, porém, podem assumir formas diferentes e ficar mais difíceis de perceber conforme aumentam as responsabilidades profissionais, financeiras, familiares e sociais.>
Por isso, uma pessoa pode passar anos acreditando que é simplesmente desorganizada, distraída ou procrastinadora até perceber que determinadas dificuldades aparecem de maneira persistente em diferentes áreas da vida.>
Um dos principais equívocos sobre o TDAH é imaginar que a pessoa simplesmente não consegue prestar atenção em nada. >
Na prática, adultos com o transtorno podem ter dificuldades para regular a própria atenção, principalmente diante de tarefas longas, repetitivas ou pouco estimulantes.>
Também podem surgir problemas relacionados à organização, ao controle dos impulsos, ao gerenciamento do tempo e à conclusão de atividades. A hiperatividade, por sua vez, nem sempre aparece como alguém que não consegue ficar parado: em adultos, pode se manifestar como inquietação interna ou necessidade constante de estar fazendo alguma coisa. >
Quais das características abaixo têm relação com você?>
Um dos sinais que mais confundem quem convive com o TDAH é saber exatamente o que precisa ser feito, mas não conseguir começar. >
A pessoa pode ter consciência da importância de uma atividade e, mesmo assim, sentir uma espécie de bloqueio para dar o primeiro passo.>
Isso ajuda a explicar por que uma tarefa simples pode ser adiada durante horas ou até dias.>
Procrastinar ocasionalmente faz parte da rotina de muitas pessoas. No TDAH, entretanto, a dificuldade pode ser persistente e causar prejuízos. >
O problema não necessariamente está em não querer fazer algo. Muitas vezes, a pessoa deseja realizar a atividade, mas encontra dificuldade para organizar as etapas e iniciar o processo.>
Compromissos, horários, objetos e pequenas tarefas do cotidiano também podem escapar da memória. >
Além do esquecimento, podem aparecer dificuldades para organizar rotinas, acompanhar prazos, administrar tarefas simultâneas e manter uma sequência de atividades.>
Esses problemas podem afetar tanto a vida profissional quanto os relacionamentos e as responsabilidades domésticas.>
Ansiedade, depressão, problemas de sono, estresse e outras condições também podem produzir sintomas semelhantes. Por isso, não existe um único teste capaz de determinar sozinho se uma pessoa tem o transtorno. >
No caso do TDAH, os sintomas têm origem na infância, mesmo que não tenham sido reconhecidos na época. Na avaliação de adultos, profissionais podem investigar o histórico de comportamento e procurar evidências de que as características estavam presentes antes dos 12 anos. >
Isso significa que desenvolver dificuldades de concentração somente na vida adulta não é, por si só, suficiente para caracterizar TDAH.>
Muitos adultos chegam ao diagnóstico depois de anos criando estratégias para compensar suas dificuldades. >
Uma pessoa pode desenvolver métodos próprios para lembrar compromissos, organizar objetos ou cumprir prazos. Enquanto essas estratégias funcionam, os sinais podem passar despercebidos.>
O aumento das responsabilidades também pode tornar os sintomas mais evidentes. Segundo o CDC, as manifestações podem mudar ao longo da vida e se tornar mais problemáticas quando as exigências da vida adulta aumentam.>
Dados norte-americanos divulgados pelo CDC em 2026 mostram ainda que mais da metade dos adultos com diagnóstico atual de TDAH recebeu o diagnóstico já na vida adulta, reforçando que o reconhecimento tardio não é incomum.>