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Nadador relatou alucinações em reta final da travessia de 55 horas no Mar Báltico

Após mais de 52 horas de nado, Kubkowski já avistava a costa polonesa e estava a 8 quilômetros de concluir trajeto de 160 km entre Suécia e Polônia

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 5 de agosto de 2026 às 17:13

10 curiosidades sobre a travessia histórica do Mar Báltico que transformou Bartłomiej Kubkowski em lenda da natação
Bartłomiej Kubkowski após concluir travessia do Mar Báltico  Crédito: Reprodução Instagram/@b.kubkowski

O ultramaratonista aquático polonês Bartłomiej Kubkowski passou a apresentar alucinações quando entrou na fase decisiva da inédita travessia do Mar Báltico entre a Suécia e a Polônia, concluída na segunda-feira (4) e considerada um marco inédito na modalidade: foram cerca de 160 quilômetros percorridos em 55 horas ininterruptas.

Em atualização divulgada por sua equipe nas redes sociais, o atleta havia ultrapassado 52 horas de nado ininterrupto e enfrentava o trecho considerado mais difícil de todo o desafio.  Neste momento, ele começou a apresentar alucinações cada vez mais frequentes.

Segundo o relato, Kubkowski apresentava indicativos de extremo desgaste físico e mental provocado pela privação prolongada de sono. A equipe informou que o nadador também apresentou episódios de microssono, breves lapsos involuntários de consciência causados pela exaustão.

Não foi na primeira tentativa: antes de fazer história, Bartłomiej Kubkowski já havia tentado cruzar o Mar Báltico sem sucesso. Foram anos de preparação, ajustes na estratégia e persistência até completar a travessia inédita por Reprodução Instagram/@b.kubkowski

Naquele momento, restavam cerca de 8 quilômetros para a chegada. Apesar do cansaço extremo, a equipe de apoio informou que a costa polonesa já podia ser avistada, assim como a embarcação de suporte vista da praia, aumentando a expectativa pela conclusão da travessia histórica.

Ele não podia receber qualquer apoio físico da equipe de acompanhamento nem tocar na embarcação de suporte, sendo alimentado e hidratado apenas durante rápidas paradas ao lado do barco - como determinam as regras das grandes travessias em águas abertas.

As condições do Mar Báltico tornaram o desafio ainda mais complexo: além da temperatura da água, que exigiu resistência ao frio, o atleta enfrentou correntes marítimas variáveis e mudanças constantes no estado do mar. Em diversos momentos, a navegação precisou ser ajustada para compensar o desvio provocado pelas correntes, aumentando o desgaste físico e mental ao longo da travessia.

A conquista foi resultado de anos de tentativas. Kubkowski havia fracassado em cinco desafios anteriores: a primeira tentativa havia ocorrido em 2022, quando Kubkowski precisou abandonar a prova após nadar 115 quilômetros durante 32 horas consecutivas.

O nadador é detentor do recorde mundial de maior distância percorrida em 24 horas em piscina, marca que reforça sua reputação como um dos principais ultramaratonistas aquáticos da atualidade.

Após deixar a água, o polonês afirmou que o cansaço era tão intenso que ainda não conseguia compreender completamente o tamanho da conquista. "Estou tão cansado que ainda não sei o que aconteceu", resumiu o atleta.

Kubkowski aproveitou a visibilidade do feito para arrecadar recursos destinados a instituições que apoiam crianças e jovens em tratamento contra o câncer na Polônia, a Fundação Cancer Fighters.

Tags:

Natação Bartłomiej Kubkowski mar Báltico