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Jornalista escreve sobre luto após perder perder os pais para o câncer

Claudia Giudice, em 'Sem Pai Nem Mãe', fala sobre como foi lidar com a morte do pai e da mãe durante a pandemia

  • Foto do(a) author(a) Roberto Midlej
  • Roberto Midlej

Publicado em 25 de outubro de 2023 às 06:00

Claudia Giudice
Claudia Giudice Crédito: divulgação

Foi durante a pandemia de covid-19 que a jornalista Claudia Giudice, agora aos 57 anos, teve que enfrentar o câncer da mãe, Marina, já em estágio avançado. Não bastasse aquela "porrada", ela estava vivendo o luto pela morte do pai, Paulo, em razão da mesma doença. Pouco antes da pandemia, em setembro de 2019, que ela soube da "morte anunciada" - como ela mesma se refere - do pai. Àquela altura, já sabia que a gravidade do câncer de Marina era a mesma.

E, enquanto cuidava dos pais, Claudia ia escrevendo uma espécie de diário sobre aquela experiência. O que nasceu como um registro pessoal acabou se transformando no livro Sem Pai Nem Mãe (Máquina de Livros/ R$ 58/ 176 págs.), que será lançado nesta quarta-feira na Livraria Leitura do Shopping da Bahia, às 19h.

No livro, a jornalista fala sobre sua relação com os pais e também conta um pouco da história daquele casal que se conheceu num baile de juventude e acabou vivendo junto por mais de 60 anos. Mas, essencialmente, é um livro sobre o luto e sobre como se preparar para a morte iminente de pessoas queridas. E Claudia faz isso num tom sereno, por incrível que pareça. Jamais escorrega na pieguice nem deixa soar como um lamento.

Claudia diz que tem o hábito de escrever sobre coisas que têm impacto forte sobre sua vida e não tinha a intenção de transformar seus textos num livro. Escrevia de improviso e, provavelmente por isso mesmo, o livro é tão tocante. "Eu escrevia como era possível, até no celular, no Whatsapp. Depois, chegava em casa e ia jogando num arquivo de computador", lembra-se a autora.

A jornalista com os pais
A jornalista com os pais Crédito: acervo pessoal

O ato de escrever era também uma forma de fazer companhia a si mesma, afinal, enquanto cuidava dos pais, sentia-se só. "Percebi que as pessoas que cuidam de doentes terminais ficam solitárias. O sentimento de solidão é muito grande porque, enquanto você cuida deles, o mundo lá fora tá 'normal' e as pessoas vivem suas vidas".

Tanto Paulo quanto Marina morreram no hospital e era Claudia que ficava com eles. "Eram horas intermináveis fazendo companhia a eles. Mas às vezes, você faz companhia a uma pessoa que está dormindo. Então, eu escrevia", diz a jornalista. O intervalo da morte de Paulo para a de Marina foi de aproximadamente seis meses.

Hoje, Claudia percebe que nunca esteve preparada para encarar a morte dos pais. "Antes de eles ficarem doentes, eu achava que ia ser moleza enfrentar a morte deles. Mas quando começou todo aquele processo, percebi que não estava. A gente é meio besta e pretensioso, né?", diz a autora.

Ela reconhece também que Paulo e Marina eram muito mais importantes para a sua vida do que acreditava antes deles morrerem. "A falta que sinto deles é muito maior que eu achava que ia sentir. Toda hora tem uma coisa que eu queria perguntar ou contar a eles".

Quando se vive o luto, é comum ouvir frases como "você vai superar" ou "força aí, levanta a cabeça". Para Claudia, essa é uma maneira de encurtar o luto, o que, para ela, não é bom. "A perda desse processo é ruim. E eu mesma achava que o luto devia ser rápido. Mas, quando vivi o luto, percebi caí no fundo do buraco e percebi que não estava preparada. Antigamente, as pessoas só usavam preto quando estavam de luto. Hoje, não é mais assim!", observa a escritora, que, por acaso, usava preto enquanto dava essa entrevista.

Nem Paulo nem Marina eram lá muito cuidadosos com a própria saúde. Não gostavam de ir a médicos. Mas, ainda assim, Claudia acredita que houve certo desleixo por parte dos profissionais que cuidavam de Paulo. "Acho que ele foi vítima de etarismo. Ia aos médicos e achavam que era apenas uma dor nas costas porque, para aqueles médicos, todo velho sempre tem dor. Acho que houve vários equívocos".

Claudia, agora, é diferente dos pais: cuida muito da própria saúde, vai regularmente a dois médicos e não come mais alimentos industrializados. Depois da morte de Marina e Paulo, veio morar na Bahia, onde cuida da pousada que tem em Arembepe, junto com uma sócia. "Vivo agora o fechamento desse processo de 'arrumar a casa' e o lançamento do livro marca isso. Estou aprendendo a fazer mais coisas que quero em menos aquilo que eu supostamente preciso", revela Claudia.

SEM PAI NEM MÃE

Autora: Claudia Giudice

Editora: Máquina de Livros

Preço: R$ 58 | 176 págs

Lançamento: Quarta-feira (25), 19h, na Livraria Leitura do Shopping da Bahia