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Carol Neves
Publicado em 4 de agosto de 2026 às 09:52
Antes de se tornar a maior referência do futebol feminino brasileiro, Marta precisou superar uma realidade bem distante dos grandes estádios e dos prêmios internacionais. A alagoana relembrou os desafios do começo da carreira, quando deixou Dois Riachos (AL) em busca de uma oportunidade no futebol profissional. >
Ainda adolescente, a jogadora fez trabalhos como lavar pratos, vender geladinhos e entregar compras para moradores da cidade em uma carroça de mão. Aos 14 anos, decidiu viajar sozinha para o Rio de Janeiro para tentar um teste em um clube.>
A ida para a capital fluminense aconteceu com pouco dinheiro e muita incerteza. Marta contou que precisou economizar durante os três dias de viagem de ônibus e escolher entre as refeições que conseguiria pagar.>
Casamento de Marta da Silva e Carrie Lawrence
“Fui com dinheirinho contado, escolhendo se almoçava ou se jantava. E não podia tomar banho, porque era pago! Fiquei três dias no ônibus nessa situação”, afirmou, em entrevista à revista Marie Claire. >
Chegada ao Vasco e referência>
A oportunidade apareceu no Vasco, onde foi aprovada e iniciou uma trajetória que a transformaria em uma das maiores atletas da história do esporte. Pelo clube e pela Seleção Brasileira, Marta acumulou seis prêmios de melhor jogadora do mundo da Fifa e se tornou a maior artilheira do Brasil, com 122 gols.>
Apesar dos feitos individuais, a camisa 10 afirma que sua maior contribuição foi ajudar a fortalecer o futebol feminino. Ela também relembrou que, no início da carreira, recebia cerca de R$ 400 por mês.>
“Muita gente lá atrás ralou, deu o sangue e jogou em campo de terra batida para que hoje as meninas tivessem uma estrutura, um reconhecimento e um apoio maiores”, disse.>
Marta também falou sobre as cobranças para conquistar uma Copa do Mundo antes de encerrar a carreira. Para ela, a pressão externa não interfere na decisão sobre quando parar.>
“Eu me conheço melhor do que ninguém. Sei dos meus limites, mas sei também da minha capacidade. E é por isso que estou jogando até hoje”, declarou.>
A jogadora destacou ainda que sua história faz parte de uma construção coletiva de outras atletas que abriram caminho para o futebol feminino no Brasil. “Não sou pioneira, sou uma continuação de um projeto de milhares de atletas que começaram antes de mim”, afirmou.>