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Vai comprar um carro elétrico? Esse número é o que mais engana na hora da compra

A autonomia divulgada pelas marcas pode variar conforme o teste usado em cada país, e isso muda a percepção de quem compara modelos no Brasil

  • Foto do(a) author(a) Matheus Ribeiro
  • Foto do(a) author(a) Agência Correio
  • Matheus Ribeiro

  • Agência Correio

Publicado em 29 de junho de 2026 às 09:32

A autonomia dos carros elétricos pode variar conforme o teste usado, o clima, o trajeto e até o modo de dirigir Crédito: Pexels

Um dos dados mais observados por quem pensa em comprar um carro elétrico também pode ser um dos mais difíceis de entender. A autonomia, usada para medir quantos quilômetros o veículo roda com uma carga, nem sempre significa a mesma coisa em todos os países.

No Brasil, muitos modelos aparecem com números menores do que os divulgados em mercados como China e Europa. Isso não quer dizer, necessariamente, que o carro perdeu capacidade ao chegar por aqui. A explicação está, principalmente, na forma como cada teste calcula esse alcance.

Por isso, antes de comparar fichas técnicas, o consumidor precisa olhar para além do número mais chamativo. Em muitos casos, a autonomia real depende menos da propaganda e mais do método usado para medir o desempenho.

BMW iX por Divulgação

Por que a autonomia muda tanto?

A autonomia de um carro elétrico não é um valor fixo. Ela varia conforme velocidade, temperatura, relevo, trânsito, uso do ar-condicionado e estilo de condução. Portanto, o número informado na ficha técnica funciona como uma referência, não como uma promessa absoluta.

Além disso, cada mercado pode usar um padrão diferente de medição. Na China, por exemplo, é comum encontrar dados baseados no ciclo CLTC. Já na Europa, o padrão mais conhecido é o WLTP. No Brasil, a referência oficial vem do PBEV, do Inmetro.

O papel do Inmetro nessa diferença

O Inmetro adota uma metodologia mais conservadora para informar consumo e autonomia dos veículos vendidos no país. Como resultado, o mesmo carro elétrico pode aparecer com alcance menor na etiqueta brasileira do que em anúncios internacionais.

Na prática, esse número mais baixo tende a aproximar a expectativa do motorista das condições reais de uso. Assim, o dado pode parecer menos atraente à primeira vista, mas ajuda o consumidor a evitar uma comparação enganosa entre modelos.

O número da propaganda pode confundir

A confusão começa quando a marca divulga um número obtido em outro padrão de teste e o consumidor compara esse dado diretamente com a autonomia oficial brasileira. Essa diferença cria a sensação de que o carro elétrico “anda menos” no Brasil.

No entanto, o ponto principal está na régua usada para a medição. Um teste pode simular condições mais favoráveis, enquanto outro considera situações mais próximas do uso cotidiano. Por isso, dois números distintos podem estar corretos dentro de suas próprias regras.

O clima brasileiro também pesa

Outro fator importante é o uso diário no Brasil. Em cidades quentes, o ar-condicionado costuma ficar ligado por longos períodos, o que consome energia da bateria. Em congestionamentos, subidas e viagens em alta velocidade, a autonomia também pode cair.

Por outro lado, trajetos urbanos com frenagem regenerativa podem favorecer a eficiência dos elétricos. Dessa forma, o rendimento depende muito do tipo de caminho feito pelo motorista e da forma como ele usa o carro no dia a dia.

Como comparar antes de comprar

Para evitar frustrações, o ideal é observar a autonomia informada pelo Inmetro e considerar o próprio perfil de uso. Quem roda apenas na cidade pode ter uma experiência diferente de quem pega estrada com frequência.

Também vale desconfiar de comparações feitas apenas pelo maior número divulgado. Antes da compra, é mais seguro entender qual teste gerou aquele dado e avaliar se ele combina com a realidade das ruas brasileiras.