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Pedro Carreiro
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 17:35
Mensagens encontradas pela Polícia Civil do Espírito Santo e apontadas como indícios de uma possível relação do atacante David Corrêa com integrantes de um grupo investigado na Operação “A Tropa” foram divulgadas nesta quinta-feira (3). Revelado pelo Vitória e atualmente no Vasco, o jogador foi alvo de um mandado de busca e apreensão na última segunda-feira (31), no Rio de Janeiro, e teve dois celulares apreendidos. >
A operação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de envolvimento com tráfico interestadual de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro. No caso de David, a Polícia Civil busca esclarecer se o jogador mantinha algum tipo de relação com integrantes do grupo e se os contatos identificados em seus aparelhos têm ligação com as atividades criminosas apuradas.>
As conversas que levaram o nome do atacante ao radar das autoridades foram encontradas durante a análise de um celular apreendido em uma apuração sobre uma tentativa de homicídio ocorrida na Serra, no Espírito Santo. A partir do conteúdo do aparelho, os policiais identificaram diálogos envolvendo pessoas que posteriormente apareceram entre os alvos da Operação “A Tropa”.>
Relembre a trajétoria de David
Um dos trechos destacados pelo delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, envolve David e Édson Vander da Silva Júnior, ex-agente do jogador.>
Segundo o delegado, Júnior repassou ao atacante informações sobre uma pessoa que havia sido alvo de uma tentativa de homicídio. A conversa abordava a motivação atribuída ao ataque e também o estado de saúde da vítima. Na sequência, de acordo com a Polícia Civil, David respondeu: “mereceu tomar uns tiros mesmo”.>
O ataque teria ocorrido em meio a uma disputa pelo controle do tráfico de drogas. A vítima foi sequestrada e baleada por suspeita de transmitir informações a um grupo rival, mas conseguiu fugir.>
Outro diálogo apresentado pelas autoridades envolve uma fotografia de uma pistola que teria sido enviada por Júnior a David. Conforme o delegado, o jogador respondeu à imagem com a mensagem: “tem que matar um para ver de qual é”.>
A terceira conversa citada pela Polícia Civil trata de um veículo. Segundo Rodrigo Sandi Mori, Ruan de Freitas Camargo Cruz, apontado como suspeito de ser o autor dos disparos na tentativa de homicídio, teria pedido a Júnior que intermediasse um contato com David para conseguir dinheiro emprestado e trocar um Fiat Argo.>
De acordo com os investigadores, o carro seria o mesmo utilizado no ataque e estaria “queimado”, expressão usada pelos envolvidos para indicar que o veículo teria ficado comprometido após ser utilizado no crime.>
O conteúdo das conversas levou a Polícia Civil a levantar a hipótese de que David pudesse ter relação com o financiamento do tráfico de drogas na região. “Essas mensagens chamaram a nossa atenção sobre um possível financiamento do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada 3 por parte do investigado”, afirmou Rodrigo Sandi Mori.>
Ainda segundo o delegado, Júnior e Ruan teriam assumido o controle do tráfico de drogas nos bairros Serra Dourada 2 e 3. Os dois estão presos no Centro de Detenção Provisória de Viana, no Espírito Santo, desde agosto de 2024.>
Após ser alvo da operação, David prestou depoimento às autoridades. Segundo as informações divulgadas depois da ação, o jogador admitiu conhecer pessoas ligadas ao caso, mas negou qualquer envolvimento com tráfico de drogas ou armas. O empresário André Cury também afirmou que o atacante não possui qualquer ligação com o crime organizado. >
O Vasco acompanhou o cumprimento do mandado no centro de treinamento e afirmou que está colaborando com as autoridades. O diretor de futebol do clube, Admar Lopes, declarou que David continuará trabalhando normalmente e permanecerá à disposição da equipe enquanto o caso é apurado. >
David, inclusive, entrou em campo na quarta-feira (2), no Barradão, contra o Vitória, pelo jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil. Após a classificação do Vasco, o atacante fez um gesto simulando uma arma com as mãos durante a comemoração.>