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52 mil km depois, ela finalmente parou: advogada completa 1.000 ultramaratonas em 1.000 dias

Shannon-Leigh Litt conciliou a rotina de corridas com o trabalho em período integral e chegou a correr por até oito horas e meia

  • Foto do(a) author(a) Thais Borges
  • Thais Borges

Publicado em 2 de outubro de 2026 às 15:32

Shannon-Leigh Litt percorreu cerca de 52 mil km e completou uma ultramaratona por dia durante dois anos e nove meses.
Shannon-Leigh Litt percorreu cerca de 52 mil km e completou uma ultramaratona por dia durante dois anos e nove meses Crédito: Divulgação/Guiness

Manter uma rotina de exercícios pode ser um desafio quando a vida profissional e as demais atividades ocupam grande parte do dia. Para advogada Shannon-Leigh Litt, 47 anos, moradora da Nova Zelândia, porém, a corrida se tornou um compromisso diário durante 1.000 dias consecutivos — e não apenas com treinos curtos.

A advogada criminalista trabalha em período integral, mas correu todos os dias durante 1.000 dias. Em cada uma das atividades, ela percorreu pelo menos 51 quilômetros, que é uma distância equivalente a uma ultramaratona. Uma maratona tem 42 quilômetros.

Shannon-Leigh Litt percorreu cerca de 52 mil km e completou uma ultramaratona por dia durante dois anos e nove meses por Divulgação/Guiness

Moradora de Whangarei, Shannon estima ter percorrido cerca de 52 mil quilômetros ao longo de dois anos e nove meses.“Eu acho que fiz cerca de 52.000 km [32.311 milhas] nos [últimos] dois anos e nove meses”, contou ela, em entrevista ao Guinness World Records.

Ao todo, essa distância acumulada corresponde a aproximadamente 30% a mais do que a circunferência da Terra na linha do Equador, que é de 40.075 km. “Eu provavelmente gastei cerca de 100 pares de tênis”, acrescentou.

11 de outubro: Trek Run (Feira de Santana). Mais informações em: https://www.centraldasinscricoes.com.br/evento/trek-run-2026 por Reprodução

Meta de 250 dias

Quando decidiu tentar estabelecer o recorde de maior número de dias consecutivos percorrendo uma distância de ultramaratona, na categoria feminina, Shannon tinha inicialmente como objetivo completar 250 dias. A marca anterior era de 200 dias, estabelecida pela corredora norte-americana Candice Burt.

A primeira corrida foi no dia 1º de janeiro de 2024. No início de abril daquele ano, ela já havia superado a marca da categoria masculina, que era de 100 dias, estabelecida pelo britânico David Jackson.

Seis semanas antes de iniciar a tentativa do recorde, a neozelandesa também havia se classificado de forma inesperada para o Campeonato Mundial de 100 km, depois de registrar um dos tempos mais rápidos já obtidos por uma mulher da Nova Zelândia na prova: 8 horas, 29 minutos e 5 segundos.

Ela tinha passado 14 anos treinando para participar da competição e, até ali, não conseguia atingir a classificação. Mesmo depois de finalmente conseguir uma vaga, decidiu abrir mão da participação para se concentrar na tentativa de recorde mundial.

Madrugada

De acordo com ela, conciliar a rotina de corrida com o trabalho era uma das principais dificuldades. “É difícil equilibrar uma semana de corrida com o trabalho porque o trabalho sempre aparece. Eu precisava manter uma rotina e, nos primeiros dois anos, eu acordava super cedo para fazer isso”.

As ultramaratonas frequentemente começavam entre 1h e 4h da manhã e levavam entre cinco horas e meia e seis horas e meia para serem concluídas. Mesmo as corridas realizadas posteriormente chegavam a durar cerca de oito horas e meia.

Como iniciou a tentativa na Nova Zelândia, Shannon precisava concluir cada corrida seguinte respeitando o fuso horário daquele país, segundo as regras do Guinness World Records.

Durante uma viagem a Bali, por exemplo, ela precisava terminar a ultramaratona até as 20h. Ao longo do desafio, a advogada também passou por países como Malásia, Singapura, Dubai e Austrália.

Para conseguir manter a rotina, Shannon também precisou adaptar seus períodos de descanso. Aos fins de semana, ela costumava dormir cerca de 10 horas. Durante os dias úteis, entretanto, o período de sono às vezes caía para apenas três ou quatro horas.

“Eu tentei acumular sono nos fins de semana.”

A alimentação também precisou acompanhar o alto volume de atividade física. Para abastecer o corpo durante o desafio, Shannon costumava consumir cerca de 5.500 calorias por dia.

Frio extremo, calor e imprevistos

Ao longo da tentativa, Shannon enfrentou diferentes condições climáticas e situações inesperadas. Em uma das ocasiões, na Áustria, quase desenvolveu hipotermia. Em outros locais, precisou correr sob temperaturas próximas de 40°C.

No 999º dia, outro imprevisto quase atrapalhou a sequência. Shannon saiu de casa às 5h40 para correr com um amigo, mas percebeu pouco depois que havia esquecido um dos relógios.

Quando voltou para casa, descobriu que também havia saído sem as chaves. Foi necessário esperar um chaveiro, atrasando o início da corrida.

Apesar do contratempo, a ultramaratonista conseguiu completar a distância mais tarde naquele dia. No dia seguinte, também concluiu sua última corrida mais rapidamente do que havia previsto.

Contudo, a realização do desafio gerou diferentes reações entre familiares e amigos. Segundo Shannon, nem todos apoiaram a decisão de continuar depois de alcançar a marca de 200 dias.

“Eles achavam que eu deveria parar na marca de 200", explica.“No entanto, isso apenas mostra que você precisa se concentrar no que é importante para você e no que é certo para você, e que nem todos sempre vão apoiá-lo. Muitas vezes, isso vem de um lugar de amor, e não de negatividade. E do desejo de que você seja saudável”.

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Corrida