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'Now and Then' comove fãs dos Beatles e os faz até chorar

Nova música foi lançada na quinta-feira (2). Veja o que admiradores da banda acharam

  • Foto do(a) author(a) Roberto Midlej
  • Roberto Midlej

Publicado em 5 de novembro de 2023 às 16:00

Os quatro colegas em ação no filme A Hard Days Night
Os quatro colegas em ação no filme A Hard Days Night Crédito: reprodução

Que magia leva uma banda a, mesmo depois de 53 anos de ter decretado seu fim, ainda ter popularidade entre pessoas das mais diversas gerações? Talvez seja impossível responder a isso, mas os últimos dias provaram que, mesmo cinco décadas depois de ter acabado, os Beatles ainda são capazes de mobilizar seus fãs em torno de um lançamento.

Chegou às plataformas de música, na última quinta-feira (2), a canção Now and Then, originalmente gravada por John Lennon no final dos anos 1970. O registro havia sido feito em uma gravação caseira e permanecia absolutamente desconhecido até 1994, quando Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr receberam da viúva de John, Yoko Ono, uma fita da música com a voz e o piano do marido.

O trio de ex-companheiros de John estava envolvido no projeto Anthology - que registrava a história do grupo num documentário - e buscava canções "perdidas" da banda que pudessem ser finalmente lançadas. Daí, surgiram Free as a Bird e Real Love. Now and Then chegou a ter as bases instrumentais gravadas por Paul, Ringo e George. Mas a qualidade da gravação fez o trio descartar a música, afinal, com a tecnologia da época, era impossível torná-la audível com o mínimo de qualidade.

Os bastidores da canção e suas curiosidades estão revelados no minidocumentário Now and Then - The Last Beatles Song, lançado na quarta (1º) no YouTube da banda e disponível também no Disney+. Até o meio-dia de sexta (3), já contabilizava mais de 4,2 milhões de views. O clipe da música, dirigido por Peter Jackson, também já está no YouTube do grupo.

Foram necessários quase trinta anos para que finalmente a tecnologia permitisse a recuperação da voz de John e, para a euforia dos fãs, a canção finalmente fosse lançada. O lançamento foi anunciado no dia 26 de outubro e nesta quinta-feira, às 11h de Brasília, os mais ansiosos já estavam a postos para ouvi-la.

Emoção

O editor de vídeo Maurício Caires, 44 anos, ouviu mais de dez vezes. Detalhe: este número era de 15h, quando ele falou com o CORREIO. A essa altura, pode apostar: já deve ter triplicado o número de audições. "A versão me emocionou profundamente. Pude ouvir a voz de John com clareza e percebemos um trabalho muito cuidadoso, inclusive mantendo algumas coisas da versão original", celebra Maurício. Como bom fã, ele já tinha ouvido a gravação demo que havia vazado na internet, a mesma que estava na fita que Yoko entregara aos remanescentes do grupo em 1994.

Maurício é desses que têm os álbuns nas mais diferentes versões e faz questão disso, mesmo sabendo que, às vezes, a diferença entre um e outro não é lá tão grande assim. Um dos últimos itens da coleção foi uma caixa do álbum Let it Be, pela qual pagou R$ 999. Agora, a meta é juntar dinheiro para compra o box de outro álbum, Revolver, que custa em torno de R$ 1,2 mil.

Pouco depois de ouvir Now and Then, Mauricio recebeu uma ligação de outro fanático pelo quarteto de Liverpool: Antonio Portela, empresário aposentado de 65 anos, conhecido em Salvador por promover, há quase 20 anos, o Beatles Social Club, encontro entre fãs e bandas que tocam canções dos Beatles.

"Quando ouvi Now and Then hoje, chorei e senti a mesma emoção que tive aos nove anos de idade, quando conheci os Beatles. É um sentimento infantil que carrego há 50 anos", diz Portela. Na nova música, ele destaca a guitarra de George Harrison, deu beatle favorito: "A morte dele foi uma tragédia na minha vida. Nunca achei que fosse sentir tanto a morte de um desconhecido. Minha esposa perguntava: por que está chorando tanto?".

Na Inglaterra

Lá na Inglaterra, onde os Beatles nasceram, está um outro baiano, Ted Simões, que também se rendeu à nova música: "Achei linda, é uma típica canção 'lennoniana', muito característica dele. Paul, Ringo e George conseguiram manter a 'coisa' Beatles, soa muito Beatles!", festeja Ted, que é músico profissional e integrou a Cavern Beatles, cover do quarteto.

Ao contrário de alguns puristas, Ted não vê problemas em remexerem no baú da banda e revelarem itens raros. "Não vejo isso como um mero caça-níquel. E acho importante o uso da tecnologia contemporânea porque, quando passaram os vinis deles para CD, não houve cuidado. Hoje, há uma preocupação em converter para o digital mantendo a sonoridade da época do lançamento".

E se você acha que a paixão pelos Beatles não se renova, Davi Ferrari, de 18 anos, está aí para provar o contrário: basta dizer que ele tem, há quase um ano, uma tatuagem com os rostos de John, Paul, Ringo e George. A paixão pela banda começou aos cinco ou seis anos de idade e vem de família: o avô José Raimundo, de 72 anos, transferiu a idolatria para as gerações seguintes.

Davi aprovou a nova canção: "Se não me falassem e, se não houvesse a voz de John ali, mesmo assim, ia perceber que eram os Beatles. Talvez até se enquadrasse na carreira solo de John, porque vejo a marca dele ali". O avô José Raimundo, no entanto, revela-se menos ansioso e ainda não parou para ouvir com tanto cuidado: "Ainda estou dando um tempo para digeri-la".