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Muito além dos robôs: como a robótica do SESI Bahia prepara estudantes para desafios da vida

Metodologia completa 20 anos na rede desenvolvendo criatividade, trabalho em equipe e resolução de problemas

  • Foto do(a) author(a) Estúdio Correio
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  • Estúdio Correio

  • Gabriela Araújo

Publicado em 28 de agosto de 2026 às 05:00

2026 FIRST LEGO League Asia Open Championship
Robolife, de Candeias, prêmio de Core Values em Pequim Crédito: 2026 FIRST® LEGO® League Asia Open Championship

Em 2026, o Serviço Social da Indústria (SESI) Bahia completa 20 anos da introdução da robótica na Escola SESI. Presente na formação dos estudantes desde o ensino fundamental, a metodologia é utilizada não apenas para o desenvolvimento de conhecimentos técnicos, mas também para estimular habilidades como trabalho em equipe, persistência, criatividade, colaboração e capacidade de lidar com desafios.

De acordo com Cléssia Lobo, superintendente de Educação e Cultura do SESI Bahia e uma das responsáveis pela implantação da robótica na Rede SESI, o objetivo inicial era utilizar a metodologia como ambiente de aprendizagem integrado às áreas de conhecimento.

Estudantes participando da Olimpíada Brasileira de Robótica, em 2025 por Antonio Cavalcante/Copeprhoto/Sistema FIEB

Ao longo das duas décadas, a experiência provocou mudanças na organização da metodologia dentro das escolas. “Atualmente, é componente curricular, é estratégia da prática STEAM [que busca a interconexão entre diferentes áreas do conhecimento] na educação do SESI. E os professores são exclusivos para terem mais condições de planejar e se formar de maneira a se atualizarem, acompanhando a evolução tecnológica e as demandas dos estudantes”, destacou.

Para o SESI Bahia, a robótica educacional está associada à cultura maker, que busca levar o estudante a desenvolver soluções enquanto trabalha competências importantes para a vida escolar e profissional. Atualmente, a Rede SESI participa de cinco modalidades de competição: FIRST LEGO League Challenge (FLLC), FIRST Tech Challenge (FTC), FIRST Robotics Competition (FRC), STEAM Racing e Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), que acontece no dia 29 de agosto, das 8h às 19h, na Escola SESI Djalma Pessoa, no bairro de Piatã.

Na FLLC, estudantes de 9 a 15 anos participam de desafios de programação e inovação. Já as categorias FTC e FRC são destinadas aos alunos do ensino médio e envolvem, respectivamente, robôs de médio porte em missões complexas e robôs de grande porte, com engenharia avançada e colaboração entre equipes.

Na STEAM Racing, os estudantes, também do ensino médio, criam escuderias para projetar, modelar e testar minicarros de Fórmula 1 em 3D, reunindo engenharia, design, velocidade, marketing e plano de negócios.

Atualmente, a Liga SESI de Robótica reúne aproximadamente 500 alunos nas cinco modalidades. A rede conta ainda com cerca 30 professores habilitados em robótica. Além disso, são 18 equipes de FLL, seis de FTC, uma de FRC, nove de STEAM Racing e 41 de OBR, totalizando 75 equipes.

Na avaliação de Cléssia Lobo, os efeitos da robótica ultrapassam o domínio técnico. “As aprendizagens potencializadas pela robótica, seja como metodologia ou componente curricular, na experiência do SESI, apontam resultados significativos com evidências de desempenho acadêmico e indicadores qualitativos que os estudantes ultrapassam o desenvolvimento de conteúdos”, afirmou.

Ao CORREIO, ela também destacou outras habilidades desenvolvidas durante as atividades, como escrita, pesquisa, comunicação, argumentação, raciocínio lógico e tratamento de informações e dados.

Aprender com erros e desafios

Os efeitos da robótica também aparecem em experiências que vão além das competições. É o caso de Alessandra Cardim, de 17 anos, líder da equipe SevenSpeed, da categoria Speed Racing.

Recém-chegada de um intercâmbio educacional na China, onde estudou temas relacionados à ciência, tecnologia e engenharia, visitou instituições de ensino e conheceu projetos que utilizavam tecnologia para solucionar problemas reais, a estudante do SESI Reitor Miguel Calmon, no Retiro, em Salvador, atribui a experiência adquirida na robótica à conquista da oportunidade.

Para ela, a metodologia contribuiu para desenvolver competências que foram fundamentais durante a experiência internacional. “A robótica me ensinou a não interpretar um erro como um fracasso definitivo, mas como parte do processo de chegar a uma solução melhor e é dessa forma que alcançamos a excelência em nosso trabalho”, revelou.

Resultados construídos em equipe

O professor Clóvis Campagnolo, que acompanhou um time de robótica da Escola SESI de Candeias na etapa mundial da FLLC, na China, também destacou o papel da metodologia no desenvolvimento dos estudantes.

A equipe RoboLife, fundada em 2012, participou de oito eventos nacionais, sendo sete vezes seguidas, além de duas competições internacionais. Na etapa mundial da FLLC, a equipe conquistou o prêmio de Core Values.

Para Clóvis, os resultados são consequência de um trabalho conjunto entre gestão, corpo pedagógico e estudantes. “Enquanto a escola proporciona um ambiente adequado de desenvolvimento, com todo suporte técnico e tecnológico necessário, nós, da equipe pedagógica, cuidamos do desenvolvimento de habilidades inerentes ao desenvolvimento do estudante. Já os estudantes são o elo que ligam todo o processo, pois, da sua dedicação, empenho e entregas diárias nos treinos, resultam grandes conquistas para nossa escola, nosso estado e consequentemente o nosso país”, detalhou.

Popularização da robótica

Além de manter a robótica na formação dos estudantes da própria rede, o SESI Bahia também atua na ampliação do acesso à metodologia em outras escolas. A instituição apoia escolas públicas com disponibilização de kits de robótica e capacitação para professores.

Segundo Cléssia Lobo, ampliar esse acesso é uma forma de aproximar a educação das transformações tecnológicas e das demandas do mundo atual. Ela também defende que a robótica contribui para tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico e relacionado à realidade dos estudantes. “A escola precisa ser lugar de curiosidade, pesquisa e motivação de aprender, ações como essa movimentam o estudante e professores para a busca da construção do conhecimento com metodologia mais dinâmica e mais significativa, já que o currículo é o tempo todo relacionado à vida”, concluiu.

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