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Doris Miranda
Publicado em 6 de agosto de 2026 às 06:00
A cultura nordesta em essência. É o que propõe o espetáculo Mundo Suassuna - 100 Anos de Ariano, que tem apresentações neste fim de semana e no próximo no palco da Caixa Cultural Salvador, no Centro. A peça, voltada ao público infantojuvenil, faz uma imersão no universo armorial do autor de O Auto da Compadecida. >
Com direção e dramaturgia de Marcelo Romagnoli, a montagem é inspirada no universo literário de Ariano Suassuna (1927 – 2014). O espetáculo mostra os desatinos de um príncipe durante uma viagem pelo sertão com o seu cavalo, em busca de um reino e de sua coroa perdida. Numa travessia feita de reviravoltas, o cavaleiro errante enfrenta enigmas, caveiras e uma onça malhada pelas estradas pedregosas do Império Consagrado do Sertão.>
Em cena, estão os atores Fabio Espósito, Gúryva Portela e Henrique Stroeter. A ficha técnica traz ainda o filho do escritor, Manuel Dantas Suassuna, responsável pela criação de painéis e estandartes presentes no cenário.>
A montagem é a primeira voltada ao público infantojuvenil reconhecida pela Família Suassuna. O texto, inédito, reúne motivações e personagens da obra do escritor paraibano, e faz referências a temas fundamentais de sua trajetória, como o Romance d'a Pedra do Reino, o impacto do circo, a guiança divina, os aspectos armoriais, as influências ibéricas e, principalmente, as inspirações de seu último romance, o monumental Dom Pantero (publicado postumamente, em 2017, pela Nova Fronteira).>
Príncipe sem rei >
Em Mundo Suassuna um caleidoscópio de histórias revive a mítica do sertão nordestino. Com signos e referências como as figuras do mamulengo, bonecos e demais elementos da cultura popular, a encenação conta também com desenhos e gravuras no cenário e figurino. O texto repercute a literatura de cordel e recorre a seus elementos, como o humor, rimas e versos dodecassílabos. A música, executada com rabeca, viola e percussão, faz a ponte entre a cultura ibérico-nordestina e o povo preto e indígena da região.>
Montado em seu cavalo Pantero, esse príncipe sem rei (um Suassuna órfão de pai, interpretado por Gúryva Portela), carrega seu caderno e anota nele a vida, buscando reencontrar a cultura popular. Atravessando a cidade e o sertão, o cavaleiro enfrenta a Morte, enquanto decifra enigmas, guiado pela Santa Compadecida. Escrevendo e documentando a aventura, o resultado é um livro, que se torna sua obra, coroada numa celebração conhecida como a Festa do Meio-dia.>
Paraibano, nascido na capital que, na época, tinha o nome de Paraíba, Suassuna criou e dirigiu o Movimento Armorial, uma iniciativa com o objetivo de valorizar os aspectos da cultura do Nordeste brasileiro, como a literatura de cordel, a música, a dança e o teatro, entre outros. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1990. Sua obra recebeu várias adaptações para cinema, televisão e teatro, como A Pedra do Reino, de Antunes Filho, O Auto da Compadecida, de Guel Arraes, e Uma Mulher Vestida de Sol, de Luiz Fernando Carvalho.>
SERVIÇO - Espetáculo Mundo Suassuna | Dias 8, 9, 15 e 16 de agosto, sábados e domingos, às 15h e às 18h, na Caixa Cultural Salvador | Ingressos: R$ 30 e R$ 15, à venda no Sympla.>