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Fábio Mota volta a chamar o Grêmio de 'time caloteiro' e explica dívidas do clube com o Vitória

Dirigente afirma que clube gaúcho deve US$ 2,5 milhões pela contratação de Wagner Leonardo e diz que não pretende mais negociar diretamente com a atual diretoria

  • Foto do(a) author(a) Pedro Carreiro
  • Pedro Carreiro

Publicado em 10 de setembro de 2026 às 18:15

Fábio Mota, presidente do Esporte Clube Vitória
Fábio Mota, presidente do Esporte Clube Vitória Crédito: Victor Ferreira/EC Vitória

O presidente do Vitória, Fábio Mota, voltou a cobrar publicamente o Grêmio pelo pagamento das parcelas referentes à contratação do zagueiro Wagner Leonardo. Em entrevista à Rádio Grenal nesta quarta-feira (10), o dirigente afirmou que o débito do clube gaúcho com o Rubro-Negro é de US$ 2,5 milhões e voltou a chamar o adversário de “caloteiro”.

A divergência entre os clubes está justamente no valor da dívida. O Grêmio reconhece uma pendência de US$ 1 milhão, enquanto Fábio Mota sustenta que o contrato prevê o vencimento de todas as parcelas restantes caso uma delas permaneça em aberto por mais de 60 dias.

“A partir do momento que uma parcela é vencida e passam 60 dias de inadimplência, vence todo o contrato. Hoje, juridicamente, a dívida do Grêmio é de 2,5 milhões de dólares”, explicou Fábio Mota.

Vitória 2x0 Remo - 1ª rodada por Victor Ferreira/EC Vitória

Segundo o dirigente, o Vitória recebeu a primeira parcela da negociação, mas deixou de receber os pagamentos seguintes. O clube baiano, de acordo com Mota, havia incluído os valores da transferência no planejamento financeiro da temporada e precisou alterar o orçamento diante do atraso.

“Um furo de R$ 15 milhões no orçamento é muito grande. O que eu tive que fazer? Suspendi pagamentos de comissões para empresários, suspendi pagamentos aos clubes que passei a dever e passei a discutir para reparcelar as dívidas. Criou-se um constrangimento muito grande”, afirmou.

Mota citou como exemplo compromissos que o Vitória esperava quitar com o dinheiro da negociação de Wagner Leonardo. Entre eles estão parcelas das contratações de Erick, junto ao São Paulo, e Baralhas, adquirido do Atlético-GO.

“Contamos com esse dinheiro para pagar uma parcela de Erick ao São Paulo. Contamos com esse dinheiro para pagar uma parcela de Baralhas ao Atlético-GO. O Grêmio fez quase R$ 100 milhões em vendas, ignorou nossas cobranças e levamos um transfer ban da Fifa porque o contrato estava espelhado com o do Portimonense”, disse.

O transfer ban ocorreu após o Portimonense, de Portugal, que detinha 30% dos direitos econômicos de Wagner Leonardo, acionar a FIFA. Como o Vitória não havia recebido do Grêmio os valores previstos na negociação, precisou quitar a pendência com o clube português para retirar a punição.

“Só estou explicando para você entender a história real. O Vitória teve que pagar o Portimonense para tirar o transfer ban porque o Grêmio não pagou o Vitória”, declarou.

O presidente rubro-negro também afirmou que tentou resolver a situação diretamente com Odorico Roman, presidente do Grêmio, durante cerca de oito meses. Segundo Mota, o dirigente gaúcho teria condicionado os pagamentos à venda de jogadores, mas os valores não foram repassados mesmo após o clube realizar negociações.

“Eu passei oito meses falando com o Odorico, falando pessoalmente, mandando mensagem, ligando. Oito meses querendo uma satisfação. Ele me disse: ‘Quando eu vender o primeiro jogador, te pago’. Vendeu o primeiro, eu liguei. Vendeu o segundo, eu liguei. Vendeu o terceiro, eu liguei”, relatou.

Vitória 2x0 Remo - 1ª rodada por Victor Ferreira/EC Vitória

Mota ainda lamentou a ausência de Odorico Roman no Barradão na partida entre Vitória e Grêmio, vencida pelo Leão por 1x0 na última segunda-feira (7). O dirigente esperava aproveitar o encontro para discutir uma nova forma de pagamento da dívida.

“Não apareceram no estádio. Odorico não estava aqui. Isso me irritou mais ainda. Satisfação também paga dívida. Eu esperava que ele viesse aqui fazer o novo plano de parcelamento, para que eu pudesse acalmar quem está me cobrando por eu não ter recebido do Grêmio. Simplesmente ignoraram”, afirmou.

O Grêmio informou que o departamento de futebol estava representado no Barradão pelo vice-presidente de futebol Rafael Lima e pelo executivo Paulo Pelaipe. Mota, porém, afirmou que os representantes presentes não tinham autonomia para tratar da questão.

“Apenas o chefe da delegação estava no Barradão, mas ele não tem autonomia para isso. Era para ser uma conversa de presidente para presidente”, disse.

Sem acordo direto com a atual direção gremista, o Vitória decidiu recorrer à agência de Fair Play para tentar receber os valores. De acordo com Fábio Mota, o clube já registrou a cobrança de duas parcelas e aguarda uma decisão sobre a execução da dívida.

“Entramos na agência do Fair Play. Fizemos a inscrição da primeira parcela, hoje fizemos a inscrição da segunda parcela. A agência do Fair Play me disse que em novembro dá a decisão e como vai ser feito”, explicou.

O dirigente encerrou afirmando que, neste momento, não pretende retomar as conversas diretamente com a direção do Grêmio. “Nesse momento não tenho mais conversa com o Grêmio. Zero, zero, zero”, afirmou.

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Vitória Grêmio Fábio Mota