Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Roberto Midlej
Publicado em 6 de outubro de 2023 às 07:44
Criado em Pojuca, na Região Metropolitana de Salvador, o baiano João Pimenta descobriu sua veia cômica muito cedo, desde que se "entende por gente", diz ele. "Sempre observei bastante coisa ao meu redor, como um contador de histórias, um verdadeiro griô por onde passava". >
Como muitos comediantes de sua geração - ou quase todos -, Pimenta se tornou muito popular graças à internet e, mais especialmente, ao personagem Pé de Pranta, que viralizou especialmente na Bahia e acabou dando origem a um espetáculo.>
Aos poucos, Pimenta foi garantindo seu espaço, até que aconteceu um importante marco na carreira: a entrada para o Porta dos Fundos, o maior grupo cômico brasileiro da atualidade. Depois de fazer uma participação numa esquete, acabou conquistando dois sócios da empresa, que acabaram o convidando para integrar o elenco fixo. Agora, ninguém mais segura este baiano que, além de atuar, também se arrisca fazendo alguns roteiros do Porta.>
Mas Pimenta não se deslumbra com o sucesso e mantém a ligação com suas origens. Faz questão de permanecer na Bahia: "Não perdi nada em outro canto. Quem quer meu trampo me busque e me traga", avisa ele. E, para provar que continua fiel às origens e aos conterrâneos, o humorista se apresenta sábado (7) e domingo (8) no Teatro Isba, às 19h.Assinantes do Correio têm 40% de desconto na compra do ingresso>
Veja a seguir um papo que Pimenta teve com o CORREIO, em que fala sobre o início de seu trabalho - quando nem recebia cachê -, a entrada para o Porta e o espetáculo Pimentaverso, seu primeiro solo de standup, que o público de Salvador vai conhecer.>
Tem muitos vídeos seus nas redes, já bem conhecidos. Ainda assim, o público vai ver muita coisa nova no espetáculo? Como um humorista faz para renovar piadas, qual sua "técnica"?>
Nada do show solo está na internet. Todo material é inédito e original. Meu processo criativo pra stand up é muito de eu achar algo interessante pra mim e tentar deixar essa perspectiva interessante pro espectador, com tudo que o stand up nos dá de métricas: os setups, que são as construções da piada; a persona, que é minha voz e embocadura em cima do palco; os punchlines que são a concepção final das piadas, o momento do riso propriamente dito e o roteiro do show com um início, meio e fim, que faça sentido como uma história contada.>
Como começou sua carreira de comediante na Bahia? Onde se apresentava e como foram os primeiros cachês?>
Os primeiros cachês, nem tinha. Comecei a fazer apresentações ao vivo com stand up comedy em 2008. Fiquei até 2011, tive um hiato quando comecei a peça de Pé de Pranta de 2012 a 2013 e voltei em 2014 com o stand up. Já fiz show em meio de rua e já me fecharam diversos espaços na cidade. Mas hoje, que vende ingresso, abriram as portas. Muito perrengue pra fazer o trampo chegar onde tá, mas acredito muito no coletivo.>
Você acha que a sua "baianidade" tão marcante contribui para seu sucesso? As pessoas se interessam por esta baianidade? E de que maneira a Bahia está presente em seus espetáculos?>
Ser baiano é uma identidade. Perder isso é negar sua origem. A carga cultural que isso carrega faz, sim, o que sou hoje como artista da comédia e imprime justamente meu cartão de visita de: "Sou baiano sim e tem um bonde grandão vindo junto comigo". Hoje, me comunico nacionalmente, sem omitir em nada de onde venho.>
Houve algum vídeo seu responsável por uma "virada" em sua carreira, por ter viralizado? Se houve, você esperava o sucesso dele especificamente?>
O primeiro vídeo, do personagem Pé de Pranta, viralizou em boa parte do território baiano e foi responsável por eu fazer meus primeiros trabalhos com comédia, inclusive uma peça do personagem. Sou muito grato a essa criação.>
Como foi a sua entrada para o Porta dos Fundos? Como foi a seleção?>
Fiz uma participação num vídeo deles e após isso fui chamado pra escrever um formato de programa culinário, como extensão do que já fazia em casa. A partir daí comecei a participar também das esquetes. Dois dos sócios me fizeram o convite pro elenco fixo: João Vicente e Antônio Tabet, nosso Kibe.>
E hoje, como você está no Porta? Além de ator, você também tem feito roteiros, como o episódio Sindicato dos Otakus.>
Isso. Esse, que é um dos roteiros mais recentes, foi meu e de Johnatan Marques, um grande amigo que a comédia me deu. Fico mais na parte da atuação mesmo, mas volta e meia acabo assinando algum roteiro, quando precisam de algo muito específico dentro das minhas referências.>
Você hoje mora fora de Salvador? Se mora, por que decidiu mudar-se? Acha difícil seguir carreira na Bahia?>
Não saio de Salvador. Não perdi nada em outro canto. Quem quer meu trampo me busque e me traga. Lutei muito pra me firmar como um artista independente sem precisar estar e permanecer no polo cultural do sudeste. E sou chato e bairrista pra bater no peito e dizer: "Eu consegui". Rodo pelo Brasil trampando, mas a Bahia é minha casa. Principalmente Pojuca, onde nasci e cresci. Muitas portas me foram fechadas aqui na Bahia, mas ainda assim o trampo tá onde tá.>
PIMENTAVERSO>
Com: João Pimenta>
Quando: sábado (7) e domingo (8)>
Horário: 19h>
Onde: Teatro ISBA>
Ingresso: R$ 100,00 (inteira) e R$ 50,00 (meia)>