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Atores da comédia Tinha Que Ser Ele? falam sobre seus personagens

James Franco é um noivo tresloucado e Bryan Cranston um sogro desesperado com a possível união com sua filha

  • D
  • Da Redação

Publicado em 23 de março de 2017 às 20:40

 - Atualizado há 3 anos

James Franco na comédia Tinha Que Ser Ele? (foto/divulgação)  

James Franco é ator, diretor, roteirista, produtor, professor universitário e autor. Em sua carreira, ele já foi James Dean, o Mágico de Oz, filho do Duende Verde e alpinista. Agora, vive um cara muito louco na comédia Tinha Que Ser Ele?, de John Hamburg, em que contracena Bryan Cranston.

Na trama, Franco dá vida a um excêntrico milionário da era tecnológica que se apaixona por uma moça de família bem careta. Para agradar o futuro sogro (Bryan Cranston, de Breaking Bad e Trumbo), ele convida os parentes da namorada para passar os feriados de Natal em sua casa de campo. Acontece que suas excentricidades chamam muito atenção.

Em entrevista cedida pela Fox, James Franco explica como concebeu seu personagem em Tinha Que Ser Ele? Confira.

O que o atraiu para se juntar a este projeto?John [Hamburg] o trouxe a mim e conheço John – ele foi meu professor na NYU, quando eu estava lá estudando cinema – então já me interessei. Encontrei Bryan pela primeira vez nos bastidores do último episódio de THE COLBERT REPORT. Ele se aproximou nos bastidores e me disse: “Tenho esse roteiro de TINHA QUE SER ELE?, e talvez devêssemos conversar sobre ele." Isso levou a conversas e emails. Eventualmente nós nos encontramos com John e conversamos a sério sobre o roteiro e sobre colocar o plano em ação juntos. Conversamos sobre onde queríamos chegar. E eu pensei: o John como diretor e Bryan como colega de trabalho na interpretação é uma ótima combinação.Quanto que os personagens evoluíram desde que você e Bryan Cranston entraram no projeto?

O personagem evoluiu um pouco. O arcabouço sempre foi que eu seria alguém que deixa o personagem do Bryan desesperado, mas de um modo especial no qual as coisas superficiais são as que o perturbam, e ele não consegue ver além disso e entender que na verdade sou um cara decente que realmente ama a filha dele. Esse arcabouço sempre existiu. Foram apenas detalhes de como irritá-lo, a coisa das tatuagens, a atitude que eu tenho e essas pequenas coisas que foram evoluindo. Talvez o John [Hamburg] e eu tenhamos adaptado isso tudo à medida que trabalhávamos.Bryan diz que o ponto sobre o Laird – seu personagem – é que tudo que ele fala é honesto, e é apenas o jeito que ele diz as coisas que irrita o Ned, o personagem do Bryan.

Sim. Acho que o filme todo se baseia nisso. Não sou alguém verdadeiramente ruim para a filha dele. Na verdade, sou bom para a filha dele. É só que ele tem de me compreender mal. Acho que é um pouco delicado porque é realmente importante para Laird ser uma pessoa honesta e carinhosa, mas fazer isso e mostrá-lo como alguém tão intenso foi um desafio. Não dá para ser claro desde o início que ele é realmente um cara bem legal. Se isso for óbvio para alguém como Ned, o filme não funcionaria, então ele não pode entrar de mansinho. Talvez seja um problema de geração entre esses dois. Talvez seja uma ruptura entre gerações. Os pais torcerão por Ned, e os filhos vão gostar de Laird. (risos)Como foi encontrar esse nível de antagonismo cômico com o Bryan?

Foi muito fácil. Bryan é tão bom que ele já entende de cara. É uma sensação ótima trabalhar com um parceiro, especialmente numa comédia, que facilita a improvisação. Quando se tem um parceiro que já entende isso, fica tudo afinado como uma música. É como tocar jazz. O trabalho flui e vai ficando elaborado um com base na interpretação do outro.

Um dos elementos principais para mim neste projeto foi o Bryan. Eu já conhecia o John. John tinha sido meu professor, apesar de eu não ter podido frequentar muito as aulas na época porque estava filmando 127 HORAS. [risos] Ele foi meu professor de técnicas de direção na NYU. Conheço John há muito tempo e gosto muito do trabalho dele. E ouvi muitos elogios sobre ele de amigos meus como Rashida Jones. Ela trabalhou com ele.

Saber que seria um trabalho ao lado do Bryan foi uma das coisas que mais me atraiu, especialmente porque eu tenho feito bastante comédia, geralmente com Seth Rogen, e gostei da ideia de ter um parceiro cômico diferente para ver onde isso nos levava.Parece que vocês vêm de sensibilidades cômicas muito diferentes. Continuando com a analogia do jazz, cada um de vocês é um instrumento diferente?Sim, acredito que se pode dizer instrumentos diferentes, embora penso que há um ótimo entendimento que estamos tocando a mesma música. Somos instrumentos diferentes, mas estamos na mesma sintonia. É ótimo quando se tem isso.

Embora os personagens no filme estejam, talvez, se desentendendo, e nesse grau estão em divergência entre eles, nos bastidores é exatamente o oposto, pois dependo do Bryan para meu personagem funcionar. Preciso dele para que seja um obstáculo para o meu personagem. Meu personagem quer a aprovação dele para casar com sua filha. Ele, do mesmo modo, é dependente de mim para seu personagem, pois seu personagem precisa ser perturbado e abalado pelo fato que sua filha vai se casar com um cara que ele acredita não ser o certo para ela. Se eu não for um tanto odioso e descuidado na superfície, então, ele não terá nada contra o que reagir. Se ele não me der um obstáculo retendo sua aprovação, então também não tenho nada para representar.Você mesmo é um diretor prolífico e tem todos esses outros interesses na expressão da arte. Esses outros interesses todos ajudam na compreensão de sua atividade como ator?

Acredito que todas as coisas que faço estão ligadas. Acho que gosto da ideia que, como faço coisas diferentes, isso me coloca numa posição na qual posso ter conteúdo com formato combinado, de modo que se tiver uma ideia posso de uma certa maneira analisar e pensar a respeito, qual é o melhor formato para isto? Algumas coisas funcionam melhor com um formato do que com outros e vice-versa. Gosto de estar nessa posição na qual posso decidir isso e ter a capacidade para executar.

Tudo influencia tudo. Quando se monta um filme, pode-se compreender como uma interpretação está sendo vista, o que realmente está sendo usado e por quê. Quando se escreve um filme, será que ensina a você a que parte da história está contando? O que é essencial para a história? Como a está estruturando e como isso vai alterar a natureza do projeto? Tudo influencia tudo o mais.  Bryan Cranston é o sogro incomodado com o genro alucinado (foto/divulgação)  

Bryan Cranston, indicado ao Oscar, ganhador do Globo de Ouro e Tony, não tem medo de mudanças. Viveu o roteirista Trumbo, o traficante Pablo Escobar e o Walter White de Breaking Bad. Em Tinha Que Ser Ele?, Cranston é um sogro incomodado com o genro viajandão, interpretado por James Franco. Na entrevista a seguir, o ator comenta sua participação na comédia.

Dada a extrema lugubridade das últimas temporadas de BREAKING BAD, como sentiu o retorno para a comédia?

Ótimo! Essa é, em parte, a razão para eu decidir fazê-la, pois tenho estrelado muitos dramas ultimamente e adoro fazer comédias. Você está representando personagens importantes e é uma boa contação de história. Mas sentia falta de brincadeiras tolas no set. Apenas o valor intrínseco do riso. Pensei nisso como um desafio. Parece como um desafio ter condições, na minha idade, de fazer o papel principal numa comédia para um estúdio. “Sim, vamos fazer isso. Parece muito divertido”. A longa conversa com John Hamburg sobre a criação da comédia, querendo assegurar que se baseasse em noções fundamentais a partir das quais se pudesse fazer troça, o que foi realmente recompensador.

 Como o roteiro se desenvolvia quando você se juntou ao elenco?

 Penso que bons roteiristas são capazes de se adaptar e ser flexíveis na escolha do elenco. Eles escrevem para os pontos fortes das pessoas que irão interpretar esses papéis. Tivemos diversas reuniões entre James, eu e John, cada um de nós expressando interesse numa direção. De fato, essa cena que estamos gravando hoje, que culmina num ponto de extremo enfurecimento para esses dois homens tão agressivos entre si, não era necessariamente nesse grau no roteiro, mas nós dois sentimos que deveria chegar a esse ponto em que simplesmente sai do controle e tudo se desintegra. Assim que isso acontece, a quebra e a carnificina físicas deixadas para trás combinam com a carnificina emocional deixada para trás e, então, são necessários os trabalhos de restauração. Para mim, este é um processo de contação de história mais gratificante.

Há momentos em que você concorda com Ned. Suas lealdades como parte do público vão e vêm, pois nenhuma dessas pessoas é “a antagonista”, no sentido tradicional da palavra. 

 Sim, pois, novamente, está impregnada de uma experiência honesta. Penso que os homens da minha idade olharão isso e dirão: “Eu me sentiria do mesmo jeito”. Se minha filha namorasse esse lunático, isso me deixaria louco. Tenho uma filha de 23 anos de idade, assim não representou esforço para mim fazer uso desse medo e preocupação ou interesse que devem acontecer. Está tudo impregnado de realidade. Ned simplesmente tem esse sentimento em relação a Laird. Ele simplesmente está fora de controle. Ele é louco. Depois, Ned se torna um pouco obsessivo e a obsessão então se sobrepõe à competição entre eles e, em seguida, é bola para frente. Como homens, temos capacidade total de sermos idiotas, e é isso que acontece aqui.

 Como tem sido essa competitividade em trabalhar com James?

 É muito divertido. O que ecoou para nós três, os homens que estavam nessas reuniões, é que a sensação era de honestidade. Sim, parecia como se meu cara se sentiria desse modo e Laird se sentiria de outro modo. O que desejávamos manter cuidadosamente com isso é a integridade de Laird, que ele não tem os mecanismos para mentir. Certo, ele é inadequado socialmente, pode ferir sentimentos e transmite informações demais, não possui diversos filtros, mas não é um mentiroso. É isso que Ned vem a entender, que ele não mentiu nenhuma vez durante toda essa experiência e, no entanto, Ned mentiu repetidamente. Quem é o homem melhor? 

 O que queríamos assegurar, como resultado de todo esse caos, que se torne uma lição para os dois homens. Nós nos ensinamos entre nós algo que nem sabíamos que precisávamos aprender. Somos pessoas melhores no final do processo. Podemos ir ao cinema, nos divertir, rir, sermos um pouco grosseiros, bancarmos os tolos. Mas se não estiver impregnada em algum sentido de realidade, não é uma experiência tão profunda.

Você e James parecem ter se originado de escolas de comédia muito diferentes. Você acha, na colaboração, que isso pode tornar a comédia mais forte, que tenha vindo de direções diferentes?

 Pode ser. Não existem duas pessoas com uma fechadura de combinação exata que libere sua capacidade de comédia e temos agora no set Keegan-Michael Key, que é inteligente e cheio de energia. Dinâmico. Megan Mullally, que está profundamente enraizada no divertimento e de ótima linhagem cômica. E os dois jovens, Griffin Gluck e Zoey Deutch, que são extremamente talentosos. Nunca diga que falei isso deles, pois isso significaria o fim. [Risos] Nós nos divertimos muito. A experiência de fazer esse filme tem sido o que eu esperaria que fosse. 

 Também, John Hamburg é muito aberto. Ele é entusiástico, diverte-se e define um excelente tom para a equipe. É um set muito leve. Ninguém se preocupa em perder o emprego ou caminha sobre ovos porque alguém pode gritar de forma alta e violenta. É agradável.

 Você chega ao ponto de poder pensar como a pessoa que está interpretando?

 É quase impossível não chegar. Você desenvolve uma afinidade com essa pessoa e se descobre falando na primeira pessoa. Penso muito em: “Eu não faria isso”. Você o leva para casa, seja o sotaque ou algo mais. “Eu não embarcaria nessa. Eu não dou um tostão para o que esse cara pensa”. Você está canalizando o cara. Esses são pontos válidos para os quais se deve prestar atenção. Quando cada ator se envolve com o personagem, o conhece bem e chega bem preparado, então cada pessoa tem um ponto de vista específico quando se trata de uma observação. “Não, não, eu não me sinto à vontade”. Nós, como personagens, temos que considerar: “Precisamos chegar até aquela porta. Como podemos conseguir isso? Isso funciona para mim. Posso fazer isso. Certo, vamos tentar. Oi, isso funciona, ótimo”. Você trabalha a questão até solucionar o problema.