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Gabriela Cruz
Publicado em 9 de agosto de 2026 às 05:00
Durante muito tempo, fomos levados a acreditar que todo mundo deveria encontrar um grande propósito. Uma vocação definitiva, capaz de reunir talento, prazer, reconhecimento e retorno financeiro. Como se a vida só ganhasse sentido quando descobríssemos uma missão extraordinária.>
Foi assim que o conceito japonês de ikigai se popularizou no Ocidente: representado por círculos que prometiam revelar, no ponto de encontro, aquilo que amamos, fazemos bem, o mundo precisa e pode nos remunerar. Uma espécie de fórmula para a realização pessoal e profissional.>
De tudo que eu vejo
Mas o ikigai pode ser bem mais simples. A palavra reúne as ideias de vida e valor e costuma ser compreendida como aquilo que faz a vida valer a pena. Não precisa ser uma profissão, um talento especial ou algo capaz de mudar o mundo.>
Para algumas pessoas, está no trabalho. Para outras, nos filhos, nos amigos, na arte, na fé ou no cuidado com alguém. Também pode morar em pequenos gestos: preparar o café sem pressa, cuidar das plantas, caminhar no fim da tarde, bordar, aprender uma receita ou acompanhar o crescimento de quem amamos.>
Talvez o problema esteja na pressão para transformar tudo em algo grandioso. O prazer precisa virar empreendimento. O talento precisa gerar dinheiro. Até aquilo que amamos parece precisar justificar a própria existência.>
Também não precisamos ter um único ikigai para sempre. As razões que nos movimentam mudam conforme atravessamos diferentes fases. Talvez encontrar o nosso ikigai não seja descobrir uma resposta definitiva, mas perceber o que, hoje, acende alguma coisa dentro de nós>
No fim, a pergunta talvez não seja “qual é o propósito da minha vida?”, pesada demais para uma manhã qualquer. Pode ser simplesmente: o que faz você querer levantar da cama hoje?>
Para perceber o que muda e o que permanece, escreva uma carta para você mesma e combine de abri-la daqui a um ano. Imagine como estará sua vida, o que ocupará seus pensamentos, quais seus medos, desejos e planos. Registre também aquilo que espera ter coragem de começar, abandonar ou transformar.>
Não escreva apenas sobre metas. Fale das pessoas que ama, das pequenas alegrias, do que deseja preservar e de como gostaria de se sentir quando reencontrar essas palavras.>
Daqui a um ano, alguns planos talvez não façam mais sentido e outros podem ter se realizado de maneiras inesperadas. Ao abrir a carta, você encontrará mais do que previsões e promessas: encontrará uma versão de si mesma que existiu naquele instante.>
A arte pode ser uma dessas razões que alimentam a vida, especialmente quando deixa de ser apenas contemplação e se transforma em experiência compartilhada. Criado pelos artistas visuais Tati Sampaio e Bruno Pamponet, O Clube Galeria Barro Vermelho aproxima o público dos processos criativos, promove conexões e contribui para fortalecer coletivamente a cena artística. As inscrições estão abertas, com condição especial de lançamento por tempo limitado. Informações pelo Instagram da Galeria Barro Vermelho ou pelo WhatsApp (71) 98104-5151.>
Essa aproximação entre público e produção artística também ganha escala na CASACOR Bahia 2026. A Ernesto Bitencourt Galeria de Arte transformou os corredores dos três pavimentos da Casa Nossa Senhora das Mercês em um amplo circuito expositivo.>
Intitulado “Espaço Panorama da Arte Moderna e Contemporânea Baiana”, o conjunto reúne 324 obras de 61 artistas, entre nomes contemporâneos, como Deisi Rocha, Jayme Fygura e Josilton, e consagrados, como Carybé, Mário Cravo, Emanoel Araújo, Calasans Neto e Aurelino dos Santos.>
Entre os destaques estão gravuras do álbum “As Sete Lendas do Candomblé da Bahia”, de Carybé e Emanoel Araújo, e uma exposição individual com telas inéditas de Aurelino dos Santos. Obras do acervo também integram diferentes ambientes, ampliando o diálogo entre arte, arquitetura e design.>
A CASACOR Bahia segue até 6 de setembro, no Centro de Salvador.>
Há também lugares que nos convidam a recuperar o prazer de fazer as coisas com tempo e presença. Fundada por Ivana Panizzi e Rita Camara, a Ritval é uma casa criativa que conecta Bahia e Portugal, tradição e contemporaneidade. O projeto transforma o feito à mão em uma linguagem capaz de aproximar histórias, territórios e memórias.>
Localizada em Itapuã, a Casa Ritval recebe produções audiovisuais, shootings, campanhas, workshops, lançamentos, jantares e encontros intimistas. Cercado por obras de artistas brasileiros, jardins e luz natural, o espaço acolhe projetos que reconhecem que o cenário também faz parte da experiência.>
Mais informações no perfil da Ritval.>
Criar com as próprias mãos também pode ser uma maneira de interromper a pressa, despertar a presença e cuidar de si. Essa é a proposta do Clube Criativas, idealizado por Gabriela Peixoto, arteterapeuta junguiana, e Luciana Caetano, psicóloga clínica.>
Por meio de encontros presenciais dedicados às artes manuais, o projeto busca estimular a expressão, fortalecer vínculos e recuperar a conexão com o universo da imaginação.>
Os encontros do Clube de Colagem acontecem aos sábados, das 14h30 às 17h. As próximas edições serão realizadas em 15 de agosto (já esgotada), 12 de setembro, 3 de outubro, 7 de novembro e 5 de dezembro. Informações pelo Instagram @clubecriativas.ssa.>