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Maiara Baloni
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 11:47
O primeiro debate presidencial das eleições de 2026, promovido pela Band na noite deste domingo (23), trouxe uma cena que marcou o início da campanha oficial. O estúdio em São Paulo exibiu três púlpitos vazios, reservados para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo). A imagem expôs a maior crise de comparecimento em estreias de debates presidenciais desde a redemocratização de 1989. A falta dos candidatos gerou críticas imediatas de adversários e reacendeu a discussão sobre o papel dos debates na decisão do eleitor. >
Com apenas três dos seis convidados presentes, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), o programa concentrou os ataques nos candidatos ausentes. Nos bastidores e nas explicações oficiais, o cálculo político de cada campanha ficou evidente.>
Por que Lula e Flávio Bolsonaro não foram ao debate da Band?
Para quem lidera as pesquisas de intenção de voto, o levantamento Datafolha mais recente mostra Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 33%, o debate de primeiro turno é tratado pelas assessorias como um evento de alto risco. A campanha do presidente Lula informou à emissora que ele não participaria, alegando que o formato não daria condições equilibradas de defesa contra os concorrentes. No mesmo horário do debate, a Record exibiu uma entrevista gravada com Lula, decisão criticada pelos adversários como uma tática para desviar a audiência da Band. >
Flávio Bolsonaro condicionou sua ida à participação do presidente. A avaliação dos estrategistas do PL era de que, sem Lula no estúdio, o senador seria o alvo exclusivo de ataques dos outros candidatos de direita e centro-direita. Durante o debate, Flávio justificou sua ausência nas redes sociais. Em vídeo publicado no Instagram, ele declarou que respeita todos os presentes, mas que eles "definitivamente não são meus adversários" e que seu foco é debater com "quem está no poder".>
O candidato do Novo, Romeu Zema, cancelou sua participação no dia do debate. Em nota, sua equipe explicou que a data do evento havia sido transferida de 16 para 23 de agosto com a premissa de que Lula participaria. Sem a presença do petista, a campanha de Zema considerou que a alteração perdeu o propósito inicial.>
Os candidatos que compareceram subiram o tom contra as faltas. Na chegada, Renan Santos (Missão) levou fraldas estampadas com os nomes de Lula e Flávio Bolsonaro como provocação aos microfones da imprensa. >
O candidato Augusto Cury (Avante) quase boicotou o encontro. Ele chegou a gravar um vídeo do lado de fora anunciando que não entraria no estúdio, classificando as ausências e a entrevista de Lula em outra emissora como "um desrespeito à democracia". Cury mudou de ideia e participou do programa após conversar com o diretor de jornalismo da Band, Fernando Mitre.>
Durante a transmissão mediada pelos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, os ataques continuaram. Ronaldo Caiado e Renan Santos afirmaram que os ausentes evitaram o debate para não dar explicações sobre escândalos passados e investigações, mencionando casos antigos como o Mensalão e o Petrolão, além de controvérsias envolvendo Fábio Luiz Lula da Silva (Lulinha) e o senador Flávio Bolsonaro.>
Mais do que as críticas políticas, as ausências geraram uma reação forte da equipe de jornalismo da Band. Durante a programação da emissora, a âncora Paula Valdez fez um desabafo sobre o cancelamento dos candidatos. >
Valdez destacou o esforço dos jornalistas na preparação do evento desde o início do ano e lembrou que as próprias assessorias de Lula, Flávio e Zema ajudaram a definir as regras do debate. "Eu me sinto, como jornalista, completamente desrespeitada por esses candidatos. É como se eles achassem que o nosso trabalho é brincadeira, mas não é", criticou a apresentadora. >
A reação dos profissionais de imprensa e do público reflete a importância histórica desse formato no país. A Band realiza os debates de primeiro turno desde 17 de julho de 1989, quando promoveu o primeiro encontro presidencial após a redemocratização. Naquele momento, o formato ajudou o eleitorado, que estava sem votar diretamente para presidente há quase três décadas, a conhecer as propostas dos candidatos fora dos palanques tradicionais. >
A relevância do debate se mantém alta. Uma pesquisa recente da Nexus indicou que 86% dos eleitores brasileiros pretendem acompanhar os encontros desta campanha. O levantamento aponta que o público mais jovem costuma consumir o conteúdo de forma fragmentada, por meio de cortes nas redes sociais, enquanto os eleitores mais velhos preferem a transmissão ao vivo na TV. Ainda assim, o debate televisivo continua sendo a principal fonte de informação para a produção desses conteúdos digitais.>
Para o eleitor que deseja comparar as propostas diretamente, o calendário antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, prevê mais três debates presidenciais:>
O andamento da campanha mostrará se os candidatos que lideram as pesquisas estarão presentes nos próximos encontros para debater com os adversários ou se manterão as estratégias de ausência até o dia da votação. >