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Pedro Carreiro
Publicado em 18 de maio de 2026 às 21:49
A convocação para a Copa do Mundo representa o auge da carreira para muitos jogadores. No entanto, ao contrário do que muita gente imagina, os atletas da Seleção Brasileira não recebem um salário fixo da CBF durante o período em que defendem o país no Mundial. >
Na prática, a convocação representa uma interrupção temporária do contrato de trabalho do jogador com seu clube. Apesar de o atleta estar à disposição da Seleção durante esse período, o vínculo empregatício com a equipe de origem continua ativo normalmente.>
A relação do jogador profissional com a Seleção Brasileira funciona como uma prestação de serviço de natureza civil ao país, sem romper o contrato existente com o clube empregador. Além disso, os atletas convocados não são obrigados a servir à Seleção, já que possuem o direito de recusar uma convocação por vontade própria.>
Veja os 26 convocados da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2026
Mesmo atuando pela equipe nacional, o jogador segue tendo o tempo de serviço contabilizado normalmente pelo clube. Por isso, a entidade empregadora continua responsável pelo pagamento integral dos salários e demais encargos trabalhistas durante o período da convocação.>
Enquanto defendem a Seleção Brasileira, os atletas recebem da confederação convocante apenas premiações relacionadas à participação e ao desempenho em competições e amistosos. Trata-se de uma espécie de retribuição pela prestação de serviço ao país.>
Para a Copa do Mundo de 2026, a CBF acertou uma bonificação de 1 milhão de dólares, cerca de R$ 5,2 milhões, para cada jogador em caso de conquista do hexacampeonato. O valor é semelhante ao que vinha sendo prometido pela entidade em edições anteriores do torneio.>
O técnico Carlo Ancelotti também terá direito a uma premiação especial caso o Brasil conquiste a Copa do Mundo. O treinador italiano poderá receber 5 milhões de euros, aproximadamente R$ 30 milhões, além do salário mensal de R$ 5 milhões acordado com a CBF.>
Além da premiação aos jogadores e à comissão técnica, a própria Seleção Brasileira pode render uma quantia milionária à CBF. Caso conquiste o título mundial, a entidade poderá receber até 50 milhões de dólares da FIFA, valor que gira em torno de R$ 260 milhões.>
A legislação brasileira prevê proteção financeira aos clubes que cedem atletas para a Seleção. O artigo 41 da Lei Pelé determina que a confederação convocante deve indenizar os clubes pelos encargos trabalhistas referentes ao período em que o jogador estiver à disposição da equipe nacional. >
Outro ponto importante envolve possíveis lesões sofridas durante a convocação. Caso um atleta tenha algum problema físico defendendo a Seleção Brasileira, a entidade convocadora pode ser responsabilizada pelo custeio da recuperação ou até pela indenização ao clube pelos prejuízos causados.>
Por conta disso, os clubes recebem compensações financeiras pela liberação dos jogadores. Desde 2010, a FIFA mantém o chamado Programa de Benefícios de Clubes, criado justamente para recompensar as equipes que cedem atletas para a Copa do Mundo.>
Recordes que podem ser quebrados na Copa do Mundo de 2026
Para a edição de 2026, a entidade anunciou um aporte recorde de 355 milhões de dólares, cerca de R$ 2 bilhões, que serão distribuídos entre os clubes participantes do programa. O valor representa um crescimento de 69% em relação à Copa do Mundo de 2022, disputada no Catar, quando o total distribuído foi de 209 milhões de dólares.>
Na última edição do Mundial, cada clube recebeu 10.950 dólares por dia por atleta convocado. Para 2026, a estimativa é de aproximadamente 11 mil dólares diários, cerca de R$ 54 mil na cotação atual.>
Mesmo em caso de eliminação ainda na fase de grupos, cada clube deve receber cerca de 250 mil dólares por jogador convocado. Com isso, equipes que tiverem vários representantes na Copa poderão faturar milhões apenas pela liberação dos atletas durante o torneio.>