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'Proibir não é proteger': Setor de apostas protesta contra o fim das bets durante clássico do Brasileirão

Mensagens contra a medida provisória foram exibidas durante São Paulo x Santos

  • Foto do(a) author(a) Pedro Carreiro
  • Pedro Carreiro

Publicado em 3 de outubro de 2026 às 07:58

Protesto nas placas de publicidade do Brasileirão durante São Paulo x Santos, no Morumbis
Protesto nas placas de publicidade do Brasileirão durante São Paulo x Santos, no Morumbis Crédito: Divulgação

Entidades do setor de apostas usaram o clássico entre São Paulo e Santos, nesta sexta-feira (2), no MorumBis, para protestar contra a medida provisória que proibiu as bets no Brasil. Durante a partida, vencida pelo Peixe por 2x1 em jogo atrasado da 21ª rodada do Campeonato Brasileiro, os painéis de LED à beira do gramado exibiram frases como "Proibir não é proteger" e "A proibição não acaba com as apostas".

O protesto se repete neste sábado (3), em Atlético-MG x Bragantino, às 18h30, na Arena MRV, partida também adiada da mesma rodada.

A ação foi organizada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), e empresas ligadas às duas entidades cederam seus espaços publicitários nos estádios.

As frases fazem parte de um manifesto que as associações assinaram com operadoras que tinham licença para atuar no país. Segundo o documento, a proibição não elimina as apostas, apenas deixa os apostadores sem proteção.

O texto também alerta para o avanço do mercado clandestino, que, de acordo com as entidades, é explorado pelo crime organizado para aplicar golpes digitais contra a população mais vulnerável. As associações afirmam ainda que as plataformas ilegais passaram a dominar o mercado brasileiro desde a edição da MP.

Mesmo com a medida em vigor, o São Paulo entrou em campo com o patrocínio master de uma casa de apostas na camisa. O clube se apoiou no prazo previsto na própria MP, que dá aos times até a próxima segunda-feira (5) para retirar as marcas dos uniformes.

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Impacto no futebol

A Medida Provisória nº 1.394/2026 foi editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de setembro. O texto veta a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país, o que inclui apostas esportivas e jogos online. O governo justifica a decisão pelo endividamento das famílias e pelos problemas de saúde associados ao jogo.

O futebol está entre os setores mais atingidos. Quando a MP foi publicada, 14 dos 20 clubes da Série A tinham casas de apostas como patrocinadoras master.

A medida tem força de lei desde a publicação, mas precisa ser votada pelo Congresso. A vigência inicial é de 60 dias. Se a votação não for concluída nesse prazo, ela é prorrogada automaticamente uma única vez, por igual período.

O que diz o governo

Também nesta sexta, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, informou que o governo já encaminhou mais de 10 mil sites de apostas ilegais para bloqueio desde o início da proibição. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, eles se somam a cerca de 78 mil páginas derrubadas antes da publicação da MP.

Lima e Silva anunciou ainda a criação de um departamento de fiscalização na Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon). Além das bets, o órgão vai acompanhar outros temas, como o mercado de combustíveis. A Polícia Federal também terá uma coordenação-geral dedicada a investigar lavagem de dinheiro ligada às apostas.

Tags:

Brasileirão são Paulo Santos Bets