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Partiste, de Paulo Henrique Alcântara, volta com elenco negro

Márcia Limma, de Medeia Negra, é a protagonista da montagem

  • Foto do(a) author(a) Roberto Midlej
  • Roberto Midlej

Publicado em 19 de setembro de 2023 às 06:00

Elenco de Partiste; à direita, o dramaturgo Paulo Henrique Alcântara
Elenco de Partiste; à direita, o dramaturgo Paulo Henrique Alcântara Crédito: 1) Spike Luu/div. e 2) Guilherme Rocha/div

Os últimos dias foram especiais para o dramaturgo baiano Paulo Henrique Alcântara, de 57 anos. Na semana passada, ele recebeu a notícia que o texto da peça Maldita Seja, de sua autoria, foi indicado ao Prêmio Braskem de Teatro. A montagem comemora ainda outras três indicações: revelação (Veridiana Andrade, pela atuação); atriz (Viviane Laerte) e espetáculo adulto. Paulo Henrique festeja também a volta de outra peça de sua autoria aos palcos de Salvador: Partiste - que venceu o Braskem de texto em 2010 - fica no Teatro Martim Gonçalves desta quinta-feira (21) até domingo (24).

Partiste, que foi exibida pela primeira vez em 2010 com direção do próprio autor, conta a história de uma família que vive no interior da Bahia nos anos 1970 e passa por uma reviravolta quando o homem responsável pelo sustento da família, que é um caminhoneiro, morre. "Quando o luto se instala, os filhos percebem que também precisam partir, como fez o irmão mais velho deles, de quem a mão não tem notícias há muito tempo", diz Paulo Henrique.

"É a história de um ninho que vai se dissolvendo e de uma mãe que vê seus filhos irem embora. É uma peça sobre uma família que se parte", acrescenta o dramaturgo. A matriarca que cuida dos três filhos é interpretada por Márcia Limma, consagrada intérprete do solo Medeia Negra, pelo qual foi indicada como melhor atriz ao Prêmio Braskem de Teatro (2018).

Márcia Limma, protagonista de Partiste
Márcia Limma, protagonista de Partiste Crédito: Spike Luu/divulgação

"Assim como Medeia, Partiste é uma peça sobre uma mãe. Porém, as mães dos dois textos são diametralmente opostas uma à outra. E fico honrado em ver Márcia Limma, que é reconhecida nacionalmente, interpretar essa mãe de Partiste, tão diferente da mãe de Medeia Negra", comemora Paulo Henrique.

O dramaturgo também celebra o fato de quase todo o elenco feminino da nova montagem, formado por quatro atrizes, ser negro: "Acho este um fator da maior importância, esta representatividade é muito importante, porque temos ótimos atores e atrizes negros na Bahia. Foi uma escolha muito feliz de Ícaro Bittencourt [diretor da esta montagem]".

Professor e aluno

Ícaro foi aluno de Paulo Henrique, que é professor da Escola de Teatro da Ufba, onde ensina análise de texto e história do teatro. O diretor explica por que escolheu Partiste para ser sua primeira encenação: "Eu estava iluminado pela imagem que Shakespeare pôs na boca de Hamlet, reconhecendo o desejo e o papel de nós, artistas, em criarmos 'um espelho à natureza'".

Sobre o dramaturgo, Ícaro não economiza elogios: "Paulinho pinta uma aquarela verbal e aromática em que o público do interior da Bahia se reconhece nos gestos, nos sabores e na prosódia das personagens. Ele domina a forma dramática com graça, leveza e generosidade para quem vai dirigir ou interpretar".

O texto de Partiste surgiu quando Paulo Henrique ficou encarregado de preparar uma peça para a formatura de cinco alunos do curso de teatro da Faculdade Social da Bahia, em 2010, onde ele ensinava. A montagem foi muito bem recebida e, além de ter dado ao dramaturgo o Braskem de texto, foi indicada a melhor espetáculo no ano, em que Pólvora e Poesia foi a vencedora.

A peça, embora tenha nascido por causa de uma "encomenda", tem origem também numa experiência pessoal de Paulo Henrique, que, quando a escreveu vivia o luto pela morte do pai.

"Estava mobilizado pelo sentimento da saudade. Então, resgatei memórias da infância, da minha família e da família de minha mãe, no interior. Por isso, a peça tem muito do universo do interior"

Paulo Henrique Alcântara

autor de Partiste

Partiste tem outros elementos inspirados na vida do autor e até a personalidade dos personagens tem características de Paulo. "Os filhos na peça são todos um pouco de mim: Ceci, por causa do amor dela à literatura; Dolores, por causa da paixão pelo cinema e Brás, pelo amor à família e pelo romantismo dele", reconhece o autor.

Em breve, o público de Salvador terá uma segunda chance de ver outra montagem de um texto de Paulo, Maldita Seja. Como a peça é uma das concorrentes a melhor espetáculo adulto do Prêmio Braskem, voltará a cartaz numa mostra promovida pelo patrocinador da premiação, que reúne os indicados à categoria principal.

Além disso, ano que vem, tem texto novo dele chegando: Os Dias lindos de Celina Bonsucesso, com direção de Hyago Matos, mesmo diretor de Maldita Seja. O roteiro foi escrito para a atriz Yumara Rodrigues, que tem cinco décadas de carreira e vai ter nos palcos a companhia de Vivianne Laert e Veridiana Andrade, indicadas ao Prêmio Braskem por Maldita Seja.

SERVIÇO

Data: 21 a 24 de setembro, às 19h

Local: Teatro Martim Gonçalves (Escola de Teatro da UFBA/Canela)

Ingressos: R$10/inteira e R$5/meia

Venda: Sympla ou na bilheteria do Teatro Martim Gonçalves

A peça terá audiodescrição nos dias 22 e 23 de setembro