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Pedro Carreiro
Publicado em 20 de julho de 2026 às 16:59
Quase nove anos após o crime, a Justiça da Bahia condenou o homem responsável por criar uma montagem de cunho racista contra as torcedoras do Bahia Edna Matos e Dandara Matos. A sentença foi proferida em junho deste ano pelo juiz Moacyr Pitta Lima, titular da 9ª Vara Criminal de Salvador, que fixou pena de dois anos e quatro meses de reclusão. A decisão ainda cabe recurso. >
O caso aconteceu em 2017, antes de uma partida entre Bahia e Grêmio. Na ocasião, Edna e Dandara, mãe e filha, foram marcadas em uma publicação nas redes sociais que comparava as duas torcedoras negras do Esquadrão a torcedoras brancas do clube gaúcho. A montagem ganhou repercussão e foi compartilhada diversas vezes na internet.>
Em 2023, antes de um novo duelo entre Bahia e Grêmio pelas quartas de final da Copa do Brasil, a imagem voltou a circular nas redes sociais. Na época, o Esporte Clube Bahia informou que prestaria apoio jurídico às torcedoras. O homem condenado, no entanto, é o autor da publicação original, feita em 2017.>
Embora tenha sido condenado à prisão, o réu teve a pena substituída por prestação de serviços à comunidade e pelo pagamento de três salários mínimos a instituições beneficentes que atuam no combate ao racismo, além de multa e das custas processuais.>
Para Edna, a decisão representa um importante reconhecimento da violência sofrida. "Essas decisões são importantes porque reconhecem, oficialmente, que houve um crime. A vítima teve seus direitos violados. Não foi piada nem opinião. Sentenças condenatórias desestimulam as práticas discriminatórias, uma vez que mostram que elas serão punidas”, afirmou. >
Edna também relembrou o impacto causado pelo episódio. "Na época, eu estava em Lisboa com minha filha e o impacto inicial foi uma sensação muito ruim”, lamentou. >
Dandara, que é pesquisadora, afirmou que o caso teve consequências profundas para sua saúde mental e sua carreira. "O impacto psicológico em minha vida foi terrível. Precisei fazer terapia e me afastar do processo jurídico para conseguir voltar a escrever”, relembrou. >
Ao comentar o desfecho do processo, Edna disse que a condenação trouxe sensação de justiça para ela e a família."O momento em que lemos a decisão foi emocionante. Não apenas para nós duas, mas para os amigos e nossa família que, embora sofressem juntos, nos apoiaram em todos os sentidos, para que tivéssemos forças para seguir adiante. A sensação de que foi feita a justiça é muito boa!”, destacou. >
O caso foi lembrado durante as comemorações pelos 16 anos do Estatuto da Igualdade Racial. Para o desembargador Lidivaldo Reaiche, presidente da Comissão Permanente de Igualdade, Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos Humanos do Tribunal de Justiça da Bahia, a legislação fortalece políticas voltadas ao enfrentamento da discriminação.>
"O Estatuto da Igualdade Racial não prevê crimes, mas uma série de providências e de políticas afirmativas em benefício da igualdade e da promoção da garantia de progresso das comunidades negras”, explicou. >