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Márcia Luz
Gabriela Cruz
Publicado em 15 de agosto de 2026 às 06:00
Dez anos de BLACKPINK mereciam uma festa daquelas. Afinal, estamos falando de Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa, quatro mulheres que saíram da Coreia do Sul para ocupar alguns dos maiores palcos do planeta, quebrar recordes, movimentar a indústria da moda e ajudar a transformar definitivamente o K-pop em um fenômeno global.>
Mas a comemoração da primeira década, completada no último dia 8 de agosto, acabou cercada por uma polêmica que deixou um gosto um pouco amargo em uma data que deveria ser só celebração. O anúncio de um encontro presencial para apenas 40 fãs, feito às vésperas do aniversário, provocou críticas dos BLINKs e repercutiu entre as próprias integrantes. Rosé contou posteriormente que sentiu “decepção e tristeza” com o que aconteceu, enquanto Jisoo também se desculpou pela maneira como a celebração foi conduzida.>
10 anos de BLACKPINK
É uma pena ver um grupo tão importante chegar a um marco dessa dimensão em meio a ruídos que poderiam ter sido evitados. Principalmente porque a relação entre BLACKPINK e seus fãs sempre foi parte fundamental dessa história. Mas seria ainda mais injusto permitir que um episódio como esse diminuísse o tamanho do que as quatro construíram.>
Porque, convenhamos: chegar aos dez anos sendo BLACKPINK não é pouca coisa. Em uma indústria veloz, competitiva e conhecida por ciclos curtos, elas permaneceram relevantes mesmo passando longos períodos sem lançamentos em grupo. Construíram carreiras individuais gigantescas e, ainda assim, conseguiram preservar algo que acontece quando os quatro nomes aparecem juntos: BLACKPINK continua sendo um acontecimento. >
Em 2026, o Guinness World Records incluiu o quarteto entre seus “Icons”. Em abril, elas já eram oficialmente o grupo musical com mais inscritos no YouTube, com 100 milhões, e o grupo com mais visualizações na plataforma, com mais de 41,7 bilhões. Também se tornaram o grupo feminino mais ouvido da história do Spotify, ultrapassando 16,9 bilhões de streams.>
Então, em vez de deixar a polêmica estragar a festa, preferimos fazer aquilo que aniversários pedem: olhar para trás.>
E motivos para celebrar não faltam.>
Em 8 de agosto de 2016, BLACKPINK surgiu oficialmente pela YG Entertainment com “Boombayah” e “Whistle”. E talvez uma das coisas mais impressionantes, quando revisitamos aquela estreia dez anos depois, seja perceber como a identidade do grupo já estava praticamente toda ali.>
A mistura de rap e pop, coreografias fortes, produções grandiosas, figurinos impecáveis e quatro integrantes com personalidades muito diferentes formava um conjunto difícil de ignorar.>
“Whistle” conquistou rapidamente as paradas sul-coreanas e, enquanto muita gente ainda estava aprendendo os nomes de Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa, começava a ficar evidente que aquele não seria apenas mais um girl group.>
Se precisamos escolher o momento em que BLACKPINK realmente explodiu para além do universo do K-pop, “Ddu-Du Ddu-Du” é uma forte candidata.>
Lançada em 2018, a música trouxe um dos refrões mais reconhecíveis da carreira e uma coreografia que atravessou fronteiras. O famoso gesto das mãos virou assinatura.>
O clipe cresceu junto com o grupo e tornou-se um fenômeno no YouTube. O impacto foi tão grande que a faixa é apontada como um dos marcos da expansão internacional do quarteto.>
É aquele tipo de música que não apenas faz sucesso. Ela cria uma era.>
Abril de 2019. Deserto da Califórnia. Um dos festivais mais importantes e influentes do planeta.>
E lá estavam elas.>
A primeira passagem do BLACKPINK pelo Coachella teve um peso que ia muito além de uma apresentação em um grande festival. Era um sinal bastante concreto de que o K-pop começava a ocupar espaços que, poucos anos antes, pareciam muito distantes.>
Para quem acompanhava o grupo desde “Boombayah”, havia também aquela deliciosa sensação de testemunhar algo crescendo diante dos próprios olhos.>
O mais interessante é que aquela apresentação ainda não seria o maior momento delas no Coachella.>
Calma. A gente chega lá.>
Em junho de 2020, BLACKPINK já era gigantesco. Mesmo assim, conseguiu ficar ainda maior.>
“How You Like That” chegou acompanhada de tudo aquilo que o grupo havia transformado em especialidade: cenários monumentais, figurinos que imediatamente viravam referência, coreografia feita para ser reproduzida e um refrão impossível de esquecer.>
Nas primeiras 24 horas, o videoclipe alcançou 86,3 milhões de visualizações, estabelecendo, naquele momento, o recorde de vídeo mais assistido no YouTube em um dia. A estreia simultânea também reuniu 1,66 milhão de espectadores.>
Era a prova de que um lançamento do BLACKPINK já não era apenas lançamento de música.>
Era evento.>
Em 2020 veio “The Album”, primeiro álbum de estúdio completo do BLACKPINK.>
Mas há algo especialmente interessante naquela fase. As colaborações começaram a dizer muito sobre o lugar que o grupo havia conquistado na indústria.>
Selena Gomez apareceu em “Ice Cream”. Cardi B, em “Bet You Wanna”. E, naquele mesmo período, Lady Gaga havia convocado as quatro para “Sour Candy”, do álbum “Chromatica”.>
A inversão de perspectiva é importante. BLACKPINK já não parecia um grupo de K-pop buscando aprovação do mercado americano. Eram estrelas pop colaborando com outras estrelas pop.>
“The Album” chegou ao segundo lugar da Billboard 200. Dois anos depois, elas iriam ainda mais longe.>
“Born Pink” chegou em 2022 com “Pink Venom”, “Shut Down” e a confiança de quem já sabia exatamente o tamanho que tinha.>
O álbum estreou no primeiro lugar da Billboard 200 e transformou BLACKPINK no primeiro grupo feminino de K-pop a liderar a principal parada de álbuns dos Estados Unidos.>
Não parou aí.>
Elas também chegaram ao número 1 da parada britânica. Com isso, tornaram-se o primeiro grupo feminino de K-pop a alcançar o topo das paradas de álbuns dos dois mercados.>
Já não havia muito o que discutir sobre a dimensão global do BLACKPINK.>
Lembra de 2019?>
Quatro anos depois, BLACKPINK voltou ao Coachella.>
Só que havia uma diferença fundamental: agora, Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa eram headliners.>
Em abril de 2023, tornaram-se o primeiro ato asiático a encabeçar o festival.>
Talvez poucas imagens contem tão bem a trajetória do BLACKPINK quanto colocar as duas apresentações lado a lado.>
Em 2019, havia quatro artistas celebrando a conquista de chegar ao Coachella. Em 2023, havia uma multidão esperando que elas comandassem a noite.>
E comandaram.>
Um dos momentos mais improváveis e deliciosamente BLACKPINK dessa história.>
Em novembro de 2023, Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa estiveram no Palácio de Buckingham e receberam MBEs honorários do rei Charles III.>
A honraria reconheceu o trabalho das integrantes como defensoras da COP26 e o uso da enorme plataforma do grupo para estimular jovens a se envolverem com questões climáticas.>
Segundo o Guinness, BLACKPINK tornou-se o primeiro grupo de K-pop a receber MBEs honorários.>
Pense na trajetória por um segundo: sete anos depois de estrearem cantando “Boombayah”, as quatro estavam diante do rei britânico sendo condecoradas.>
Icônico é uma palavra bastante adequada.>
Talvez esse seja um dos capítulos mais interessantes da história do BLACKPINK.>
Depois da renovação do contrato para as atividades do grupo, as quatro ganharam maior independência para desenvolver suas carreiras individuais. E o que poderia significar enfraquecimento da marca BLACKPINK produziu o efeito contrário.>
Jisoo aprofundou a carreira como atriz e cantora. Jennie desenvolveu uma identidade musical cada vez mais particular. Lisa expandiu sua presença internacional entre música, moda e atuação. E Rosé alcançou um dos maiores sucessos individuais já registrados por uma artista de K-pop com “APT.”, parceria com Bruno Mars.>
Os recordes individuais se multiplicaram. Lisa, por exemplo, tornou-se a primeira solista de K-pop a vencer tanto o VMA quanto o MTV EMA e levou “Money” ao bilhão de streams no Spotify. Rosé tornou-se a primeira artista a liderar uma parada global da Billboard tanto como solista quanto como integrante de um grupo.>
Foi quando ficou ainda mais evidente o segredo da formação: BLACKPINK nunca dependeu de uma única estrela.>
Eram quatro.>
Talvez este seja o momento mais simbólico justamente porque está acontecendo agora.>
Dez anos depois da estreia, BLACKPINK chega a 2026 depois de uma trajetória que poucos grupos femininos conseguem construir.>
Elas passaram por estádios, Coachella, Billboard, Buckingham Palace e dezenas de recordes. Fizeram turnês gigantescas. Seguiram caminhos individuais. Ficaram períodos afastadas como grupo. Voltaram.>
E continuamos querendo vê-las juntas.>
A comemoração dos dez anos poderia ter sido maior? Sem dúvida. Os fãs tinham razão ao esperar algo à altura dessa história. E é particularmente triste perceber, pelas manifestações das próprias integrantes, que elas também sentiram que alguma coisa se perdeu pelo caminho na celebração.>
Mas talvez exista algo bonito até nisso.>
Porque toda a repercussão revela que, depois de uma década, as pessoas ainda se importam. Muito.>
Não estamos falando de um grupo sustentado apenas pela nostalgia. Em 2026, BLACKPINK foi reconhecido pelo Guinness como o grupo feminino mais ouvido da história do Spotify e como o grupo musical mais seguido e mais assistido do YouTube.>
É difícil imaginar que aquelas quatro meninas que apareceram em 2016 pudessem prever tudo isso.>
Jisoo, Jennie, Rosé e Lisa não apenas encontraram um lugar na história do K-pop. Elas ajudaram a mudar o tamanho desse lugar.>
E se os primeiros dez anos servem de indicação, ainda há bastante rosa e preto pela frente.>