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Giuliana Mancini
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 09:26
Wagner Moura fez um desabafo sobre a polarização política durante entrevista ao programa Conversa com Bial, exibido na noite de terça-feira (4). O ator afirmou que gostaria de dialogar com pessoas de direita, lamentou os ataques que recebe por suas opiniões e disse estar "cansado de ser odiado". >
A declaração surgiu enquanto comentava os temas abordados na peça "Um Julgamento", atualmente em turnê. Segundo Wagner, a tolerância é um dos pilares da democracia e o cenário político atual tornou mais difícil o diálogo entre pessoas com visões diferentes.>
Wagner Moura e a esposa, Sandra Delgado
"A tolerância é um fator fundamental, um pilar da democracia. Você tem que ser tolerante. O que, para mim, é assustador é que não estamos mais vendo a realidade da mesma forma", disse.>
"Eu lembro de uma época em que esquerda e direita, se a gente polarizar a coisa, brigavam, discutiam, mas estavam vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos não importam mais. Não sei o que fazer. Se os fatos deixam de ser relevantes, deixam de existir, e passam a existir versões da realidade, se eu tenho a minha realidade e você tem a sua, e agora?", afirmou.>
Gravada em Atenas, na Grécia, a entrevista também abordou os riscos da polarização para a democracia. Wagner relembrou os estudos que fez para o filme "Guerra Civil", lançado em 2024. "A maior ameaça à democracia que esses caras inventaram aqui é a polarização. Fiz o filme 'Guerra Civil' e estudei muito sobre os fatores que levam países a deixarem de ser democráticos para se tornarem autoritários", defendeu.>
Wagner Moura da vida real
"A polarização política, o descrédito no governo, dizer 'isso não me representa' e 'não preciso disso' [complica]. Por isso, governos autoritários tendem a aparecer como se não fossem da política, como se estivessem fora do sistema. Vai se descredibilizando o sistema democrático, não apenas de eleger seus representantes, mas de você, como cidadão, interferir", completou o baiano.>
Bial destacou que, no encerramento da peça "Um Julgamento", a filha do protagonista pega a mão do pai para ajudá-lo a se reconciliar com o irmão. O ator disse acreditar que o afeto é capaz de aproximar pessoas com pensamentos opostos.>
"No final, o que importa é o amor. É um clichê, mas é verdade. É o afeto, é o que a gente sente pelas pessoas que estão próximas da gente. E, se tiver empatia suficiente, pelos outros também, inclusive os que pensam diferente da gente. Estou cansado de ser odiado por uma galera. É cansativo", declarou.>
Apesar das críticas que recebe por seus posicionamentos políticos, Wagner afirmou que continuará defendendo suas opiniões. "Eu vou morrer dizendo as coisas que acho. Posso estar errado, mas a minha natureza é dizer o que penso".>
O ator também respondeu às críticas de quem questiona o fato de ele defender pautas de esquerda mesmo após alcançar sucesso profissional e financeiro. Wagner afirmou que prosperar não o fez abandonar a defesa da justiça social e relembrou sua origem em Rodelas, na Bahia.>
"Quando eu estava lá em Rodelas [cidade na Bahia] e era pobre, aí eu poderia ser de esquerda, né? Parece que existe um portal pelo qual você passa. Queria saber qual é o teto, quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social", falou.>
"Que portal é esse pelo qual você passa e, se prosperar no seu trabalho, tem que deixar de acreditar que os outros também merecem aquilo? Que você é uma exceção e conseguiu? Eu não entendo muito esse raciocínio", completou.>
O ator também ironizou as acusações de hipocrisia por morar fora do Brasil. "Eles falam: 'Você é um hipócrita porque está aqui, em Atenas, tomando vinho com Pedro Bial e acredita que as pessoas que moram na favela merecem ser tratadas com decência'. Eu não entendo essa crítica", comentou.>
"Eu sou o mesmo cara que estava em Rodelas, que presenciou o trabalho escravo e cujo pai era sargento. Eu sou esse cara", completou.>