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Pedro Carreiro
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 18:15
O presidente do Vitória, Fábio Mota, voltou a cobrar publicamente o Grêmio pelo pagamento das parcelas referentes à contratação do zagueiro Wagner Leonardo. Em entrevista à Rádio Grenal nesta quarta-feira (10), o dirigente afirmou que o débito do clube gaúcho com o Rubro-Negro é de US$ 2,5 milhões e voltou a chamar o adversário de “caloteiro”. >
A divergência entre os clubes está justamente no valor da dívida. O Grêmio reconhece uma pendência de US$ 1 milhão, enquanto Fábio Mota sustenta que o contrato prevê o vencimento de todas as parcelas restantes caso uma delas permaneça em aberto por mais de 60 dias.>
“A partir do momento que uma parcela é vencida e passam 60 dias de inadimplência, vence todo o contrato. Hoje, juridicamente, a dívida do Grêmio é de 2,5 milhões de dólares”, explicou Fábio Mota. >
Campanha do Vitória na Série A
Segundo o dirigente, o Vitória recebeu a primeira parcela da negociação, mas deixou de receber os pagamentos seguintes. O clube baiano, de acordo com Mota, havia incluído os valores da transferência no planejamento financeiro da temporada e precisou alterar o orçamento diante do atraso.>
“Um furo de R$ 15 milhões no orçamento é muito grande. O que eu tive que fazer? Suspendi pagamentos de comissões para empresários, suspendi pagamentos aos clubes que passei a dever e passei a discutir para reparcelar as dívidas. Criou-se um constrangimento muito grande”, afirmou.>
Mota citou como exemplo compromissos que o Vitória esperava quitar com o dinheiro da negociação de Wagner Leonardo. Entre eles estão parcelas das contratações de Erick, junto ao São Paulo, e Baralhas, adquirido do Atlético-GO.>
“Contamos com esse dinheiro para pagar uma parcela de Erick ao São Paulo. Contamos com esse dinheiro para pagar uma parcela de Baralhas ao Atlético-GO. O Grêmio fez quase R$ 100 milhões em vendas, ignorou nossas cobranças e levamos um transfer ban da Fifa porque o contrato estava espelhado com o do Portimonense”, disse.>
O transfer ban ocorreu após o Portimonense, de Portugal, que detinha 30% dos direitos econômicos de Wagner Leonardo, acionar a FIFA. Como o Vitória não havia recebido do Grêmio os valores previstos na negociação, precisou quitar a pendência com o clube português para retirar a punição.>
“Só estou explicando para você entender a história real. O Vitória teve que pagar o Portimonense para tirar o transfer ban porque o Grêmio não pagou o Vitória”, declarou.>
O presidente rubro-negro também afirmou que tentou resolver a situação diretamente com Odorico Roman, presidente do Grêmio, durante cerca de oito meses. Segundo Mota, o dirigente gaúcho teria condicionado os pagamentos à venda de jogadores, mas os valores não foram repassados mesmo após o clube realizar negociações.>
“Eu passei oito meses falando com o Odorico, falando pessoalmente, mandando mensagem, ligando. Oito meses querendo uma satisfação. Ele me disse: ‘Quando eu vender o primeiro jogador, te pago’. Vendeu o primeiro, eu liguei. Vendeu o segundo, eu liguei. Vendeu o terceiro, eu liguei”, relatou.>
Campanha do Vitória na Série A
Mota ainda lamentou a ausência de Odorico Roman no Barradão na partida entre Vitória e Grêmio, vencida pelo Leão por 1x0 na última segunda-feira (7). O dirigente esperava aproveitar o encontro para discutir uma nova forma de pagamento da dívida.>
“Não apareceram no estádio. Odorico não estava aqui. Isso me irritou mais ainda. Satisfação também paga dívida. Eu esperava que ele viesse aqui fazer o novo plano de parcelamento, para que eu pudesse acalmar quem está me cobrando por eu não ter recebido do Grêmio. Simplesmente ignoraram”, afirmou.>
O Grêmio informou que o departamento de futebol estava representado no Barradão pelo vice-presidente de futebol Rafael Lima e pelo executivo Paulo Pelaipe. Mota, porém, afirmou que os representantes presentes não tinham autonomia para tratar da questão.>
“Apenas o chefe da delegação estava no Barradão, mas ele não tem autonomia para isso. Era para ser uma conversa de presidente para presidente”, disse.>
Sem acordo direto com a atual direção gremista, o Vitória decidiu recorrer à agência de Fair Play para tentar receber os valores. De acordo com Fábio Mota, o clube já registrou a cobrança de duas parcelas e aguarda uma decisão sobre a execução da dívida.>
“Entramos na agência do Fair Play. Fizemos a inscrição da primeira parcela, hoje fizemos a inscrição da segunda parcela. A agência do Fair Play me disse que em novembro dá a decisão e como vai ser feito”, explicou.>
O dirigente encerrou afirmando que, neste momento, não pretende retomar as conversas diretamente com a direção do Grêmio. “Nesse momento não tenho mais conversa com o Grêmio. Zero, zero, zero”, afirmou.>