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Casados e trabalham juntos: como separar trabalho do pessoal sem brigas

"Você começa a ter que lidar com os dois papeis: profissional e pessoal. A partir daí tem que ter maturidade e compromisso", diz autora

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  • Da Redação

Publicado em 17 de agosto de 2014 às 15:45

 - Atualizado há 3 anos

Casar, morar junto e formar uma família trazem desafios constantes a um casal. Mas e trabalhar junto? O desafio pode ser maior ainda. De acordo com Clara Martins, publicitária e autora do livro “Manual do Casal que Trabalha Junto”, que será lançado no dia 28 de agosto, estar no ambiente de trabalho, todos os dias, ao lado da sua “cara metade”, requer algumas medidas e limites para que dê certo.

Segundo dados da Federação Nacional de Empresas Independentes, 43% das pequenas empresas são administradas por dois ou mais membros da mesma família, onde pelo menos um deles é o proprietário do negócio. Deste total, 53% dos gerentes compartilham a administração diária com o cônjuge, como é o caso de Clara, que gerencia há anos sua empresa ao lado do marido, John Hamilton.De início, ela tinha algumas dúvidas sobre como agir em determinadas situações com John, o que fez com que buscasse ajuda e dicas de como proceder na Internet. O assunto, porém, não era abordado na época, em 2007, obrigando Clara a aprender com seus erros e acertos. Foi então que ela começou a anotar suas próprias experiências e a observar outros casais de amigos, para servir de manual pessoal.

“É um desafio. Você começa a ter que lidar com os dois papeis: profissional e pessoal. A partir daí tem que ter maturidade e compromisso para não misturar os papeis. No início, a gente aprende com os erros. A partir daí comecei a fazer o manual por observação pessoal, para poder aprender e depois disponibilizar pros amigos, e aí acabou virando livro mesmo”, explica a publicitária, que admitiu, ainda, ter brigado algumas vezes com o marido ao ter misturado o papel de sócia e esposa.Clara procurou informações para saber como agir, mas em 2007 não encontrou respostas. Foto: DivulgaçãoClara ensina que o casal tem que depositar respeito e confiança um no outro, além de não levar os problemas de casa para o trabalho (e vice-versa). “Problemas existem em qualquer relacionamento, mas não pode atrapalhar o seu profissional nem o contrário. Levar problema do escritório pra casa também não pode. Em casa você tem que se dedicar aos seus filhos e ao seu relacionamento, seu papel de marido e mulher. Tem que ter esse jogo de cintura. Não é fácil, mas é possível. O casal que trabalha junto tem como objetivo comum ter sucesso profissional, tem que ter a visão estratégica para lidar com os papeis”.

E na prática?A separação de papeis, porém, se torna difícil para Rita e João Telles, que comandam o restaurante Saúde Brasil há mais tempo do que têm de casamento – são 26 anos de negócios e 25 de matrimônio. Eles moram no andar de cima do empreendimento e afirmam que é mais complicado se “desligar” do profissional.“Eu não gosto de ficar conversando à noite sobre trabalho com ela. Eu gosto mais de dar uma relaxada, ver um noticiário... Agora ela não se incomoda se acordar no meio da noite, sair pra jantar fora, e falar de trabalho, ela não tá nem aí”, brinca João, que é o encarregado de cuidar da produção, compras e atendimento a clientes, enquanto Rita trabalha na parte financeira e administrativa.

“Foi uma coisa natural, não tínhamos combinado. Montamos o restaurante quando ainda éramos namorados, foi uma coisa que não achamos que ia dar tão certo, fomos fazendo algo pequeno, casamos, a coisa continuou, se oficializou, e fomos aprendendo juntos a fazer o negócio. Acaba que somos um time e a gente tenta se completar. E dá super certo”, afirma Rita.O casal estabelece uma relação de mútua confiança. Mesmo que acabem não se consultando para uma decisão, no fim, eles se acertam. “Às vezes acho que ele faz coisas que não deveria ter feito sem me consultar. Às vezes acho que ele cobra barato ou que não fez o cálculo corretamente, não avaliou bem o que precisávamos em número de funcionários e aí vai gastar mais do que cobrou pra lucrar, mas nada que chegue a comprometer. Até porque eu respeito muito as decisões dele e ele as minhas. E a gente não deixa transparecer isso pros funcionários, então às vezes eu critico o que ele fez privadamente e ele critica o que eu fiz, e aí na hora a gente fica um pouco chateado, mas passa no outro dia e a gente segue adiante”.Rita e João comandam o Saúde Brasil há 26 anos. Foto: Carla Trabazo

“O que a gente mais quer é que nosso trabalho dê certo, então posso até brigar com ela, todo casal tem problemas, mas a gente não deixa interferir no trabalho. Pode ser que fique abatido, mas passa porque a coisa é rápida”, complementa João, que diz ainda que mesmo quando ele quer descansar e Rita quer falar de trabalho, eles não ficam chateados um com o outro, pois sabem que é para “o melhor do restaurante”.Praticando a individualidadeClara afirma que o casal que trabalha junto tem mais afinidade, um perfil mais parecido e, por isso, eles vão mais motivados para o trabalho, o que se torna vantajoso para a empresa. Mas o relacionamento do homem e a mulher que se veem o dia inteiro, em casa e no trabalho, pode se tornar exaustivo. A publicitária encoraja que seja praticada a individualidade de cada um.

“As relações de amizade são extremamente importantes pro casal. Tem que ter essa relação saudável. É importante estimular a individualidade, ter outros ciclos, isso só enriquece a relação. Você sai, se distrai, conversa com outros. É importante ter seu momento fora do casal. Eu sempre digo que se deve exercitar viajar com outros casais e sair com os filhos”, ensina.Já para João e Rita, o momento de individualidade se formou naturalmente. “Cada um malha em academias diferentes, mas não foi porque combinamos, foi por opção mesmo, eu tenho a minha ele tem a dele, ele nada no Yacht, eu não. Mas não tem aquela obrigatoriedade de sair só com os amigos, a gente não tem uma combinação pra não ter desgaste. E João é muito caseiro”, explica Rita, que também trabalha como arquiteta pela manhã, assim sua individualidade acontece também profissionalmente e tem dado certo todos esses anos.

“Existem casais muito mais antigos que o meu que têm extremo sucesso há mais de 20 anos, que criaram seus filhos e trouxeram eles depois pra essas empresas. Só depende de cada um. É como o casamento, que é um exercício diário, depende do casal para dar certo”, declara Clara. João e Rita agora contam com seu filho, Guilherme, de 20 anos, para ajudar nos negócios da família. Ele atualiza o site, faz críticas e dá ideias aos pais.Beijinhos, nem pensarA autora do livro deu, ainda, algumas dicas de como um casal deve se portar no ambiente de trabalho. Para ela, é importante respeitar o papel do outro para alcançar metas pessoais e financeiras e, caso o parceiro seja o chefe, deve ser respeitada a hierarquia.

“Você tem que saber que naquele momento você está como colega para ajudar ao desenvolvimento do trabalho e da empresa. Viagem a trabalho tem que ter postura de viagem e não achar que está de lua de mel. O objetivo é produzir o que a empresa deseja. Respeitar esse ambiente, porque é o lugar de retorno financeiro”.Ficar de namoro no trabalho, então, nem pensar. Clara explica que neste ambiente o casal deve se portar como profissional perante todos e, inclusive, entre eles. “Nada de ficar de beijinhos e abraços, nada de ficar mandando recadinho. Quanto mais racionalidade, mais profissional. Se quer paquerar, faça no almoço, em casa. Ambiente de trabalho é produzir pra empresa. A empresa tendo sucesso, o casal também terá sucesso. Isso estreita a relação”, afirma.