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O suingue de Moraes Moreira é o chão da praça

Espetáculo, que estreia no TCA nesta sexta (14) para o grande público, narra trajetória do primeiro cantor de trio elétrico

  • Foto do(a) author(a) Lucas Pereira
  • Lucas Pereira

Publicado em 10 de agosto de 2026 às 20:40

 Espetáculo Moraes Musical Moreira
Espetáculo Moraes Musical Moreira Crédito: Caio Lírio

Mais que o primeiro cantor de trio elétrico ou mesmo aquele que balança o chão da praça, a trajetória de Antônio Carlos Moraes Pires, o Moraes Moreira, é retrasada com ênfase na pluralidade do artista no espetáculo Moraes Musical Moreira, que tem estreia nacional marcada para o dia 13 de agosto no recém reinaugurado Teatro Castro Alves.

Com direção da atriz e coreografa Ana Paula Bouzas, além de direções de arte, musical e de coreografia de Renata Mota, a dupla João Milet Meirelles e Ronei Jorge, e do bailarino e performer Jai Bispo, respectivamente, o espetáculo reúne os atores Cris Meirelles e o músico e cordelista Rodrigo Sestrem para interpretar Moreira.

De acordo com Bouzas, o foco do espetáculo vai para a obra do artista: “Desde o início, quando recebemos esse convite, ficamos pensando muito na grandiosidade da obra de Moraes. E entendemos que seria uma escolha, no nosso ponto de vista, dar luz à obra dele. Então, o espetáculo, caminha a partir desse pressuposto”.

Para os protagonistas, dar vida à duas vertentes de um mesmo Moraes Moreira trouxe um desafio grande. “Tivemos especificidades para construir o personagem. É um a pessoa com um timbre específico, que canta de uma forma específica, e também é compositor e canta as músicas de uma forma muito específica também. Então, foi esse exercício que eu fiz, de construir, de aproximar essa expressão vocal desse artista”, aponta Meirelles.

Sestrem, que também é poeta e compositor, complementa a fala do colega apontando para um elemento fundamental na compreensão do trabalho: o cordel e sua influência na arte e obra de Moraes. A partir daí, a vivência do homenageado fluiu: “É como a gente brinca, somos dois brincantes homenageando lados de um mesmo artista. É isso que faz esse amálgama para chegar em um Moraes inteiro”.

Sessão desta quinta (13) é só para convidados
Sessão desta quinta (13) é só para convidados Crédito: Lucas Pereira

Vaqueiro cantador

O CORREIO esteve no evento de encontro com imprensa e pode conferir trechos de duas cenas da montagem, mostrando os artistas Diana Ramos, Luisa Muricy, Kadu Veiga, Mano Leone, Nana Nevez, Ofámirô, Rapha Gouveia, Sabiá e Saulo Ilogoní no palco, performando pela história como membros do Bloco do Prazer.

No eixo da trama, Moraes Moreira é materializado como Poeta-Cantador (Sestrem) e também como Vaqueiro do Som (Cris), diversas vezes juntos em cena e dialogando sobre (e com) a musicalidade de Moraes. Sem dar spoilers, Bouzas aponta que a peça “tem encontros que existiram na vida real e ainda encontros fictícios, porque ele se encontra com referências, com inspirações que teve ao longo da trajetória”.

Um deles é acontece na busca pela Musa Música, vivida por Júlia Tizumba. A experiência, de acordo com a artista, é “um presente”. Para ela, o desafio está em materializar uma personagem que é “intangível”: “Foi um desafio essa construção, porque ela é abstrata. Ela está em todo lugar, está no sublime, mas a gente não queria ficar nesse lugar, de uma coisa inalcançável, sagrada. Então, ela tá no sublime, no delicado, tá no rock and roll, em todos os lugares e para todos”.

Trio elétrico

Para além de trabalhos históricos, como a atuação nos Novos Baianos, tendo eternizado sucessos como Preta, Pretinha (1972), o baiano de Ituaçu ainda está por trás de músicas que ecoaram nas rádios, como Pombo Correio (1976), Bloco do Prazer (1979), Chão da Praça (1979) e o mega hit Chame Gente (1985), com exceção da última, todas lançadas enquanto ainda estava no Trio Elétrico Armandinho Dodô & Osmar, onde se lançou como cantor de trio no carnaval em 1975.

Para a dupla que encarna Moreira no espetáculo, a dimensão do artista atravessa ainda outros pontos da sociedade: “Ele entendeu a importância do povo, da presença do povo, de valorizar uma arte e lutar para que a arte continuasse sendo coletiva, acessível a todas as pessoas”, aponta Cris Meirelles.

Já Sestrem diz que Moraes deixa um legado para a “cultura popular”, que ele tanto defendia: “Essa peça, focada na estética de cordel, é uma homenagem e também uma forma de repassar essa mensagem em forma de arte”.

SERVIÇO - Espetáculo ‘Moraes Musical Moreira’ | de 14 (sessão para convidados) a 30 de agosto, de sexta a domingo, no Teatro Castro Alves | Ingressos: a partir de R$ 25 (excepcionalmente no domingo, dia 30/8, o valor é de R$ 1), à venda no Sympla e na bilheteria do teatro.

Tags:

Teatro