Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Pedro Carreiro
Publicado em 17 de agosto de 2026 às 16:33
As novas regras de arbitragem implementadas pela CBF na 23ª rodada do Campeonato Brasileiro já apresentaram resultados no tempo de bola em jogo dos confrontos disputados no último fim de semana. A média passou de 52 minutos e 54 segundos, registrada nas 22 primeiras rodadas da competição, para 55 minutos e 29 segundos nos nove primeiros jogos da atual jornada. A rodada será encerrada nesta segunda-feira (17), com o confronto entre Internacional e Remo, no Beira-Rio.
>
O novo índice já supera as médias de algumas das principais ligas europeias. No Brasileirão, foram 55min29s de bola em jogo, contra 55min23s na Premier League, 55min08s na LaLiga e 54min28s no Campeonato Italiano. A marca, porém, ainda está abaixo da meta estabelecida pela CBF. A entidade pretende alcançar, no curto prazo, aproximadamente 57 minutos de bola rolando por partida. Com os números dos nove primeiros jogos, a média da competição está 1 minuto e 31 segundos abaixo do objetivo.>
Ainda assim, a primeira avaliação da CBF sobre a implementação das novas regras é positiva. "Esse primeiro fim de semana com a implementação das novas regras traz um balanço muito positivo. Ainda é prematuro falar em uma consolidação dos resultados, mas já foi possível perceber avanços importantes em diversos jogos", afirmou Netto Góes, diretor de Arbitragem da CBF.>
"O aumento do tempo de bola rolando contribui diretamente para um jogo mais fluido, mais dinâmico e, principalmente, para a entrega de um produto cada vez melhor ao torcedor", completou.>
Campanha do Bahia na Série A
O Bahia foi um dos clubes que chegaram à rodada com tempo de bola rolando acima da média do campeonato. Antes da implementação das novas regras, as partidas do Tricolor registravam 53min47s de bola em jogo, o equivalente a 51,7% do tempo total. O índice colocava o clube na sexta posição do ranking elaborado pela CBF Academy. >
Na estreia das novas medidas, o Bahia manteve o bom desempenho no quesito. O empate por 3x3 com a Chapecoense, na Arena Condá, teve 56min39s de bola em jogo, o quinto maior tempo entre os nove confrontos analisados pela CBF. Com isso, o duelo ficou 2min52s acima da média anterior do Bahia e 1min10s acima da nova média geral da rodada.>
Vale lembrar que o jogo ainda teve uma situação de atendimento médico quando David Duarte passou mal e vomitou no gramado ainda no primeiro tempo, recebeu assistência médica e permaneceu na partida, aumentando assim o tempo de bola parada.>
Campanha do Bahia na Série A
No caso do Vitória, o avanço aparece na comparação com o índice que o clube apresentava antes da mudança. O Rubro-Negro tinha uma média de 50min48s, correspondente a 49,2% do tempo total, e ocupava a 18ª posição no ranking da CBF Academy. >
Contra o Botafogo, no Barradão, o Vitória venceu por 1x0 em uma partida que teve 52min45s de bola rolando. O número representa um aumento de 1min57s em relação à média anterior do clube. Apesar da evolução, o confronto ficou abaixo da nova média geral da rodada, com diferença de 2min44s para os 55min29s registrados nos nove jogos.>
A partida, porém, teve destaque na estreia do novo pacote de arbitragem por outro motivo. Após o apito final, Arthur Cabral, do Botafogo, foi expulso depois de cobrir deliberadamente a boca durante uma discussão com o técnico Jair Ventura. Foi a primeira aplicação do chamado protocolo Vini Jr., previsto nas novas regras.>
Campanha do Bahia na Série A
Os números divulgados pela CBF mostram que a melhora não ficou restrita a uma ou duas partidas. Dos nove confrontos realizados na rodada, seis tiveram mais de 55 minutos de bola rolando. >
O maior índice foi registrado em Athletico-PR x Red Bull Bragantino, com 60min18s, seguido por São Paulo x Coritiba, com 58min30s, e Atlético-MG x Grêmio, com 57min04s. No outro extremo, Vasco x Santos teve o menor tempo de bola rolando, com 49min20s.>
As novas regras foram adotadas para diminuir o tempo perdido durante as partidas. Entre as medidas estão a contagem de cinco segundos em laterais e tiros de meta quando houver demora proposital, o limite de tempo para a saída de jogadores substituídos e a permanência mínima de um minuto fora do campo para atletas que receberem atendimento médico. >
Também foi determinado que apenas os capitães se aproximem do árbitro em situações específicas e passou a valer o protocolo Vini Jr., que prevê a expulsão em casos de comunicação considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória com o jogador cobrindo deliberadamente a boca.>
Sandro Meira Ricci, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, destacou a necessidade de adaptação de todos os envolvidos. "Estamos falando de uma mudança significativa, que exige adaptação de todos os envolvidos. Tivemos uma preparação importante dos nossos árbitros, mas também contamos com a compreensão e a cooperação dos clubes, atletas e comissões técnicas", afirmou.>
"Esse primeiro fim de semana demonstra que, quando arbitragem e futebol trabalham de forma integrada, conseguimos avançar na construção de um jogo mais dinâmico, com mais bola em campo e uma experiência melhor para quem acompanha o Campeonato Brasileiro", disse Ricci.>
O presidente da Comissão de Arbitragem também apontou os próximos pontos que devem ser trabalhados pela entidade. "Tivemos uma melhora, mas buscaremos um avanço ainda maior, principalmente com uma atitude mais proativa dos árbitros pra agilizar os reinícios das partidas e com um tempo de acréscimo mais consistente com o tempo perdido com jogo parado", completou.>
Além da Série A, as novas regras serão adotadas na Série B, a partir desta semana, na Copa do Brasil masculina e feminina e no Campeonato Brasileiro Feminino A1.>