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Crise nos bastidores: entenda os conflitos que abalaram a França e contribuíram para saída de Deschamps

Relatório do jornal L'Équipe revelou atritos entre jogadores, comissão técnica e dirigentes da Federação Francesa durante o Mundial

  • Foto do(a) author(a) Pedro Carreiro
  • Pedro Carreiro

Publicado em 21 de julho de 2026 às 17:55

Seleção Francesa
Seleção Francesa Crédito: Reprodução/FIFA

A eliminação da França na Copa do Mundo não foi marcada apenas pelo desempenho dentro de campo. Fora das quatro linhas, a seleção francesa enfrentou uma série de conflitos internos envolvendo jogadores, comissão técnica e dirigentes da Federação Francesa de Futebol (FFF).

Segundo o jornal francês L'Équipe, o desgaste nos bastidores atingiu níveis críticos durante o torneio e teve influência no encerramento do ciclo de Didier Deschamps no comando dos Bleus.

Após a derrota para a Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar, Deschamps anunciou sua saída da seleção e afirmou que a decisão estava relacionada ao ambiente interno da delegação. O treinador encerrou uma trajetória de 14 anos à frente da França, período em que conquistou a Copa do Mundo de 2018, além de ter chegado à final do Mundial de 2022.

De acordo com a publicação francesa, os problemas começaram antes mesmo da bola rolar. Um dos primeiros focos de tensão envolveu o presidente da FFF, Philippe Diallo, que declarou publicamente já saber quem assumiria o comando da seleção após Deschamps, mesmo com o treinador ainda no cargo. A declaração gerou incômodo dentro da comissão técnica e fez o dirigente voltar atrás com uma retratação.

Camisa da França para Copa do Mundo 2026 por Reprodução

Mbappé liderou cobranças contra a federação

Durante a Copa, a relação entre os atletas e a federação também ficou marcada por divergências. Um dos principais nomes envolvidos nas cobranças foi Kylian Mbappé, que teria precisado negociar diretamente com dirigentes para garantir sessões de crioterapia para os jogadores, consideradas importantes para a recuperação física durante a competição realizada nos Estados Unidos em meio a altas temperaturas.

Outro ponto de atrito envolveu a hospedagem das famílias dos atletas. Segundo o L'Équipe, os valores inicialmente previstos para os quartos sofreram aumento durante a competição: a diária, que teria sido orçada em 600 euros, passou para 900 euros após a instalação da delegação em Boston.

A reportagem também revelou críticas à logística adotada pela federação. Cerca de 120 mil euros teriam sido gastos para levar 13 integrantes do comitê executivo da entidade em classe executiva antes do confronto contra a Noruega. A decisão incomodou parte do elenco, já que havia lugares disponíveis que poderiam ter sido destinados aos familiares dos jogadores.

Além disso, dirigentes e convidados da FFF teriam recebido um serviço de alimentação considerado superior ao oferecido aos parentes dos atletas, aumentando o sentimento de insatisfação dentro da delegação.

Kylian Mbappé (França): 10 gols e 3 assistências por Reprodução/FIFA

Disputa por bônus aumentou desgaste entre Mbappé e presidente da FFF

Outro episódio de tensão envolveu a política de premiações da seleção francesa. Segundo o jornal, Philippe Diallo defendia que os bônus fossem pagos apenas em caso de classificação para as semifinais da Copa, proposta que não agradou aos jogadores.

Mbappé teria questionado diretamente o presidente durante as negociações: "Presidente, esta é a sua primeira Copa do Mundo; para mim, é a terceira. O senhor realmente acha que chegar às oitavas ou quartas de final não tem valor?"

Após o diálogo, a federação teria alterado alguns pontos do acordo, aumentando de seis para oito o número de ingressos destinados às famílias dos atletas e revisando os valores das premiações.

Troca no comando da segurança também gerou desconforto

A crise interna também atingiu a estrutura da comissão técnica. Conforme relatado pelo L'Équipe, a publicação de uma vaga para substituir Mohamed Sanhadji, chefe de segurança da seleção desde 2004, causou surpresa entre os jogadores.

Considerado uma figura próxima ao elenco e respeitada pelos atletas, Sanhadji teria perdido espaço dentro da federação antes mesmo do início da Copa, movimento que aumentou a sensação de instabilidade nos bastidores.

Com uma sequência de conflitos envolvendo decisões administrativas, disputas internas e cobranças dos jogadores, o ambiente da seleção francesa teria se deteriorado ao longo do Mundial. O time chegou com 100% de aproveitamento à semifinal, com 16 gols marcados em 6 jogos, mas foi dominado pela campeã Espanha e depois perdeu a disputa de terceiro lugar para Inglaterra. 

Tags:

Copa do Mundo Mbappé França